Uma estudante de ensino médio colocou aranhas em órbita para descobrir se elas conseguiriam construir teias sem sentir o próprio peso
Experimento proposto por Judith Miles levou duas aranhas à estação Skylab em 1973 e revelou sua capacidade de construir teias em microgravidade
Em 1973, duas aranhas viajaram até a primeira estação espacial dos Estados Unidos para responder a uma pergunta formulada por uma adolescente de 17 anos. A estudante Judith Miles queria descobrir se esses animais conseguiriam construir teias sem utilizar a gravidade como referência. A NASA aprovou a proposta e enviou Arabella e Anita à estação Skylab. O experimento das aranhas no espaço revelou que os animais inicialmente produziram estruturas irregulares, mas conseguiram construir teias organizadas depois de alguns dias. A experiência mostrou como comportamentos desenvolvidos na Terra podem funcionar em condições completamente diferentes.
Como Judith Miles conseguiu enviar aranhas para o espaço?
Judith Miles estudava em uma escola de Lexington, no estado americano de Massachusetts, quando participou de uma iniciativa da NASA destinada a selecionar experimentos científicos propostos por estudantes. Inspirada por uma reportagem da revista National Geographic sobre o comportamento das aranhas, decidiu investigar a influência da gravidade na construção das teias.
A proposta recebeu o nome Web Formation in Zero Gravity. Cientistas do Marshall Space Flight Center ajudaram a desenvolver um equipamento que permitiria observar os animais em órbita. A experiência foi incorporada à missão Skylab 3, que começou em 28 de julho de 1973.
O que aconteceu quando as aranhas no espaço tentaram construir suas primeiras teias?
As aranhas escolhidas pertenciam à espécie Araneus diadematus, conhecida pelas teias circulares que constrói. Arabella e Anita foram colocadas em um compartimento experimental, onde astronautas acompanharam seus movimentos e registraram imagens das estruturas produzidas.
As primeiras tentativas foram desorganizadas. Arabella apresentou dificuldades para se orientar e começou construindo uma teia irregular. Entretanto, com o passar dos dias, conseguiu produzir uma estrutura muito mais próxima daquelas observadas na Terra.
As principais observações incluíram:
- Dificuldade inicial de orientação em microgravidade;
- Construção de teias incompletas nas primeiras tentativas;
- Melhora gradual na distribuição dos fios;
- Produção de seda mais fina em determinadas regiões;
- Formação posterior de teias com padrões reconhecíveis.
O vídeo NASA Put Spiders in Zero Gravity. Then Something Strange Happened, publicado pelo canal Oddly Proven em setembro de 2026, apresenta especificamente o experimento de Judith Miles com Arabella e Anita.
Por que as aranhas dependem da gravidade para construir suas teias?
Na Terra, aranhas construtoras de teias circulares utilizam diferentes referências para organizar seus movimentos. A gravidade ajuda na orientação vertical e influencia a maneira como distribuem os fios e se deslocam pela estrutura.
Em microgravidade, essas referências deixam de funcionar da maneira habitual. Mesmo assim, o experimento mostrou que os animais conseguiam adaptar parte de seu comportamento. Isso não significa que a ausência de gravidade não tenha provocado alterações, mas demonstra que a construção das teias não depende exclusivamente dela.
O que a NASA descobriu ao comparar as teias feitas na Terra e em órbita?
Segundo o registro histórico publicado pela NASA sobre o experimento de Judith Miles, as observações confirmaram que aranhas conseguem produzir teias em microgravidade. O projeto também investigou como mudanças ambientais poderiam afetar respostas motoras relacionadas ao funcionamento do sistema nervoso.
As fotografias permitiram comparar características como a quantidade de fios radiais, o espaçamento entre espirais e a organização da região central. Os registros indicaram que as teias espaciais podiam apresentar diferenças de espessura, embora mantivessem padrões semelhantes aos produzidos na Terra.

Quais detalhes tornam essa experiência espacial tão importante?
A missão Skylab 3 durou 59 dias, entre 28 de julho e 25 de setembro de 1973. Durante esse período, os astronautas Alan Bean, Jack Lousma e Owen Garriott realizaram diferentes experimentos científicos, incluindo o acompanhamento das duas aranhas.
Arabella e Anita não sobreviveram até o retorno à Terra. Seus corpos foram preservados e transferidos posteriormente ao Smithsonian, juntamente com materiais associados à experiência. Atualmente, esses registros integram a história das pesquisas biológicas espaciais.
| Característica | Informação histórica |
|---|---|
| Estudante responsável | Judith Miles, 17 anos |
| Missão espacial | Skylab 3, em 1973 |
| Espécie estudada | Araneus diadematus |
| Aranhas participantes | Arabella e Anita |
| Principal resultado | Construção de teias em microgravidade |
Como o experimento das aranhas influenciou pesquisas espaciais posteriores?
A experiência mostrou que organismos pequenos podem oferecer informações valiosas sobre adaptação comportamental em ambientes espaciais. Em vez de avaliar apenas a sobrevivência dos animais, os pesquisadores observaram como uma atividade complexa mudava diante da ausência de uma referência ambiental importante.
Décadas depois, novos experimentos com aranhas na Estação Espacial Internacional aprofundaram a investigação. Estudos posteriores indicaram que a iluminação pode ajudar esses animais a se orientar quando a gravidade não oferece sua referência habitual. Assim, uma pergunta formulada por uma estudante ajudou a abrir caminho para pesquisas sobre comportamento animal, orientação espacial e adaptação à microgravidade.
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