Um crânio de rinoceronte ficou enterrado em Creta por pelo menos 8 milhões de anos e ainda preservou três molares inteiros na mandíbula
Fóssil de rinoceronte com dois chifres encontrado na Grécia preserva três molares e revela novas pistas sobre a fauna do Mioceno tardio
Um rinoceronte de dois chifres que habitou a ilha de Creta há aproximadamente 8 a 8,5 milhões de anos deixou um registro surpreendente de sua existência. Paleontólogos encontraram parte de seu crânio fossilizado na região de Sitia, no leste da ilha grega, com três molares superiores intactos. O animal pertence à espécie Dihoplus pikermiensis, um grande mamífero do Mioceno tardio. Anunciada em setembro de 2026, a descoberta amplia o conhecimento sobre os animais que viviam na região e oferece novas pistas sobre os antigos ambientes terrestres do Mediterrâneo.
Como o crânio de rinoceronte foi encontrado em Creta?
A descoberta aconteceu durante pesquisas paleontológicas iniciadas em março de 2026 nas localidades de Magantze e Trapeza, dentro do Geoparque Mundial UNESCO de Sitia. Os pesquisadores identificaram uma nova área com ossos fossilizados preservados nos sedimentos.
Uma equipe da Universidade de Patras, coordenada pelo professor George Iliopoulos, retirou o material cuidadosamente, mantendo os fragmentos dentro de um bloco de sedimento. Depois, os especialistas transportaram o conjunto ao laboratório, onde realizaram a limpeza e a preparação que revelaram o crânio.
O que os três dentes do Dihoplus pikermiensis podem revelar?
A parte preservada do crânio contém três molares da arcada superior esquerda. Esses dentes são especialmente importantes porque sua forma, tamanho e padrões de desgaste ajudam a comparar espécies extintas de rinocerontes.
Os pesquisadores poderão investigar como o animal utilizava os dentes durante a alimentação. O desgaste também pode fornecer pistas sobre sua idade relativa, embora ainda não tenham sido divulgadas conclusões específicas sobre a dieta ou a idade do indivíduo encontrado.
Entre os principais dados confirmados estão:
- Identificação preliminar como Dihoplus pikermiensis;
- Idade estimada entre 8 e 8,5 milhões de anos;
- Preservação de aproximadamente metade do crânio;
- Três molares superiores esquerdos intactos;
- Escavações realizadas na região de Sitia;
- Pesquisa conduzida pela Universidade de Patras.
Por que o Dihoplus pikermiensis vivia na região de Creta?
O Dihoplus pikermiensis era um rinoceronte de grande porte, com dois chifres, que habitava a Eurásia ocidental durante o Mioceno tardio. A espécie integra a chamada fauna de Pikermi, conhecida por fósseis encontrados na Grécia continental e em outras regiões.
Sua presença em Creta indica que a região abrigava grandes mamíferos terrestres há milhões de anos. As conexões geográficas entre territórios do Mediterrâneo eram diferentes das atuais, mas o crânio não permite determinar qual caminho os ancestrais desses rinocerontes percorreram.
O que os cientistas descobriram sobre a idade do rinoceronte?
As informações divulgadas pelo Geoparque Mundial UNESCO de Sitia ajudam a contextualizar a descoberta em uma região de grande diversidade geológica. Segundo o paleontólogo George Iliopoulos, a identificação preliminar se baseou nas características anatômicas do crânio preservado.
A idade estimada, entre 8 e 8,5 milhões de anos, corresponde aproximadamente à de outro grande mamífero encontrado em Agia Fotia, na mesma região: o Deinotherium proavum, um parente extinto dos elefantes. Essa comparação ajuda a situar o rinoceronte no Mioceno tardio, mas não substitui estudos geocronológicos específicos.
Por que apenas metade do crânio conseguiu sobreviver?
A fossilização exige condições capazes de proteger os restos de organismos após a morte. Sedimentos podem cobrir os ossos, que passam por transformações físicas e químicas durante períodos extremamente longos.
No caso de Sitia, aproximadamente metade do crânio permaneceu preservada. A outra parte havia sido destruída pela erosão antes da recuperação. Mesmo incompleto, o material conserva características suficientes para sustentar a identificação preliminar e permitir futuras comparações.
| Característica | Informação do fóssil |
|---|---|
| Espécie | Dihoplus pikermiensis |
| Idade estimada | 8 a 8,5 milhões de anos |
| Local | Sitia, Creta, Grécia |
| Preservação | Metade do crânio e três molares superiores |
| Período geológico | Mioceno tardio |
Como a descoberta amplia os 300 milhões de anos de história de Sitia?
O Geoparque de Sitia reúne registros geológicos e paleontológicos de quase 300 milhões de anos. Entre eles estão vestígios de plantas do Carbonífero, organismos marinhos do Cretáceo, grandes mamíferos do Mioceno e animais insulares do Pleistoceno.
O novo rinoceronte acrescenta uma evidência importante sobre a fauna terrestre do Mioceno tardio, ainda pouco documentada na região. A descoberta também surpreendeu os pesquisadores por ocorrer em uma área costeira. Com a continuidade das escavações, outros fósseis poderão ajudar a reconstruir os ambientes que existiam no território de Creta muito antes de sua configuração atual.
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