Um crânio de 700 anos guarda uma punição brutal e uma sobrevivência: mulher da China medieval viveu depois de ter parte do nariz removida
Crânio encontrado na China revela amputação nasal com sinais de cicatrização e possível uso de prótese durante a Idade Média
Um crânio de aproximadamente 700 anos encontrado na China revelou sinais de uma amputação nasal realizada quando a vítima ainda estava viva. A mulher, que viveu entre 1298 e 1404, apresentava ossos cicatrizados na região do nariz, indicando que sobreviveu durante anos após a mutilação. A descoberta pode representar a primeira evidência arqueológica dessa punição na China antiga.
Por que a amputação nasal era utilizada como punição na China medieval?
A remoção do nariz era uma das formas de punição corporal registradas nos antigos sistemas jurídicos chineses. Conhecida como yi, a prática fazia parte das chamadas Cinco Punições, que também incluíam outras mutilações, marcas permanentes no rosto e a pena de morte. Seu objetivo ultrapassava o sofrimento físico, pois deixava uma marca visível e duradoura.
Durante a dinastia Yuan, que governou a China entre os séculos XIII e XIV, a amputação nasal estava prevista em determinados contextos legais, incluindo o roubo de animais de grande valor. Entretanto, não existem documentos que permitam identificar qual crime a mulher encontrada teria cometido, nem confirmar definitivamente que sua lesão resultou de uma sentença judicial.
O que os arqueólogos descobriram no crânio de 700 anos?
O esqueleto foi encontrado em 2019 no cemitério de Sanzhiyuan, localizado na cidade de Sanmenxia, província de Henan, no centro da China. Os pesquisadores identificaram uma mulher que morreu aproximadamente entre 40 e 45 anos. Seu corpo estava enterrado de bruços, posição incomum em relação aos demais sepultamentos do local.
A análise revelou que parte dos ossos nasais havia sido removida, juntamente com estruturas ósseas internas da cavidade do nariz. As bordas apresentavam sinais de cicatrização e remodelação, demonstrando que a lesão aconteceu muito antes da morte.
Entre as principais evidências identificadas estão:
- Sepultamento datado entre 1298 e 1404;
- Mulher com idade estimada entre 40 e 45 anos;
- Remoção parcial dos ossos nasais;
- Sinais de cicatrização nas bordas das lesões;
- Enterro realizado com o corpo voltado para baixo;
- Possíveis alterações ósseas relacionadas ao uso de prótese nasal.

Como a mulher conseguiu sobreviver após perder parte do nariz?
A amputação nasal poderia provocar hemorragias, infecções e dificuldades respiratórias. A ausência de estruturas responsáveis por filtrar, aquecer e umidificar o ar também aumentaria a exposição das vias respiratórias a poeira e outros agentes ambientais.
No entanto, os ossos apresentam sinais claros de recuperação. A formação de tecido ósseo nas áreas lesionadas indica que a mulher viveu durante um período considerável após o procedimento. Os pesquisadores consideram provável que tenha recebido algum tipo de cuidado para controlar o sangramento e permitir a cicatrização, embora não seja possível reconstruir o tratamento utilizado.
Quais evidências científicas apontam para uma amputação como castigo?
A investigação foi conduzida por Yawei Zhou, Chuyan Zhang, Fei Yan e Qian Wang. O estudo publicado no Journal of Archaeological Science: Reports utilizou tomografia computadorizada, análises osteológicas e informações históricas para investigar a origem das lesões.
As imagens mostraram que os ossos nasais haviam sido parcialmente removidos, enquanto os dentes anteriores permaneceram preservados. A ausência de fraturas extensas em outras regiões da face enfraquece a hipótese de um acidente grave. A amputação deliberada é considerada a explicação mais provável, mas os autores reconhecem que a motivação punitiva não pode ser demonstrada apenas pelo esqueleto.
O que o sepultamento revela sobre o tratamento dado à mulher?
Entre os 213 sepultamentos históricos identificados no cemitério de Sanzhiyuan, o da mulher foi o único realizado com o corpo de bruços. Essa diferença chamou a atenção dos pesquisadores porque as práticas funerárias também podiam refletir posições sociais, crenças e formas de exclusão.
A equipe considera possível que a posição tenha sido escolhida para ocultar a desfiguração facial. Entretanto, não é possível estabelecer com certeza quem tomou essa decisão nem suas motivações. A combinação entre ferimentos, sobrevivência prolongada e sepultamento incomum oferece informações sobre a relação entre punições corporais e tratamento social.
| Evidência | Interpretação científica |
|---|---|
| Ossos nasais removidos | Possível amputação deliberada |
| Bordas cicatrizadas | Sobrevivência após a lesão |
| Crescimento ósseo | Possível uso de prótese |
| Enterro de bruços | Tratamento funerário incomum |
| Idade ao morrer | Aproximadamente 40 a 45 anos |
O que a descoberta pode revelar sobre a medicina da China medieval?
Um dos aspectos mais interessantes envolve pequenas formações ósseas próximas à abertura nasal. Os pesquisadores levantaram a possibilidade de que essas alterações tenham surgido devido ao contato prolongado com uma prótese utilizada para disfarçar a desfiguração. Entretanto, nenhum dispositivo foi encontrado junto ao esqueleto.
O caso também indica que pessoas submetidas a lesões graves podiam sobreviver durante anos, possivelmente graças a cuidados médicos e apoio cotidiano. A descoberta aproxima registros históricos de evidências físicas, permitindo investigar práticas de punição, recuperação e exclusão social que antes eram conhecidas principalmente por documentos antigos.
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