Há 60 anos, a União Soviética secou um mar inteiro para irrigar plantações de algodão: hoje, arbustos já foram plantados em 1,7 milhão de hectares para conter a erosão e as tempestades de poeira

17.10.2026

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Há 60 anos, a União Soviética secou um mar inteiro para irrigar plantações de algodão: hoje, arbustos já foram plantados em 1,7 milhão de hectares para conter a erosão e as tempestades de poeira

Há cerca de 60 anos, uma decisão agrícola da antiga União Soviética desencadeou uma das maiores catástrofes ambientais da história.

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Há 60 anos, a União Soviética secou um mar inteiro para irrigar plantações de algodão: hoje, arbustos já foram plantados em 1,7 milhão de hectares para conter a erosão e as tempestades de poeira
Há 60 anos, a União Soviética secou um mar inteiro para irrigar plantações de algodão hoje, arbustos já foram plantados em 1,7 milhão de hectares para conter a erosão e as tempestades de poeira

Há cerca de 60 anos, uma decisão agrícola da antiga União Soviética desencadeou uma das maiores catástrofes ambientais da história. O desvio de rios para irrigar plantações de algodão fez o Mar de Aral perder mais de 90% de sua superfície, deixando para trás um deserto contaminado por sal e resíduos agrícolas.

Agora, o Uzbequistão tenta conter os danos com uma estratégia surpreendente: plantar arbustos em 1,7 milhão de hectares para reduzir a erosão e as tempestades de poeira.

Como a União Soviética fez um mar praticamente desaparecer?

Até meados do século XX, o Mar de Aral era um dos maiores lagos interiores do planeta, com aproximadamente 68 mil km². Suas águas sustentavam comunidades pesqueiras e ajudavam a movimentar a economia regional.

A partir da década de 1960, os rios Amu Dária e Sir Dária passaram a ter grandes volumes de água desviados para irrigar plantações, principalmente de algodão. Com menos água chegando ao lago, a evaporação acelerou seu desaparecimento, expondo cerca de 60 mil km² de antigo fundo marinho.

Quais foram as consequências ambientais dessa catástrofe?

O desaparecimento da água não significou apenas a perda de um ecossistema aquático. O solo exposto acumulou sais e resíduos de fertilizantes e pesticidas utilizados durante décadas de atividade agrícola.

Quando os ventos atingem a região, essas partículas podem ser lançadas na atmosfera e transportadas por grandes distâncias. Entre os principais problemas estão:

  • Tempestades de poeira e sal: partículas do antigo leito são levantadas pelos ventos.
  • Degradação do solo: a erosão dificulta a recuperação da vegetação.
  • Poluição do ar: resíduos acumulados podem comprometer a qualidade do ar.
  • Impactos na agricultura: a dispersão de partículas pode prejudicar terrenos cultiváveis nas áreas próximas.

Leia também: A psicologia sugere que adultos que abaixam o olhar ao conversar com outras pessoas não o fazem por timidez; Na verdade, eles estão focados em pensar na resposta certa

Há 60 anos, a União Soviética secou um mar inteiro para irrigar plantações de algodão hoje, arbustos já foram plantados em 1,7 milhão de hectares para conter a erosão e as tempestades de poeira
Há 60 anos, a União Soviética secou um mar inteiro para irrigar plantações de algodão hoje, arbustos já foram plantados em 1,7 milhão de hectares para conter a erosão e as tempestades de poeira. Créditos: depositphotos.com / Thomaspajot

Por que o Uzbequistão está plantando arbustos no deserto?

A principal aposta é o saxaul (Haloxylon), um arbusto adaptado às condições extremas da Ásia Central. A espécie consegue sobreviver em solos salinos, com pouca água e temperaturas elevadas, características que tornam o antigo leito do Mar de Aral especialmente difícil de recuperar.

O Uzbequistão já promoveu o plantio de saxaul e outras plantas adaptadas ao deserto em aproximadamente 1,7 milhão de hectares.

A vegetação ajuda a fixar o solo por meio das raízes e dificulta que o vento espalhe poeira e sal. A iniciativa, porém, não pretende reconstruir o lago original, mas reduzir parte dos danos ambientais.

Quais obstáculos ameaçam a recuperação do antigo Mar de Aral?

Fazer a vegetação sobreviver nesse ambiente exige mais do que espalhar sementes.

A salinidade elevada, a escassez de chuvas, as tempestades de areia e o calor intenso, que pode ultrapassar 42 °C no verão, dificultam o desenvolvimento das plantas.

Projetos experimentais buscaram melhorar os resultados com técnicas específicas de cultivo. Entre as estratégias testadas estão:

Recuperação ambiental

O desafio de fazer o deserto voltar a ter vida

O antigo leito do Mar de Aral impõe obstáculos extremos. Técnicas de plantio e manejo da água ajudam a aumentar a sobrevivência das plantas e a conter a poeira.

SOBREVIVÊNCIA EM PARCELAS EXPERIMENTAIS 78% Mudas cultivadas em recipientes, em algumas áreas.
PLANTIO CONVENCIONAL 20–30% Taxa de sobrevivência registrada em plantios por sementes.

1. Mudas cultivadas em recipientes

O método pode favorecer o estabelecimento das plantas em condições difíceis. Em algumas parcelas, a sobrevivência chegou a 78%, acima dos 20% a 30% observados em plantios convencionais por sementes.

Sobrevivência registrada 78%

2. Acesso à água no início do crescimento

Em determinadas áreas, poços de até 500 metros de profundidade foram utilizados para fornecer água às mudas. A disponibilidade hídrica inicial é um desafio em uma região marcada pela aridez.

3. Fixação do solo contra os ventos

Depois de estabelecida, a vegetação ajuda a manter o terreno mais estável. As raízes contribuem para reduzir a erosão e dificultar que partículas de sal e poeira sejam lançadas na atmosfera.

A recuperação continua sendo um desafio de longo prazo. Embora o plantio não reverta a perda do Mar de Aral, ele pode diminuir os efeitos de uma transformação ambiental provocada pela ação humana e ajudar a estabilizar uma região que ainda sofre as consequências de décadas de exploração dos recursos hídricos.

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