Duas faias cresceram lado a lado sob a mesma doença, mas uma quase não mostrou sintomas e testes apontaram a diferença para a genética
Experimentos com nematoides revelam diferenças hereditárias na resposta das faias-americanas e abrem caminho para programas de reprodução de árvores resistentes
Duas árvores da mesma espécie cresceram separadas por apenas seis metros, sob condições semelhantes de solo, luz e exposição a uma doença devastadora. Enquanto uma apresentava folhas escurecidas e deformadas, a outra permanecia aparentemente saudável. O contraste chamou a atenção de pesquisadores nos Estados Unidos, que decidiram investigar a resistência genética das faias-americanas. Experimentos publicados em agosto de 2026 demonstraram que determinadas linhagens desenvolvem menos sintomas mesmo após receberem o nematoide responsável pela doença foliar da faia. A descoberta abre uma possibilidade para recuperar florestas ameaçadas, embora a resistência ainda precise ser estudada por várias gerações.
Por que algumas faias-americanas resistem melhor à mesma doença?
A faia-americana, Fagus grandifolia, é uma árvore importante das florestas do leste da América do Norte. Desde 2012, uma doença foliar vem provocando deformações nas folhas, redução do crescimento e morte de exemplares, especialmente dos mais jovens.
No Holden Arboretum, em Ohio, pesquisadores perceberam que algumas árvores continuavam relativamente saudáveis enquanto outras, plantadas a poucos metros, apresentavam sintomas intensos. Como compartilhavam condições ambientais semelhantes, surgiu a hipótese de que diferenças herdadas geneticamente explicassem parte dessa variação.
Como a resistência genética das faias-americanas foi testada?
Os cientistas coletaram ramos de árvores com poucos sintomas e de exemplares severamente afetados. Em seguida, enxertaram esses materiais em porta-enxertos e cultivaram as plantas em estufa, onde puderam controlar melhor as condições de exposição.
Durante o outono, aplicaram 100 nematoides vivos nos brotos das árvores experimentais. Na primavera seguinte, quando surgiram novas folhas, mediram a proporção da superfície que apresentava as faixas escuras características da doença.
Os principais procedimentos incluíram:
- Seleção de árvores com diferentes níveis de sintomas;
- Propagação dos exemplares por enxertia;
- Cultivo das plantas em ambiente controlado;
- Aplicação de 100 nematoides vivos por broto;
- Avaliação das folhas após o inverno;
- Comparação das respostas entre diferentes genótipos.

O que o nematoide faz com as folhas dessas árvores?
O organismo responsável é Litylenchus crenatae subsp. mccannii, um nematoide microscópico que coloniza brotos e tecidos foliares. Sua atividade provoca alterações no desenvolvimento das folhas, incluindo espessamento, deformação e faixas escurecidas entre as nervuras.
Conforme a infestação progride, a árvore pode perder parte da copa, apresentar redução do crescimento e produzir menos folhas saudáveis. Os experimentos também demonstraram que os nematoides vivos, e não apenas os microrganismos associados a eles, foram capazes de desencadear os sintomas.
O que o estudo comprovou sobre a resistência genética das faias-americanas?
O estudo publicado na revista Forest Pathology, em 26 de agosto de 2026, foi conduzido por David Burke, Mary Mason e Jennifer Koch, com participação do Holden Arboretum e do Serviço Florestal dos Estados Unidos.
Os resultados mostraram diferenças significativas na intensidade dos sintomas entre genótipos de faias-americanas. Isso sustenta a existência de um componente genético na resposta à doença. Entretanto, os cientistas ainda precisam identificar os mecanismos envolvidos e verificar se a característica pode ser transmitida consistentemente aos descendentes.
Quais diferenças apareceram entre faias americanas, europeias e japonesas?
A equipe também comparou espécies de faia de diferentes continentes. As árvores americanas e europeias apresentaram níveis semelhantes de danos após a exposição aos nematoides, enquanto a espécie japonesa mostrou uma resposta muito menor.
Essa comparação sugere que a faia-japonesa possui resistência ou tolerância mais elevada ao organismo. A distinção é importante porque uma árvore pode sofrer poucos danos mesmo sem impedir completamente a presença do parasita.
| Árvore ou condição | Resultado observado |
|---|---|
| Faia-americana | Diferenças de sintomas entre genótipos. |
| Faia-europeia | 40% a 50% da área foliar afetada, em média. |
| Faia-japonesa | Aproximadamente 4% da área foliar afetada. |
| Exposição experimental | 100 nematoides vivos por broto. |
Como a resistência genética das faias-americanas poderá ajudar a salvar florestas?
Os pesquisadores pretendem selecionar árvores naturalmente menos afetadas e testar seus descendentes. Caso a resistência seja herdada de maneira consistente, programas de reprodução poderão produzir mudas mais preparadas para enfrentar a doença.
Algumas árvores avaliadas já pertenciam a um programa de seleção contra outra ameaça, a doença da casca da faia. Isso levanta a possibilidade de desenvolver exemplares resistentes a dois problemas importantes. Entretanto, a descoberta ainda não representa uma solução disponível para controlar a doença nas florestas. Novos testes deverão avaliar a durabilidade da resistência e o desempenho das árvores em condições naturais.
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