Um cometa brilhante atravessou nuvens luminosas antes do amanhecer: sequência de 240 fotos mostra por que o NEOWISE marcou o céu de 2020
Sequência de mais de 240 fotografias registra o cometa NEOWISE entre nuvens luminosas sobre o mar Adriático em um espetáculo raro de 2020
O cometa NEOWISE protagonizou um raro espetáculo astronômico em julho de 2020, quando apareceu sobre o mar Adriático, na Itália, acompanhado por nuvens azuladas que brilhavam antes do amanhecer. Uma sequência de mais de 240 fotografias, reunidas em 30 minutos de observação, registrou o fenômeno. O vídeo voltou a ganhar destaque na NASA em setembro de 2026, relembrando um dos cometas mais impressionantes das últimas décadas.
Por que o cometa NEOWISE chamou tanta atenção em 2020?
Identificado oficialmente como C/2020 F3 (NEOWISE), o cometa foi descoberto em 27 de março de 2020 pelo telescópio espacial NEOWISE, da NASA. Sua aproximação do Sol provocou a liberação de gases e poeira, formando uma região luminosa ao redor do núcleo e duas caudas que se estendiam pelo espaço.
O objeto surpreendeu os astrônomos porque permaneceu suficientemente brilhante para ser observado sem telescópio durante várias semanas. Sua visibilidade a olho nu foi especialmente marcante no hemisfério norte, onde milhares de pessoas conseguiram acompanhar sua passagem durante julho e parte de agosto de 2020.
Como 240 fotografias registraram o cometa NEOWISE sobre o Adriático?
O fotógrafo Paolo Girotti registrou o cometa antes do amanhecer de 8 de julho de 2020, a partir da Itália, com o mar Adriático no horizonte. Em aproximadamente meia hora, capturou mais de 240 fotografias que posteriormente foram reunidas em uma sequência acelerada, técnica conhecida como time-lapse.
As imagens mostram o cometa surgindo aparentemente entre nuvens noctilucentes, estruturas atmosféricas extremamente altas que refletem a luz solar mesmo quando o Sol está abaixo do horizonte. Ao fundo, estrelas permanecem visíveis enquanto as nuvens apresentam movimentos ondulantes.
Entre os principais detalhes do registro estão:
- Mais de 240 fotografias reunidas em sequência;
- Aproximadamente 30 minutos de observação;
- Registro realizado antes do amanhecer de 8 de julho de 2020;
- Nuvens noctilucentes brilhando sobre o mar Adriático;
- Núcleo cometário estimado em cerca de cinco quilômetros;
- Presença de caudas formadas por poeira e gás ionizado.
O vídeo original de Paolo Girotti, divulgado pela NASA, mostra o NEOWISE surgindo sobre o Adriático entre nuvens noctilucentes.
Por que as nuvens pareciam brilhar enquanto o céu ainda estava escuro?
As nuvens noctilucentes se formam na mesosfera, geralmente entre 75 e 85 quilômetros de altitude. Elas contêm minúsculos cristais de gelo que refletem a luz solar. Como estão muito acima das nuvens meteorológicas comuns, podem continuar iluminadas mesmo quando a superfície terrestre permanece na escuridão.
No registro de Girotti, a combinação entre essas nuvens e o brilho do cometa criou um contraste incomum. Entretanto, os dois fenômenos estavam separados por distâncias enormes: as nuvens pertenciam à atmosfera terrestre, enquanto o NEOWISE atravessava o Sistema Solar. A impressão de proximidade resultou exclusivamente da perspectiva do observador.
Quais informações científicas a NASA confirmou sobre o cometa?
A sequência foi apresentada originalmente em 13 de julho de 2020 no Astronomy Picture of the Day (APOD), programa de divulgação astronômica da NASA. Em 13 de setembro de 2026, a agência voltou a destacar o registro na publicação Comet NEOWISE Rising Over the Adriatic Sea, atribuindo as imagens a Paolo Girotti.
As observações indicaram que o núcleo possuía aproximadamente cinco quilômetros de diâmetro. O NEOWISE realizou sua maior aproximação do Sol em 3 de julho de 2020, sobrevivendo ao aquecimento intenso. Suas caudas se estendiam por centenas de milhares a milhões de quilômetros, dependendo do material observado e das condições de iluminação.

Qual é a diferença entre o núcleo e as caudas do cometa NEOWISE?
Apesar de sua aparência gigantesca no céu, a parte sólida do NEOWISE era relativamente pequena. Seu núcleo, formado por uma mistura de gelo, poeira e materiais rochosos, media aproximadamente cinco quilômetros. Quando se aproximou do Sol, parte do gelo passou diretamente para o estado gasoso, liberando partículas que formaram a coma e as caudas.
A cauda de poeira reflete a luz solar e pode apresentar uma aparência larga e curva. Já a cauda iônica contém gases eletricamente carregados, influenciados pelo vento solar, e frequentemente aparece mais estreita. As duas estruturas podem apontar em direções ligeiramente diferentes, revelando os efeitos da radiação e das partículas emitidas pelo Sol.
| Característica | Informação confirmada |
|---|---|
| Identificação | C/2020 F3 (NEOWISE) |
| Descoberta | 27 de março de 2020 |
| Núcleo | Cerca de 5 km de diâmetro |
| Registro no Adriático | 8 de julho de 2020 |
| Sequência fotográfica | Mais de 240 imagens em 30 minutos |
Quando o cometa NEOWISE poderá voltar a aparecer no céu terrestre?
O NEOWISE percorre uma órbita extremamente alongada ao redor do Sol. Depois de sua passagem em 2020, iniciou novamente sua viagem em direção às regiões externas do Sistema Solar. As estimativas orbitais indicam que poderá levar aproximadamente 6.800 anos para retornar às proximidades do Sol.
O registro feito sobre o Adriático permanece importante porque documenta um fenômeno relativamente raro: um cometa brilhante visível a olho nu acompanhado por nuvens noctilucentes. A sequência também mostra o valor científico e documental da astrofotografia, capaz de preservar acontecimentos celestes que não poderão ser observados novamente nas mesmas condições durante muitas gerações.
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