Bruno Soller na Crusoé: O xeque-mate de Sánchez
Quando o balanço da gestão pesa contra quem está no poder, escolher o assunto da eleição pode ser a última possibilidade de sobrevivência
Pedro Sánchez quer mudar a pergunta da eleição espanhola, marcada para 29 de novembro.
Com o governo desgastado, o primeiro-ministro (Na Espanha, “presidente do governo“) tenta transformar a crise da habitação em um embate sobre o futuro do país.
É uma operação política compreensível. Quando o balanço do governo pesa contra quem está no poder, escolher o assunto da eleição pode ser a última possibilidade de sobrevivência.
O desgaste aparece nas pesquisas, embora seja preciso distinguir desconfiança, rejeição pessoal e avaliação de governo.
Na pesquisa CIS de julho, 69,1% dos espanhóis declaravam pouca ou nenhuma confiança em Sánchez.
Em setembro, outro levantamento, divulgado pelo El País, mostrava que o primeiro-ministro despertava preocupação em 61,6% e irritação em 59,3%. São indicadores diferentes, mas revelam a dificuldade de um governante que precisa pedir mais tempo a uma sociedade cansada.
Sánchez encontrou na moradia uma possibilidade de reorganizar essa conversa. O tema reúne jovens que não conseguem sair da casa dos pais, trabalhadores que comprometem parte crescente da renda com aluguel e famílias que se sentem expulsas dos lugares onde construíram a vida.
Uma causa com capacidade de atravessar classes sociais e recuperar para a esquerda o discurso da proteção.
Há um precedente recente. Zohran Mamdani venceu em Nova York com uma campanha centrada no custo de vida, tendo o congelamento dos aluguéis como uma de suas principais bandeiras.
Sua força esteve em traduzir uma discussão ideológica em uma experiência cotidiana. Quanto custa continuar morando…
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