Células adultas foram reprogramadas e acabaram formando mini glândulas salivares tridimensionais, algo que tentativas anteriores não conseguiam reproduzir
Pesquisadores desenvolveram estruturas glandulares humanas a partir de células pluripotentes e demonstraram sua integração em tecidos de camundongos
Células humanas capazes de adquirir novas funções deram origem a estruturas que imitam partes das glândulas responsáveis pela produção de saliva. Pesquisadores da University at Buffalo, nos Estados Unidos, desenvolveram organoides de glândulas salivares a partir de células-tronco pluripotentes, reproduzindo etapas do desenvolvimento embrionário. O estudo, publicado em setembro de 2026, mostrou que essas pequenas estruturas tridimensionais conseguem desenvolver características glandulares e sobreviver após transplantes em camundongos. A descoberta abre possibilidades para investigar doenças e testar medicamentos, embora a regeneração de glândulas humanas ainda dependa de avanços importantes.
Como as células adultas podem formar organoides de glândulas salivares?
A tecnologia utiliza células-tronco pluripotentes, capazes de se transformar em diferentes tipos celulares. Algumas dessas células podem ser obtidas por reprogramação de células adultas, como as da pele ou do sangue, que recuperam características semelhantes às de células embrionárias.
Em laboratório, os pesquisadores orientaram sua diferenciação por etapas que imitam a formação das glândulas salivares durante o desenvolvimento humano. Assim, obtiveram células progenitoras epiteliais que posteriormente se organizaram em estruturas tridimensionais com características do tecido glandular.
Por que os organoides de glândulas salivares representam um avanço científico?
Produzir estruturas semelhantes às glândulas salivares a partir de células pluripotentes humanas representa um desafio porque esses órgãos possuem diferentes tipos celulares organizados em estruturas complexas.
A equipe conseguiu desenvolver organoides com cavidades internas, chamadas lúmens, e características funcionais associadas à secreção. As estruturas também apresentaram potencial de amadurecimento após serem implantadas em animais.
Entre os principais resultados estão:
- Produção de progenitores glandulares a partir de células pluripotentes;
- Formação de organoides tridimensionais;
- Desenvolvimento de cavidades internas;
- Presença de características relacionadas à secreção;
- Sobrevivência após transplante em camundongos;
- Diferenciação em diferentes tipos de células glandulares.

Por que a perda de saliva representa um problema importante para a saúde?
A saliva participa da digestão, facilita a mastigação e a deglutição, protege os dentes e ajuda a controlar microrganismos presentes na boca. Quando sua produção diminui intensamente, atividades cotidianas como comer e falar podem se tornar difíceis.
Essa condição pode ocorrer após radioterapia para tumores de cabeça e pescoço ou em doenças autoimunes, como a síndrome de Sjögren. Medicamentos e substitutos de saliva podem aliviar determinados sintomas, mas não necessariamente recuperam o tecido glandular danificado.
O que os pesquisadores observaram após transplantar os organoides?
O estudo publicado na revista Nature Communications, em 17 de setembro de 2026, foi conduzido por uma equipe liderada por Laura Sherwood, Ronel Samuel, Stelios Andreadis e Olga Baker, com participação de pesquisadores da University at Buffalo e da Universidade do Missouri.
Os cientistas implantaram os organoides nas glândulas submandibulares de camundongos imunodeficientes. Depois de mais de 40 dias, observaram que as estruturas humanas haviam sobrevivido e se integrado ao tecido dos animais. Também identificaram células acinares, ductais e mioepiteliais, responsáveis por diferentes etapas da produção e do transporte da saliva.
Quais estruturas das mini glândulas foram reproduzidas em laboratório?
As glândulas salivares possuem unidades especializadas que produzem secreções e pequenos canais responsáveis por transportá-las. Seu funcionamento também depende de células contráteis e de estímulos nervosos.
Os organoides reproduziram parte dessa organização. Entretanto, formar componentes semelhantes aos de uma glândula não significa que o tecido consiga substituir imediatamente um órgão completo e recuperar sua função em pacientes.
| Estrutura celular | Função principal |
|---|---|
| Células progenitoras | Originar tipos celulares glandulares. |
| Células acinares | Produzir componentes da saliva. |
| Células ductais | Transportar e modificar a secreção. |
| Células mioepiteliais | Auxiliar a expulsão da saliva. |
| Lúmens | Formar espaços para passagem de secreções. |
Quando os organoides de glândulas salivares poderão ajudar pacientes?
A aplicação mais imediata está na pesquisa científica. Os organoides oferecem modelos humanos para investigar a formação das glândulas, compreender alterações provocadas por doenças e avaliar a resposta de tecidos a medicamentos experimentais.
Os pesquisadores ainda precisam melhorar o amadurecimento das células e demonstrar que os implantes conseguem produzir saliva em quantidade suficiente, conectar-se aos ductos existentes e responder aos nervos que controlam a secreção. Também serão necessários estudos de segurança antes de qualquer aplicação clínica. O experimento representa um avanço na engenharia de tecidos, mas ainda não constitui um tratamento disponível para pessoas com boca seca crônica.
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