Ucrânia diz que empresa de Musk limitou Starlink em drones
Autoridades em Kiev relacionam a redução de velocidade a pressões políticas dos EUA; nenhum representante da SpaceX comentou
O governo da Ucrânia acusou a SpaceX, empresa de Elon Musk, de reduzir a velocidade de parte dos terminais Starlink usados no país, o que interrompeu missões com drones militares.
A denúncia foi feita nesta quarta-feira, 14, por autoridades em Kiev, que ligam a medida à posição dos Estados Unidos na guerra contra a Rússia. Segundo a agência AFP, um alto funcionário ucraniano afirmou que Washington também deixou de avisar sobre ataques russos iminentes.
Nem a Starlink nem Musk se manifestaram.
A acusação
Sergiy Beskrestnov, assessor de tecnologia do presidente Volodimir Zelenski, disse “esta noite, a SpaceX introduziu um limite de velocidade para os terminais Starlink em movimento”.
Segundo ele, os militares não foram informados: “Nossas forças de defesa não foram avisadas sobre essa restrição, o que levou à interrupção de várias missões”.
Beskrestnov atribuiu a medida ao contexto político: “Obviamente, essa ação não pode ser uma coincidência e está ligada à atual situação política”, disse.
Depois, afirmou que “nossos parceiros estão nos privando de uma das poucas chances que temos de defender o país dos drones Shahed movidos a jato”. Esses drones russos são mais rápidos e mais difíceis de interceptar que os modelos tradicionais.
Um funcionário do Ministério da Defesa ucraniano afirmou que as restrições complicam a logística e parte das operações com drones.
Pressão de Washington
Não está claro por que o serviço foi reduzido. A limitação ocorre quando os EUA pressionam Kiev a interromper ataques a refinarias de petróleo russas.
No domingo, 11, o presidente Donald Trump anunciou nas redes sociais um cessar-fogo energético entre os dois países. “Ambas as partes concordaram. Não o violem!”, escreveu. Não há sinais de que Ucrânia ou Rússia cumpram o acerto, nem de que o tenham negociado antes do anúncio.
O funcionário ucraniano que falou à AFP sob anonimato afirmou que “já houve dois casos em que os americanos não forneceram alertas sobre lançamentos de mísseis balísticos russos, incluindo um ataque balístico em massa contra nosso setor energético. E, além disso, reduziram a velocidade do Starlink”.
Ele acrescentou: “Algumas restrições já estavam sendo relatadas no início da noite de ontem [terça-feira]. Portanto, na prática, isso está acontecendo em sincronia com o ataque balístico russo desta manhã”.
Uso militar do Starlink
O ministro do Exterior da Polônia, Radoslaw Sikorski, questionou Musk sobre se ele estaria “fazendo política” com o Starlink na Ucrânia. A Polônia diz pagar a assinatura usada por Kiev.
O sistema opera no país desde os primeiros dias da invasão russa, em 2022. Resistente a interferências eletrônicas, tornou-se a principal rede de comunicação das tropas ucranianas.
Os terminais também orientam drones de longo alcance nas áreas ocupadas do sul e do leste e controlam hexacópteros que levam suprimentos à linha de frente.
Em agosto, Zelenski disse que Kiev buscava uma alternativa ao Starlink com um país europeu, cujo nome não foi divulgado.
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