A mais acolhedora do Brasil e única brasileira no top 10 do mundo: a cidade goiana do ciclo do ouro cercada por mais de 80 cachoeiras
Cachoeiras cercam uma cidade marcada por ruas e construções históricas
Hospitalidade costuma ser elogio vago em guia de viagem. Em Pirenópolis, em Goiás, ela virou medida: a cidade nascida no século XVIII transformou casarões coloniais, ruas de pedra e pequenas pousadas familiares em um dos destinos mais bem avaliados do planeta por quem se hospeda nela, a cerca de 130 km de Goiânia e 150 km de Brasília.
Como Pirenópolis se tornou a cidade mais acolhedora do Brasil?
Pelas notas de quem passou por lá. Na 14ª edição do Traveller Review Awards, a Booking.com colocou a cidade em 1º lugar entre os destinos mais acolhedores do país em 2026. O critério é a proporção de hospedagens premiadas em cada destino, e só entram na disputa cidades com pelo menos 50 acomodações elegíveis, avaliadas com nota média igual ou superior a 8.
O resultado também atravessou fronteiras. Pirenópolis foi a única cidade brasileira na lista dos dez destinos mais acolhedores do mundo, divulgada em ordem aleatória, ao lado de Montepulciano, na Itália, e Takayama, no Japão. Na América Latina, só San Martín de los Andes, na Argentina, dividiu o feito.

O prêmio de hospitalidade se soma a marcos que explicam por que a cidade chegou até aqui:
O que explica o centro histórico tão preservado?
A história começa em 1727, com o arraial de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte. O nome vinha de uma ponte sobre o Rio das Almas que perdeu metade da estrutura em uma cheia. Entre 1750 e 1800, o ouro financiou quatro igrejas e fez a vila disputar com Vila Boa, a atual Cidade de Goiás, o posto de mais rica da província.
Quando o ouro acabou, o isolamento ajudou a conservar o casario. Em 1890, a cidade adotou o nome Pirenópolis, a cidade dos Pireneus, em referência à serra que a cerca, e em 1989 o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou o conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico. Décadas antes, a construção de Brasília havia trazido outra fama: a extração intensa da pedra de Pirenópolis, um quartzito que virou marca da região.

Quais tradições ajudam a explicar a fama da cidade goiana?
A principal é a Festa do Divino Espírito Santo, realizada desde 1819 e reconhecida em 2010 como Patrimônio Cultural do Brasil. Segundo a Superintendência do Iphan em Goiás, a celebração está profundamente enraizada no cotidiano da população e define padrões de convivência na cidade.
O ponto alto são as Cavalhadas, presentes na programação desde 1826, que encenam combates entre mouros e cristãos a cavalo. A festa acontece entre maio e junho, cerca de 50 dias após a Páscoa, e reúne moradores de todas as gerações em torno de figurinos, máscaras e cortejos que mantêm viva a identidade local.

O que fazer em Pirenópolis além do centro histórico?
As colinas ao redor guardam mais de 80 cachoeiras, além de reservas particulares e trilhas no Cerrado. Boa parte dos atrativos fica a poucos quilômetros do centro, acessível por estradas de terra.
A combinação de patrimônio colonial e natureza é justamente o que diferencia a cidade de outros destinos históricos do país.
Roteiro entre cachoeiras e serras
Entre quedas d’água, mirantes e construções históricas, alguns endereços resumem bem a experiência na cidade:
- Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário: principal marco do centro histórico, cercada por ruas de paralelepípedos e casarões preservados.
- Cachoeira Meia Lua: uma das quedas mais procuradas dos arredores, citada entre os destaques da cidade no prêmio da Booking.com.
- Cachoeiras dos Dragões: chamadas de misteriosas pela própria Booking.com, ficam na área de um mosteiro zen-budista e são percorridas por trilha.
- Reserva Ecológica Vargem Grande: área particular com cachoeiras e poços para banho, opção tranquila para famílias.
- Parque Estadual da Serra dos Pireneus: criado em 1987, fica a cerca de 20 km da cidade e protege os picos que dão nome ao município.
- Cine Pireneus: cinema em estilo art déco erguido em 1919, um contraponto curioso à arquitetura colonial do centro.
Quem busca cachoeiras e história no Centro-Oeste, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 260 mil visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra os encantos e atrações de Pirenópolis:
Como é o clima de Pirenópolis ao longo do ano?
Pirenópolis tem duas estações bem marcadas: verão chuvoso e inverno seco, típico do Cerrado. Entre junho e agosto, a chuva praticamente desaparece, enquanto setembro e outubro trazem as tardes mais quentes do ano antes da volta das águas.
Pirenópolis em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas na climatologia de 30 anos do Climatempo para Pirenópolis. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte o Climatempo.
A hospitalidade que virou patrimônio
Pirenópolis reúne o que poucos destinos conseguem juntar no mesmo roteiro: casario do ciclo do ouro, tradições que atravessam dois séculos e cachoeiras a poucos quilômetros do centro. O prêmio internacional apenas confirmou o que se sente ao caminhar pelas ruas de pedra.
Você precisa conhecer Pirenópolis, se perder entre os casarões coloniais e descobrir por que tanta gente volta para casa falando da recepção.
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