A herança maldita de Moraes
Debate sobre desinformação se sofisticou de uma eleição para a outra, após as fake news dos lulistas também passarem a ser alvo de sanções
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) batem cabeça na inglória missão autoimposta de controlar as fake news na eleição deste ano. Era tudo mais fácil nas eleições de 2022 e 2024, quando apenas um ministro decidia e os outros acatavam suas ordens.
O Supremo Tribunal Federal (STF) resolveu fazer do combate à desinformação seu cavalo de batalha em 2019, e o inquérito das fake news foi usado por mais de sete anos para combater até verdades inconvenientes para os ministros do tribunal, como no caso da censura de Crusoé.
A herança maldita desse período começou a ser sentida na eleição deste ano. Quando os ministros do TSE começaram a prestar atenção às mentiras contadas por mais candidatos, especialmente os apoiadores de Lula, o debate sobre o que é desinformação ficou mais complexo.
Censura prévia
Quem costumava apoiar as decisões de Alexandre de Moraes (ao centro na foto), que chegou a bloquear uma rede social inteira por 40 dias durante a eleição municipal de 2024, passou a enxergar censura prévia no bloqueio do canal de WhatsApp administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para Lula.
Depois do cínico debate sobre a fake news de Nossa Senhora Aparecida, a desinformação só se configura se o nome do afetado por mencionado diretamente, por mais maliciosa que seja a postagem de quem evidentemente está tentando disseminar a desinformação.
A estrutura de monitoramento deixada por Moraes no TSE não serve mais. Isso poderia ser enxergado como uma evolução, não fosse a evidente inclinação político-partidária dos ministros em cada uma das decisões ao longo desta eleição, a começar pela suspensão de uma pesquisa eleitoral pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro.
Liberdade de expressão
Boa parte do país apoiou o malandro combate à desinformação liderado por Moraes porque foi convencido de que o risco representado por Jair Bolsonaro valia abrir mão de parte da liberdade de expressão, mas claramente isso se limitava à expressão de um grupo específico.
Os lulistas disseminam, no momento, desinformação escancarada sobre os dados econômicos do trágico governo Lula, que destroça as contas públicas, promessa após promessa irresponsável, na tentativa de se manter no poder, às custas do futuro do país.
Que essas pessoas possam publicar suas mentiras nas redes sociais e serem ridicularizadas por elas, sem a interferência de autoridades que se prestam a fazer parte do jogo político. Quando isso ocorrer, talvez a herança maldita deixada por Moraes tenha valido a pena.
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