Após 75 anos, multinacional francesa fecha sua única fábrica no Brasil e leva toda a produção para fora do país
Após 75 anos, fábrica da Isover, do grupo francês Saint-Gobain, encerra produção em São Paulo: acordo com o MP motivou o fechamento
A fábrica de lã de vidro da Isover, marca do grupo francês Saint-Gobain, encerrou a produção em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. A unidade funcionava desde 1951. O fechamento foi resultado de um acordo com o Ministério Público de São Paulo. Antes disso, vizinhos reclamaram por anos de fumaça, fuligem, cheiro e barulho. A empresa diz que continua atuando no Brasil.
Por que a fábrica da Isover em São Paulo foi fechada?
Foi fechada por causa de um Termo de Ajustamento de Conduta, o TAC, assinado com o Ministério Público em dezembro de 2025. O acordo previa o fim da produção industrial no local.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, moradores da região reclamavam de poluição e incômodos causados pela fábrica. A Cetesb, agência ambiental do estado, também havia aplicado multas à unidade.
O TAC é um instrumento usado pelo Ministério Público para resolver conflitos sem levar o caso a uma longa disputa judicial. A empresa se compromete a cumprir obrigações dentro de um prazo, sob pena de multa.
O TAC fixou multa de R$ 10 mil por dia de atraso caso a produção não fosse encerrada no prazo. A última produção ocorreu em 4 de julho de 2026. As principais queixas dos moradores eram estas:
- Fumaça saindo da chaminé da fábrica.
- Fuligem depositada em casas e carros da vizinhança.
- Cheiro forte no entorno da unidade.
- Barulho das operações industriais.

Como foi a trajetória da fábrica em Santo Amaro?
A fábrica começou a funcionar em 1951. Ao longo de 75 anos, produziu lã de vidro, material usado no isolamento térmico e acústico de casas, prédios e indústrias.
Nos últimos anos, a convivência com a vizinhança se tornou o principal problema da unidade. A linha do tempo resume os principais momentos:
A Isover vai deixar o Brasil depois do fechamento?
Não, segundo a própria empresa. Em nota publicada pelo Metrópoles, a Isover afirmou: “Importante reforçar que a Isover continuará atuando no Brasil”.
De acordo com a nota, “a Unidade Fabril passará a operar como um Centro de Distribuição”. A empresa diz que o mercado será abastecido a partir de outras unidades, sem detalhar onde elas ficam.
Parte da imprensa afirma que a marca passará a importar todos os produtos, mas essa informação não foi confirmada pela empresa. A nota não cita importação. O grupo Saint-Gobain tem outras fábricas no Brasil, de diferentes marcas e segmentos.

O que muda para os trabalhadores e para o bairro?
Para os trabalhadores, o fim da produção significa a perda de postos ligados à fábrica. O jornal O Povo fala em cerca de 100 empregos diretos e 50 indiretos, número que não foi confirmado pela empresa. Até agora, a Isover não divulgou um balanço oficial de vagas afetadas.
Para os moradores, a expectativa é de menos fumaça e barulho no entorno. A transformação do local em centro de distribuição mantém a empresa no bairro, mas sem os fornos industriais. As principais mudanças previstas são estas:
- Fim da produção industrial no terreno.
- Uso do espaço como centro de distribuição.
- Abastecimento do mercado a partir de outras unidades.
- Cumprimento do acordo fiscalizado pelo Ministério Público.
Ministério Público de São Paulo
O fechamento da Isover encerra a história da marca no país?
Não encerra, porque a empresa segue vendendo no Brasil a partir de outras unidades. O caso mostra como a convivência entre indústria e cidade pode mudar o destino de uma fábrica histórica. Você mora perto de alguma indústria que incomoda o bairro? Conte para a gente nos comentários.
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