Nunes Marques autoriza PT a desvincular “Exército do Lula” da campanha
Decisão do presidente do TSE não encerra a análise sobre possível vínculo entre o canal de Janones e a candidatura petista
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques (foto), autorizou nesta sexta-feira, 16, que a campanha de Lula retire o canal de WhatsApp “Exército do Lula” de sua estrutura oficial.
A decisão foi tomada após a Corte aprovar novas regras para canais no aplicativo.
Nunes Marques afirmou que a medida não determina “a existência ou inexistência de vínculo entre o canal e a campanha”. A questão ainda será examinada pela Justiça Eleitoral.
Liderado pelo deputado federal André Janones, o canal chegou a reunir 4,6 milhões de apoiadores do presidente, mobilizados para compartilhar conteúdos na reta final da campanha de 2022.
A iniciativa provocou reação de aliados de Jair Bolsonaro, que acionaram o TSE e criaram a Tropa do Flávio, canal que alcançou 1,8 milhão de seguidores.
Leia também: Nunes Marques reconsidera própria decisão sobre “Exército de Lula”
O Exército das fake news
Em reportagem de capa da revista Crusoé, Duda Teixeira e Guilherme Resck analisam o episódio e apontam questionamentos sobre a atuação e a credibilidade da Justiça Eleitoral.
A cientista política Helga de Almeida, professora da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), afirma:
“Janones entendeu muito bem como funcionam as plataformas digitais, o que elas impulsionam para gerar mais interação. Mapeou essa lógica e passou a usá-la, e isso deu muito certo em 2022. Foi ele mesmo quem chamou esse método de ‘janonismo cultural’, numa brincadeira com a expressão ‘marxismo cultural’, usada pela direita bolsonarista contra a esquerda”.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)