Uma macaca ameaçada quase perdeu o pé e meses depois deu à luz: cirurgia incomum preservou o membro e terminou com uma surpresa no zoológico
Cirurgia realizada por veterinários britânicos salvou o pé de Masaya, que meses depois deu à luz uma filhote importante para a conservação da espécie
Uma macaca-roloway criticamente ameaçada de extinção surpreendeu veterinários após passar por uma cirurgia complexa para evitar a amputação do pé. Masaya, de 15 anos, recebeu tratamento no Reino Unido em 2025 e, meses depois, deu à luz uma filhote chamada Lagertha. O nascimento, anunciado em março de 2026 pelo Chester Zoo, representa uma conquista importante para a conservação da espécie.
Por que a macaca-roloway quase precisou amputar o pé?
Masaya enfrentava problemas recorrentes em um dos pés desde sua chegada ao Chester Zoo, em 2023. A equipe veterinária realizou radiografias, ultrassonografias e biópsias, mas inicialmente não conseguiu identificar com segurança a origem da lesão. A principal suspeita era um abscesso persistente, possivelmente provocado por um ferimento antigo causado por um espinho.
Em 2025, o inchaço aumentou e formou uma massa aproximadamente do tamanho de uma bola de golfe. Diante da piora, os especialistas decidiram transportar Masaya até o hospital veterinário da Universidade de Liverpool. A cirurgia representava a última possibilidade de preservar o pé antes de uma amputação mais extensa.
Como a cirurgia conseguiu salvar o pé da macaca-roloway?
Veterinários do Chester Zoo trabalharam em conjunto com cirurgiões do Small Animal Teaching Hospital, da Universidade de Liverpool. Uma tomografia computadorizada ajudou a avaliar a região afetada e planejar a intervenção. Como a equipe não encontrou registros anteriores de um procedimento equivalente em macacos-roloway, foi necessário adaptar técnicas cirúrgicas utilizadas em outros animais.
A operação permitiu retirar a massa e preservar quase toda a estrutura do pé. Apenas um dos dedos precisou ser amputado. Durante a recuperação, Masaya voltou a apresentar comportamento ativo e a utilizar normalmente o membro, resultado fundamental para sua mobilidade e capacidade de cuidar dos filhotes.
Entre os principais detalhes do caso estão:
- Masaya tinha 15 anos quando o nascimento foi anunciado;
- A lesão persistia desde pelo menos 2023;
- A massa atingiu aproximadamente o tamanho de uma bola de golfe;
- A operação ocorreu em 2025;
- Apenas um dedo precisou ser removido;
- Meses depois, nasceu Lagertha, a terceira filha de Masaya.

Por que preservar o pé foi tão importante para a maternidade?
Os macacos-roloway (Cercopithecus roloway) são primatas arborícolas que dependem dos membros para se locomover entre galhos, manter o equilíbrio e segurar objetos. A perda completa de um pé poderia comprometer atividades importantes, incluindo o deslocamento enquanto carregam filhotes.
A tratadora Zoe Edwards explicou que uma amputação teria levantado dúvidas sobre a capacidade de Masaya continuar realizando seus comportamentos habituais. A recuperação permitiu que a macaca utilizasse o membro e cuidasse da recém-nascida, embora os veterinários não tenham afirmado que a cirurgia foi responsável por possibilitar a gestação.
O que os veterinários confirmaram sobre a recuperação da macaca-roloway?
A Universidade de Liverpool divulgou os resultados do procedimento em 19 de março de 2026. Segundo o comunicado oficial sobre a cirurgia e o nascimento de Lagertha, a veterinária Rachel Burrow participou da tomografia e da operação, destacando a recuperação funcional de Masaya. O caso também foi anunciado pelo Chester Zoo no dia anterior.
A equipe informou que Masaya estava confortável, ativa e utilizando bem o pé operado. O nascimento de Lagertha trouxe uma confirmação adicional de sua capacidade de desempenhar atividades maternas. Entretanto, o caso não constitui um estudo clínico sobre a eficácia da técnica em outros primatas, mas um procedimento veterinário individual considerado bem-sucedido.
Por que o nascimento de Lagertha é importante para a conservação?
A macaca-roloway está classificada como criticamente ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A espécie ocorre naturalmente em Gana e na Costa do Marfim, na África Ocidental, onde enfrenta desmatamento, fragmentação de habitats e caça. Estimativas divulgadas pelas instituições responsáveis indicam que restam menos de 2 mil indivíduos na natureza.
Masaya participa de um programa europeu de reprodução coordenada de espécies ameaçadas. O Chester Zoo é uma das duas instituições do Reino Unido que mantêm esses primatas. Como existem poucas fêmeas reprodutoras em zoológicos europeus, cada nascimento contribui para a manutenção de uma população sob cuidados humanos.
| Informação | Dados confirmados |
|---|---|
| Espécie | Cercopithecus roloway |
| Macaca operada | Masaya, 15 anos |
| Cirurgia | 2025, com remoção de um dedo |
| Filhote | Lagertha, terceira filha |
| Estado de conservação | Criticamente ameaçada |
O que o caso revela sobre os cuidados com animais ameaçados?
A história demonstra a importância da colaboração entre zoológicos e hospitais veterinários especializados. Equipamentos de diagnóstico, técnicas cirúrgicas adaptadas e acompanhamento individual podem melhorar a qualidade de vida de animais que enfrentam condições médicas pouco documentadas.
Lagertha, batizada em referência a uma personagem histórica associada à tradição viking, nasceu saudável e passou a viver com a mãe e outros quatro macacos no Chester Zoo. O nascimento reforça a importância de preservar a saúde das poucas fêmeas reprodutoras disponíveis, mas não elimina as ameaças enfrentadas pela espécie na natureza. Sua conservação continuará dependendo principalmente da proteção das florestas e do combate à caça.
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