Uma floresta de sequoias gigantes diminuiu a fotossíntese quando o calor passou dos 38 °C, mostrando como as árvores mais altas do mundo economizam recursos sob estresse
Algumas folhas chegaram a ficar quase 11°C mais quentes que o próprio ar ao redor durante picos de calor

O que você vai ver
- A que temperatura as sequoias costeiras estão adaptadas a viver.
- O que os pesquisadores mediram diretamente na floresta durante as ondas de calor.
- O que os testes de laboratório mostraram mesmo com água e CO2 disponíveis.
- Como funciona o mecanismo de resfriamento natural da árvore e onde ele falha.
- O que os próprios pesquisadores ainda não sabem sobre os limites da espécie.
Uma pesquisa da Universidade da Califórnia em Davis mostrou que sequoias costeiras, as árvores mais altas do mundo, reduzem a fotossíntese assim que a temperatura ultrapassa os 38°C, mecanismo de proteção que revela como a espécie tenta economizar recursos diante do estresse térmico.
A que temperatura essas árvores estão adaptadas?
As sequoias-costeiras evoluíram em regiões de clima ameno, com temperatura média de cerca de 15°C, bem distante dos picos que ondas de calor recentes já provocaram nessas florestas, que chegaram a ultrapassar os 38°C em determinados momentos, segundo o estudo conduzido por Lily Klinek, doutoranda do Plant Optics Lab da UC Davis.

O que foi medido diretamente na floresta?
Durante três verões seguidos, em uma floresta de sequoias em Mendocino, na Califórnia, a equipe coletou dados de campo e constatou que, quando o ar atingiu 30°C em 2022 e 2024, algumas folhas chegaram a ficar quase 11°C mais quentes do que o próprio ar ao redor, sinal claro de estresse térmico nas árvores monitoradas.
O que os testes de laboratório mostraram?
Para isolar o efeito exclusivo da temperatura, a equipe manteve ramos cortados em jarros com água, garantindo folhas úmidas e estômatos abertos, e constatou que, em temperaturas de até 43°C, a fotossíntese caía mesmo com acesso abundante a água e CO2, prova de que o calor em si prejudica o processo, independentemente da disponibilidade desses dois recursos essenciais.
Como funciona o resfriamento natural da árvore?
Em condições normais, as sequoias se resfriam por evapotranspiração, liberando umidade pelos estômatos num processo parecido com o suor humano, mas sob calor intenso elas provavelmente fecham esses mesmos estômatos para evitar perda excessiva de água, o que impede o resfriamento e leva ao superaquecimento das folhas, problema agravado pelo fato de que ondas de calor também dissipam a neblina costeira, fonte importante de água para essas árvores.

O que ainda não se sabe sobre os limites da espécie?
Os próprios autores do estudo, publicado na revista JGR Biogeosciences, reconhecem que ainda não se sabe quais são os limites superiores exatos de temperatura para a fotossíntese e a mortalidade das sequoias-costeiras, lacuna que preocupa especialmente porque as regiões central, sul e leste da área de ocorrência natural da espécie na Califórnia já são consideradas especialmente vulneráveis ao calor.
Mecanismos de defesa biológica que têm um limite claro de funcionamento também aparecem no relato sobre o cheiro do solo que pode denunciar a saúde das comunidades de fungos e bactérias.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do Phys.org.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)