Fim da 6×1: Moro não vota PEC e critica debate em período eleitoral
Senador diz que mudança na jornada exige debate amplo sobre impactos para trabalhadores, empresas e economia antes da votação
O senador Sergio Moro (União-PR) afirmou nesta quinta-feira, 15, que optou por não votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 por considerar inadequada a discussão de uma mudança na jornada de trabalho durante o período eleitoral.
Segundo ele, o tema tem impacto direto sobre trabalhadores, empresas e a economia e deveria ser debatido “com amplitude, profundidade e diálogo”.
“Sempre defendi que um tema tão sensível como a alteração da jornada de trabalho, com impactos diretos sobre trabalhadores, empresas e a economia, fosse discutido com amplitude, profundidade e diálogo. O período eleitoral não é o momento adequado para esse debate. Por esse motivo, optei por não votar a proposta da assim denominada PEC 6 por 1″, escreveu o parlamentar e governador eleito do Paraná, no X.
No primeiro turno de votação da PEC, na quarta-feira, 14, Moro e os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Marcio Bittar (PL-AC) não compareceram. Já o senador Ciro Nogueira (PP-PI) não registrou voto. No segundo turno, Moro, Marinho e Bittar não compareceram, e Dr. Hiran (PP-RR) não registrou voto.
O Senado aprovou a PEC na quarta. O texto foi capitaneado pelo governo Lula e será utilizado, agora, como trunfo eleitoral para o petista. A Emenda Constitucional será promulgada pelo Congresso.
Foram 75 votos a favor do texto em primeiro e segundo turnos. Houve apenas um voto contrário nos dois turnos: o do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
A PEC reduz a jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas, com a concessão obrigatória de dois dias de folga. Um deles aos domingos. O texto proíbe a redução de salários dos trabalhadores.
O texto sofreu resistência da oposição, que tentou atrasar ao máximo a votação. Mas integrantes de siglas como PL não conseguiram obstruir a sessão de quarta-feira.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), atribuiu a um “cálculo eleitoral” a mudança de posição da oposição em relação ao fim da escala 6×1.
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