Uma rede de 409 km de estradas poderá receber 182 km de duplicações, 71 km de terceiras faixas e 37 novas passarelas em um projeto de R$ 6 bilhões que atravessa dezenas de cidades brasileiras
A proposta reúne intervenções em rodovias estaduais, mas o processo de contratação enfrenta um obstáculo após a licitação sem interessados.
Entre deslocamentos urbanos e viagens de caminhões, as estradas do Vale do Taquari e do Norte gaúcho acumulam funções muito diferentes. O Bloco 2 de rodovias do RS reúne 409 km e projetava R$ 6 bilhões em melhorias, mas o leilão marcado para junho de 2026 não recebeu propostas.
Quais rodovias e cidades fazem parte do Bloco 2?
O projeto alcança 32 municípios e inclui trechos das ERS-128, ERS-129, ERS-130, ERS-135, ERS-324 e RSC-453. As ligações atravessam o Vale do Taquari e a Região Norte do Rio Grande do Sul, atendendo deslocamentos cotidianos e transporte de mercadorias.
A extensão de 409 km corresponde à rede prevista na concessão, não à quantidade de pistas que seriam construídas. O conjunto reúne rodovias predominantemente de pista simples e alguns trechos já equipados com terceira faixa, situação registrada no planejamento estadual.

Como seriam distribuídos os 182 km de duplicações?
A proposta prevê 182 km de duplicações para separar os sentidos do tráfego nos segmentos selecionados. Isso não representa transformar todos os 409 km em pista dupla: outras áreas receberiam melhorias menos extensas, ajustadas às necessidades de cada rodovia.
Os 71,5 km de terceiras faixas acrescentariam espaço de circulação em pontos específicos, sobretudo onde veículos lentos podem dificultar ultrapassagens. Já as 37 passarelas teriam finalidade distinta: permitir a travessia de pedestres em trechos com tráfego rodoviário.
Quais intervenções mudariam a rotina nas estradas?
A ampliação de capacidade seria acompanhada pela implantação de acostamentos e por mudanças na organização de acessos. Uma estrada pode ter pistas novas e continuar insegura caso travessias urbanas e entradas de propriedades permaneçam mal resolvidas.
O sistema de pedágio eletrônico free flow, previsto na modelagem, permitiria cobrança por pórticos sem barreiras físicas tradicionais. O efeito para usuários dependeria da tarifa e da localização dos pontos de cobrança definidos numa eventual retomada da concessão.
O conjunto de obras se distribui em três frentes principais:
Por que o investimento chegaria a R$ 6 bilhões?
O valor de R$ 6 bilhões integrava a modelagem de concessão para um contrato de longa duração. Desse total, havia previsão de R$ 1,5 bilhão de aporte estadual pelo Fundo do Plano Rio Grande, destinado a viabilizar parte do programa.
O planejamento divulgava ainda R$ 4,6 bilhões para os primeiros dez anos. Esses montantes representam investimentos previstos, e não valores já executados nas rodovias. O desembolso exigiria contratação efetiva e cumprimento dos marcos do cronograma.
As intervenções previstas abrangem estes pontos:
O leilão do Bloco 2 foi realizado?
Não. A disputa prevista para 10 de junho de 2026 foi cancelada porque o prazo para entrega das propostas terminou sem empresas interessadas. A tentativa anterior já havia passado por adiamento e ajustes na tarifa proposta.
A licitação sem propostas impediu a assinatura do contrato naquele formato. Uma nova tentativa poderia exigir revisão financeira, alterações no edital e divulgação de outro cronograma, sem data confirmada nas informações consultadas.
O que deve acontecer antes de as obras começarem?
A retomada do programa depende de decisão do governo estadual sobre a estrutura da concessão e de uma nova seleção de operador. As metas anteriores não podem ser apresentadas como compromisso de uma concessionária já contratada.
Para moradores e transportadoras, a referência mais segura será a publicação de novo edital, seguida da assinatura contratual e da programação executiva. Até lá, os 182 km de duplicações permanecem uma possibilidade do projeto original, não uma entrega garantida.
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