Um túmulo egípcio apareceu quando arqueólogos limpavam entulho para evitar enchentes: pinturas de 3 mil anos ainda cobriam suas paredes
Escavações para proteger a necrópole de Luxor contra enxurradas revelaram uma sepultura do período raméssida com pinturas de Paser e sua esposa
Uma equipe de arqueólogos trabalhava para proteger monumentos antigos contra enxurradas quando encontrou a entrada de uma sepultura desconhecida perto de Luxor, no Egito. A descoberta revelou um túmulo egípcio de aproximadamente 3 mil anos, com pinturas coloridas mostrando um funcionário chamado Paser, sua esposa e cenas de oferendas aos deuses. Anunciado em julho de 2026, o achado ocorreu na necrópole de Sheikh Abd el-Qurna, onde pesquisadores tentam impedir que chuvas intensas destruam construções milenares. O trabalho de conservação acabou revelando informações sobre a vida e as crenças da elite egípcia.
Como um túmulo egípcio apareceu durante uma obra contra enchentes?
A descoberta aconteceu na margem ocidental do rio Nilo, em uma região situada aos pés das montanhas de Tebas. O terreno recebe enxurradas repentinas durante episódios de chuva intensa, capazes de transportar sedimentos e danificar monumentos antigos.
Desde 2018, uma missão arqueológica liderada pela egiptóloga Carina van den Hoven, da Universidade de Leiden, trabalha na proteção dessa área. Durante a remoção controlada de entulho e a escavação de caminhos para desviar a água, os pesquisadores encontraram uma estrutura funerária que ainda não havia sido documentada.
O que os arqueólogos encontraram dentro do túmulo egípcio?
A equipe identificou uma construção típica dos sepultamentos da elite durante o Império Novo. O conjunto possui um pátio externo, uma capela escavada diretamente na rocha e câmaras funerárias subterrâneas.
Dentro da capela, pinturas preservadas mostram o proprietário venerando divindades egípcias. Outra cena apresenta o homem sentado ao lado da esposa diante de uma mesa com alimentos, flores e bebidas, elementos associados às crenças sobre a continuidade da vida após a morte.
Entre as estruturas identificadas estão:
- Pátio externo com elementos arquitetônicos preservados;
- Plataforma de tijolos de barro com nicho para uma estela funerária;
- Escadaria acompanhada por rampas laterais;
- Capela escavada na rocha com pinturas religiosas;
- Câmaras subterrâneas destinadas aos sepultamentos.
Quem era Paser e por que suas pinturas chamaram tanta atenção?
As inscrições permitiram identificar o principal proprietário como Paser, um funcionário da sociedade egípcia. Entretanto, seu cargo exato, sua trajetória e as identidades de outras pessoas enterradas no local ainda precisam ser investigados.
As representações religiosas indicam que a sepultura pertence ao período raméssida, aproximadamente entre 1292 e 1069 a.C., durante as dinastias XIX e XX. A decoração conserva informações sobre crenças funerárias e sobre a posição social dos indivíduos que podiam construir monumentos elaborados.
Por que os pesquisadores consideram essa descoberta importante para a história de Luxor?
Em um relato publicado pela diretora da escavação, Carina van den Hoven, em agosto de 2026, a pesquisadora explicou que a equipe desconhecia as condições internas da sepultura antes de entrar. Não havia certeza sobre possíveis desabamentos, saques antigos ou a preservação das pinturas.
O achado também poderá esclarecer como famílias e funcionários egípcios escolhiam os locais de sepultamento. Os arqueólogos investigam a relação entre construções raméssidas e túmulos mais antigos, especialmente aqueles da XVIII Dinastia, que podem ter influenciado a organização da necrópole.
Quais características ajudam a entender a idade e a importância da sepultura?
A necrópole tebana ocupa uma extensa área funerária na margem ocidental do Nilo. Durante aproximadamente cinco séculos, recebeu sepultamentos de reis, sacerdotes e integrantes da elite administrativa.
O novo monumento preserva elementos arquitetônicos e decorativos que ajudam a situá-lo historicamente. Entretanto, os pesquisadores distinguem a data provável da decoração da história completa de construção, utilização e possível reutilização do espaço.
| Característica | Informação arqueológica |
|---|---|
| Localização | Sheikh Abd el-Qurna, Luxor. |
| Idade aproximada | 3 mil anos. |
| Período das pinturas | Raméssida, entre 1292 e 1069 a.C. |
| Proprietário identificado | Funcionário chamado Paser. |
| Decoração preservada | Divindades e cenas de oferendas. |
Como as enchentes ameaçam as pinturas de 3 mil anos?
As enxurradas podem transportar grandes volumes de água e sedimentos para o interior dos túmulos. A umidade também favorece a movimentação de sais presentes nos materiais, provocando cristalização, desprendimento de pigmentos e deterioração das superfícies decoradas.
Os especialistas pretendem continuar a limpeza e a documentação das pinturas, removendo cuidadosamente as camadas de sujeira que ainda escondem detalhes. A descoberta reforça a importância de proteger a necrópole contra novos episódios de inundação. Ao mesmo tempo, mostra que intervenções planejadas para conservar monumentos conhecidos podem revelar sepulturas que permaneceram desconhecidas durante milhares de anos.
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