A casquinha de sorvete já aparecia em um livro de receitas de 1888, mas uma feira em 1904 ajudou a transformar a ideia em fenômeno popular
Receita britânica de 1888 e registros anteriores à Feira de St. Louis mostram que a origem da casquinha envolve vários personagens e invenções
Muito antes de se tornar presença obrigatória nas sorveterias, a casquinha de sorvete já aparecia nas páginas de um livro de culinária britânico. Em 1888, a cozinheira Agnes Marshall publicou uma receita de cones comestíveis que podiam receber creme, sorvete ou sobremesas geladas. Entretanto, foi durante a Feira Mundial de St. Louis, em 1904, que a combinação ganhou enorme visibilidade nos Estados Unidos. A história envolve diferentes cozinheiros, comerciantes e inventores, contrariando a versão popular de que uma única pessoa criou a casquinha durante um episódio improvisado.
Como a casquinha de sorvete apareceu em um livro publicado em 1888?
Agnes Bertha Marshall era uma cozinheira e empresária britânica conhecida por suas experiências com sobremesas geladas. Em seu livro Mrs. A. B. Marshall’s Cookery Book, publicado em 1888, apresentou uma preparação chamada Cornets with Cream, formada por cones comestíveis que podiam receber diferentes recheios.
A massa utilizava ingredientes como farinha e amêndoas moídas, resultando em uma estrutura delicada e crocante. Marshall sugeria recheios como creme, sorvete e frutas. A receita demonstra que a ideia de utilizar um recipiente comestível para sobremesas geladas existia pelo menos 16 anos antes da famosa exposição americana.
Por que a casquinha de sorvete ficou famosa durante a feira de 1904?
A Exposição Universal de St. Louis, realizada no Missouri, reuniu mais de 19 milhões de visitantes entre abril e dezembro de 1904. Barracas de alimentos ofereciam diferentes preparações, criando oportunidades para comerciantes apresentarem novidades ao público.
Uma das histórias mais conhecidas envolve Ernest Hamwi, imigrante sírio que vendia uma espécie de waffle fino. Segundo seu relato posterior, ele teria enrolado a massa para ajudar um vendedor de sorvetes que estava sem recipientes. Entretanto, outros participantes também reivindicaram a criação.
Entre os nomes associados à história estão:
- Agnes Marshall, que publicou uma receita em 1888;
- Italo Marchiony, que patenteou um molde em 1903;
- Ernest Hamwi, comerciante presente na feira de 1904;
- Abe Doumar, associado à fabricação de cones enrolados;
- Charles Menches, citado em outra versão da invenção.
O vídeo The surprising history of the ice cream cone and a World’s Fair!, do canal Parks and Expos, examina especificamente a história da casquinha na Exposição Universal de 1904.
Por que é difícil identificar quem realmente inventou a casquinha?
A dificuldade começa porque diferentes versões da invenção surgiram ao longo das décadas. Muitos relatos foram registrados anos depois da feira, quando a casquinha já era comercialmente conhecida. Isso dificulta determinar quem realizou primeiro determinada combinação.
Além disso, recipientes comestíveis e massas enroladas existiam anteriormente. O mérito histórico pode envolver diferentes acontecimentos: criar uma receita, fabricar um molde, vender cones em grande escala ou popularizar seu consumo. Essas realizações não precisam ter pertencido à mesma pessoa.
O que os registros históricos mostram sobre a invenção da casquinha?
Segundo o Museu Nacional de História Americana do Smithsonian, a receita de Marshall constitui um dos primeiros registros conhecidos de cones comestíveis para sobremesas geladas. A instituição também documenta uma patente concedida a Italo Marchiony em 1903 para um molde destinado à fabricação de recipientes comestíveis.
Essas evidências mostram que a casquinha não surgiu repentinamente em St. Louis. A feira desempenhou principalmente um papel de popularização, aproximando vendedores e consumidores. A combinação entre sorvete e massa crocante ganhou visibilidade comercial, mas os registros disponíveis não permitem atribuir sua criação definitiva a um único inventor.

Como a casquinha mudou a maneira de vender sorvetes?
Antes da popularização dos cones, vendedores frequentemente utilizavam copos e pequenos recipientes de vidro reutilizáveis. Alguns modelos, conhecidos como penny licks, circulavam entre diferentes consumidores e podiam apresentar problemas de higiene.
A casquinha comestível oferecia uma alternativa prática. O cliente podia caminhar enquanto consumia a sobremesa, sem precisar devolver o recipiente ao comerciante. Essa conveniência favoreceu sua presença em feiras, praias, parques e pontos de venda ambulantes.
| Ano | Marco histórico |
|---|---|
| 1888 | Agnes Marshall publica a receita Cornets with Cream. |
| 1894 | Marshall apresenta outras receitas com cones comestíveis. |
| 1903 | Italo Marchiony recebe patente de um molde. |
| 1904 | Feira de St. Louis populariza a casquinha nos Estados Unidos. |
| Século XX | Produção industrial amplia sua comercialização. |
Como a casquinha de sorvete se transformou em um produto mundial?
Depois da exposição de 1904, comerciantes passaram a utilizar equipamentos capazes de produzir cones com maior regularidade. Abe Doumar ficou associado à fabricação de casquinhas enroladas e posteriormente desenvolveu negócios dedicados à venda de sorvetes.
A mecanização, a expansão das sorveterias e os avanços da refrigeração ajudaram a espalhar o produto. A história mostra uma inovação construída em diferentes etapas, envolvendo receitas anteriores, equipamentos e oportunidades comerciais. Mais do que apontar um inventor definitivo, os documentos permitem compreender como uma ideia já conhecida se transformou em um alimento popular em diversos países.
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