Casal compra apartamento na planta, recebe as chaves e descobre que a vaga de garagem é presa, dependendo do vizinho para tirar o carro
Comprou na planta e a vaga de garagem é presa: Justiça já mandou construtora pagar R$ 10 mil por falta de informação
Receber as chaves e descobrir que a vaga de garagem é presa é uma frustração mais comum do que parece. O carro passa a depender do vizinho para sair. Quando a construtora não deixa isso claro na venda, o comprador tem direitos. Em 2022, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou uma construtora a pagar R$ 10 mil por danos morais a um comprador nessa situação. A empresa também terá de indenizar a desvalorização do imóvel.
O que é uma vaga de garagem presa no condomínio?
É a vaga que fica atrás de outra, de modo que um carro bloqueia a saída do outro. Ela também é chamada de vaga dependente ou vaga gaveta.
Esse tipo de vaga não é proibido. O problema surge quando o comprador não sabe disso antes de assinar o contrato. Quem tem vaga presa precisa combinar horários com o vizinho, deixar a chave na portaria ou esperar a outra pessoa manobrar. Na rotina, isso pesa bastante, principalmente para quem sai cedo ou trabalha em turnos.

A construtora é obrigada a informar que a vaga é presa?
É, segundo o Código de Defesa do Consumidor. O artigo 6º garante ao comprador informação adequada e clara sobre o produto. Já o artigo 30 diz que a publicidade suficientemente precisa passa a fazer parte do contrato.
No caso julgado pelo TJ-SP, o comprador achava que teria uma vaga exclusiva. Segundo a Conjur, uma perícia constatou bloqueio entre os veículos e, em alguns casos, falta de espaço para os carros. Os pontos principais da decisão foram estes:
- Os anúncios eram genéricos e não falavam em garagem coletiva.
- O contrato passava a impressão de direito irrestrito à vaga.
- A construtora foi condenada a pagar R$ 10 mil por danos morais.
- A desvalorização do imóvel também deverá ser indenizada.
A decisão foi unânime na 9ª Câmara de Direito Privado. Para o relator, a vaga de garagem adequada é um aspecto relevante na compra de um imóvel.
O que fazer ao descobrir que a vaga de garagem é presa?
O primeiro passo é reunir provas e conferir o que foi prometido na venda. Contrato, folhetos, anúncios e conversas com corretores ajudam a mostrar o que foi informado.
Depois, o caminho costuma seguir uma ordem. Veja as etapas mais comuns:
Não deixe para depois. O Código de Defesa do Consumidor prevê prazo de 90 dias para reclamar de problemas aparentes em produtos duráveis, contados a partir da entrega. Um advogado pode avaliar qual prazo se aplica ao seu caso.
Dá para conviver com a vaga presa sem brigar com o vizinho?
Dá, desde que haja combinação clara entre os dois moradores. Muitos deixam a chave na portaria ou trocam contatos para avisar quando vão sair.
Alguns combinados simples costumam funcionar bem entre vizinhos de vaga:
- Deixar uma cópia da chave do carro na portaria.
- Trocar telefones para avisar antes de sair.
- Estacionar sempre na mesma posição, de acordo com o horário de cada um.
- Registrar o acordo por escrito, para evitar mal-entendidos.

Também vale verificar se o condomínio permite trocar de vaga com outro morador ou alugar uma vaga livre de outro condômino. Antes de decidir entre negociar ou procurar seus direitos, os perfis abaixo ajudam:
• o contrato já dizia que a vaga era presa
• os horários de vocês combinam
• existe opção de troca no condomínio
• o anúncio prometia vaga livre
• a informação não aparecia no contrato
• a vaga não comporta o carro
Vale a pena conferir a vaga antes de comprar na planta?
Vale muito, porque um detalhe da garagem pode mudar a rotina da família por anos. Peça a planta do subsolo, confirme por escrito o tipo de vaga e guarde todos os anúncios. Se você já passou por isso, conte nos comentários como resolveu com o vizinho.
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