Trump anuncia exploração de petróleo na Groenlândia
Presidente americano fala em extração em larga escala no território dinamarquês, que proíbe novas atividades petrolíferas desde 2021
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira, 14, que seu governo prepara o início da extração de petróleo, gás e minerais na Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. O anúncio foi feito na rede Truth Social.
Autoridades groenlandesas e dinamarquesas afirmam que as regras locais limitam a atividade e que qualquer projeto levaria anos para funcionar.
“A exploração em massa de petróleo, gás e minerais está se preparando para começar em nossa nova e bela Groenlândia!”, escreveu Trump. Ele também classificou a ilha como peça de segurança para os EUA e a Europa.
Segundo Trump, há especialistas que avaliam que as reservas de petróleo de fácil acesso na ilha são maiores do que as de quase qualquer outro território.
Sobre defesa, afirmou que “qualquer ataque futuro contra os Estados Unidos terá que passar pela Groenlândia, onde nossa Defesa derrubará sistematicamente drones, mísseis ou qualquer outra forma de armamento ainda não concebida. Isso nos dá tempo, localização e campo de visão como nenhum outro lugar no mundo!”.
Acordo e restrições legais
A mensagem surgiu três semanas depois de EUA, Dinamarca e Groenlândia assinarem, à margem da Assembleia Geral da ONU, um acordo de segurança. O texto autoriza a presença militar permanente americana e veta o acesso de Rússia e China. Também respeita a soberania dinamarquesa e o direito de autodeterminação groenlandês.
O pacto não dá aos EUA direitos especiais de exploração, embora mencione “cooperação” em minerais e desenvolvimento econômico. Em 2021, a Groenlândia proibiu a mineração de urânio e toda exploração futura de petróleo.
O governo local analisa se a Greenland Energy, empresa do Texas, pode usar licenças obtidas antes da proibição. Em agosto, a companhia disse planejar perfurações em 2027 numa bacia inexplorada na costa leste, mas não tinha a licença necessária. A antiga proprietária, a ARCO, fez estudos sísmicos na década de 1970 e nunca perfurou.
Reações
O vice-ministro da Mineração da Groenlândia, Jorgen Hammeken-Holm, disse à CNN que empresas americanas exploram recursos na ilha, mas que “estamos muito longe de uma exploração em massa”. Segundo ele, os projetos são pequenos e podem levar anos para operar.
A deputada Naaja H. Nathanielsen, que representa a Groenlândia no parlamento dinamarquês, disse à agência Associated Press que não se surpreendeu: “Essa é apenas a maneira como o presidente decide interagir”.
Para ela, o alvo da mensagem são os eleitores americanos preocupados com o preço da gasolina, às vésperas das eleições de meio de mandato: “Não haverá barris de petróleo groenlandeses disponíveis em um futuro próximo”.
O consultor dinamarquês Jacob Kaarsbo, especialista em política de segurança, disse à Reuters que “é extremamente perigoso encarar esse acordo entre a administração Trump e a Dinamarca como algo que tenha mudado as intenções de Trump”.
O Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca respondeu que, se os EUA quiserem explorar o subsolo groenlandês, terão de seguir as leis do território.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)