Com 194 anos, tartaruga gigante revela o segredo da longevidade: partes do DNA são como as de uma tartaruga de 5 anos
O material genético pode ajudar a explicar por que esses animais envelhecem tão lentamente
Uma tartaruga gigante que já vivia antes da construção da Torre Eiffel continua despertando a curiosidade dos cientistas. Com idade estimada em 194 anos, a tartaruga gigante Jonathan passou por uma análise genética que encontrou sinais de juventude em partes do funcionamento de suas células. O estudo, publicado em outubro de 2026, mostrou que determinadas regiões do DNA permanecem organizadas de maneira semelhante às encontradas em tartarugas muito mais jovens.
Quem é Jonathan, a tartaruga que chegou aos 194 anos?
Jonathan é uma tartaruga gigante que vive na ilha de Santa Helena, no oceano Atlântico, território britânico localizado entre a África e a América do Sul. O Guinness World Records reconhece Jonathan como o animal terrestre vivo mais velho conhecido.
Seu nascimento é estimado em 1832. A idade foi calculada porque Jonathan já era considerado um animal adulto quando chegou à ilha, em 1882. Na época, ele tinha pelo menos 50 anos, o que significa que sua idade real pode ser ainda maior.
O animal vive nos jardins de Plantation House, residência oficial do governador da ilha. Mesmo com a visão prejudicada pela idade e o olfato reduzido, continua se alimentando e recebendo cuidados de uma equipe veterinária.

O que os cientistas encontraram no DNA da tartaruga gigante?
Os pesquisadores descobriram que determinadas regiões do DNA de Jonathan apresentam sinais de organização preservada, mesmo depois de quase dois séculos de vida. O estudo publicado na revista Science Advances analisou o material genético da tartaruga e comparou os resultados com os de outros animais.
A equipe estudou duas características diferentes. A primeira foi a sequência do DNA, que contém as instruções usadas pelas células. A segunda foi a forma como certas marcas químicas ajudam a controlar a atividade dessas instruções ao longo da vida.
Essas marcas fazem parte de um processo chamado epigenética. Elas ajudam a regular quais genes estão mais ativos ou menos ativos, sem precisar mudar a sequência original do DNA.
Como o DNA de uma tartaruga de 194 anos pode lembrar o de outra de 5 anos?
O estudo comparou Jonathan com 4 tartarugas gigantes da mesma espécie, incluindo um animal jovem de apenas 5 anos. Os pesquisadores observaram mudanças ligadas ao envelhecimento em grande parte do material genético de Jonathan, mas encontraram regiões que conservaram um padrão mais estável.
Essas regiões estão ligadas a processos importantes para o funcionamento das células, especialmente a produção de energia. A análise sugere que a organização dessas marcas químicas pode ajudar certos genes a continuar funcionando de maneira regular durante muitos anos.
O resultado envolve três pontos importantes:
- DNA com sinais de envelhecimento: muitas regiões apresentam mudanças acumuladas ao longo da vida, como seria esperado em um animal tão velho.
- Regiões mais preservadas: partes ligadas à produção de energia apresentam menor desorganização nas marcas químicas que controlam os genes.
- Comparação com animais jovens: o estudo identificou diferenças entre Jonathan e as tartarugas mais novas, incluindo uma com apenas 5 anos.
Isso não significa que Jonathan tenha o DNA inteiro de uma tartaruga jovem. A descoberta envolve regiões específicas e a forma como seus genes são controlados, não uma ausência completa de envelhecimento.
O que essas características podem explicar sobre a longevidade?
As descobertas sugerem que a tartaruga pode ter preservado mecanismos importantes para produzir energia e manter suas células funcionando. A empresa Igenbio, que participou da análise genética, informou que Jonathan possui variações em genes ligados à manutenção do DNA, ao metabolismo e à proteção das células.
Um dos pontos observados envolve as mitocôndrias, pequenas estruturas que ajudam as células a produzir a energia necessária para suas atividades. Se os genes relacionados a esse processo permanecem bem regulados, as células podem conseguir manter algumas funções por mais tempo.
Os pesquisadores também identificaram características relacionadas a outros mecanismos:
- Reparo do DNA: processos que ajudam a corrigir danos no material genético.
- Proteção dos cromossomos: mecanismos ligados à manutenção das estruturas que carregam o DNA.
- Controle do metabolismo: regulação de atividades necessárias para produzir e utilizar energia.
- Manutenção celular: processos que ajudam a lidar com componentes desgastados ou danificados.
Essas características são consideradas possíveis pistas para explicar a longa vida de Jonathan. Os testes ainda não demonstraram que uma delas, sozinha, seja responsável por sua idade.

A descoberta pode ajudar os cientistas a estudar o envelhecimento humano?
O estudo pode contribuir para pesquisas sobre como diferentes espécies envelhecem, especialmente na investigação dos processos que mantêm as células funcionando durante períodos muito longos. Humanos também possuem mitocôndrias e mecanismos de reparo do DNA, embora as espécies apresentem diferenças importantes.
Os cientistas ainda precisam verificar se as características encontradas em Jonathan aparecem em outras tartarugas longevas. A comparação envolveu poucos animais, e os resultados não permitem concluir que o mesmo funcionamento celular possa ser reproduzido em pessoas.
Por que Jonathan continua sendo tão importante para a ciência?
Jonathan oferece uma oportunidade rara de estudar um animal que permaneceu vivo durante quase dois séculos. O Governo de Santa Helena confirmou em 2026 que a tartaruga continuava vivendo em Plantation House, sob acompanhamento da equipe local.
O próximo desafio científico será compreender melhor a relação entre as características genéticas observadas e a capacidade de permanecer saudável durante tanto tempo. A descoberta mostra que diferentes partes das células podem envelhecer de maneiras distintas, abrindo novas perguntas sobre os mecanismos que sustentam a longevidade.
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