306 km de duplicações, 239 acessos e 42 passarelas vão transformar um corredor de 653 km que atravessa o interior e chega a uma das maiores capitais do Nordeste
O projeto promete mudar a circulação em um dos principais corredores rodoviários da região
Uma extensa ligação rodoviária atravessa o interior da Bahia, passa por Feira de Santana e chega à região metropolitana de Salvador. O projeto da Rota 2 de Julho prevê modernizar esse corredor de 653,3 km com 306,6 km de duplicações, 239 acessos e 42 passarelas. A concessão, ainda em fase de licitação, reúne investimentos estimados em R$ 14,33 bilhões para ampliar a capacidade das estradas e melhorar as condições de circulação.
Onde fica a Rota 2 de Julho, que será modernizada na Bahia?
A Rota 2 de Julho reúne trechos das rodovias BR-116 e BR-324, formando um corredor que conecta a divisa entre Bahia e Minas Gerais à região de Salvador.
Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a BR-116 integra o percurso entre o interior baiano e Feira de Santana. A BR-324 completa a ligação principal até Salvador.
Essas estradas recebem viagens entre cidades, caminhões de cargas e veículos usados nos deslocamentos regionais. A modernização pretende separar melhor os fluxos e aumentar a capacidade dos trechos que hoje apresentam limitações.

Como serão feitos os 306 km de duplicações?
As duplicações consistem na construção ou adequação de pistas para separar veículos que circulam em sentidos opostos. O objetivo é ampliar o espaço de passagem e reduzir a dependência da faixa contrária nas ultrapassagens.
O projeto da Rota 2 de Julho prevê 306,6 km de novas duplicações e mais 1,17 km de adequação de trechos duplicados. São intervenções diferentes, contabilizadas separadamente na documentação da concessão.
Também haverá ampliações onde não está prevista uma segunda pista completa. Nesses pontos, faixas adicionais poderão criar espaço para ultrapassagens ou organizar o tráfego de veículos com velocidades diferentes.
As principais melhorias de capacidade incluem:
- 63,7 km de faixas adicionais em pista simples: ampliação localizada sem duplicação integral.
- 192 km de faixas adicionais em pista dupla: aumento do número de faixas em segmentos já duplicados.
- 35,9 km de vias marginais: caminhos paralelos para organizar acessos e deslocamentos locais.
- 239 acessos: intervenções para conectar propriedades, localidades e vias ao corredor principal.
Quem acompanha o desenvolvimento das estradas da Bahia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal ROTAS DO NORDESTE, que conta com mais de 15 mil visualizações, onde Rodrigo Nogueira mostra as obras de duplicação da BR-116 em Feira de Santana:
Por que o projeto prevê 42 passarelas para pedestres?
As 42 passarelas foram previstas para criar travessias separadas do fluxo de automóveis e caminhões. Esse tipo de estrutura é especialmente relevante onde áreas habitadas ficam próximas de rodovias movimentadas.
O plano também contempla 328 pontos de ônibus, indicando a necessidade de atender deslocamentos locais ao longo do corredor.
As passarelas não terão a função de ampliar a pista, mas de permitir a passagem de pedestres em locais planejados. Sua implantação precisa ser acompanhada de acessos adequados para quem utiliza o transporte coletivo.
Outras intervenções rodoviárias no Nordeste também procuram integrar regiões antes separadas por obstáculos naturais. É o caso da ponte de 1,18 km sobre o Rio São Francisco entre Alagoas e Sergipe, projetada para criar uma ligação fixa entre duas margens.
Como funcionará o pedágio eletrônico na Rota 2 de Julho?
O projeto prevê a cobrança pelo sistema free flow, no qual os veículos passam por pórticos de identificação sem precisar parar em cabines convencionais de pedágio.
O edital de concessão nº 3/2026 da ANTT formaliza o processo de contratação do corredor rodoviário.
Segundo a modelagem divulgada pela agência, serão instalados 12 pórticos no primeiro ano da concessão, sendo dois na BR-324 e dez na BR-116.
A cobrança poderá utilizar a identificação eletrônica dos veículos, com alternativas de pagamento avulso. O valor efetivo dependerá do resultado do leilão e das regras contratuais aplicáveis.
Quanto será investido na modernização das estradas baianas?
O plano prevê R$ 14,33 bilhões em investimentos ao longo do contrato de 30 anos, com uma parcela maior concentrada na fase inicial. Desse total, R$ 10,52 bilhões estão previstos para os oito primeiros anos.
O valor representa o investimento projetado para a concessão, e não um gasto que já tenha sido executado nas rodovias.
A modelagem também considera custos de operação, conservação e atendimento aos usuários. Esses recursos são diferentes das despesas necessárias para abrir pistas, construir passarelas e instalar equipamentos.
O Tribunal de Contas da União analisou a proposta antes da publicação do edital. Em comunicado de setembro de 2026, a ANTT informou que a análise permitiu avançar para a etapa de licitação.
Quando as obras da Rota 2 de Julho deverão começar?
O próximo marco previsto é o leilão de 18 de dezembro de 2026, na B3, em São Paulo. Somente após a definição do vencedor e as etapas contratuais será possível avançar com o novo modelo de administração das rodovias.
A concessionária escolhida deverá assumir responsabilidades de conservação, operação e implantação das melhorias conforme o cronograma estabelecido no contrato.
As duplicações não serão construídas simultaneamente em todos os trechos. A execução deverá seguir etapas e exigências técnicas próprias, incluindo projetos e autorizações aplicáveis.
Até outubro de 2026, os 306,6 km de duplicações e as demais intervenções representam o programa da futura concessão. A transformação mais ampla da ligação entre o interior da Bahia e Salvador dependerá das obras executadas depois da contratação.
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