Flávio pede que apoiadores tomem “um pouquinho de risco” nas redes
Senador pediu que artistas e influenciadores de direita usem suas redes sociais para pedir votos para sua candidatura
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu nesta segunda-feira, 12, que seus apoiadores corram riscos nas redes sociais e ampliem a mobilização para o segundo turno.
Durante uma live, o candidato do PL convocou os apoiadores a compartilhar publicações e retomar as atividades de campanha.
“Ninguém está tomando mais risco do que eu nessas eleições. Então, você toma um pouquinho de risco também. Estou te pedindo. Eu sei que você fica preocupado às vezes de postar sua opinião aqui nas redes sociais, de ser bloqueado, de ser banido, mas a gente tem que correr esse risco. Vamos defender aquilo que a gente acredita”, disse.
Flávio acrescentou que, na avaliação dele, a disputa ainda não está definida e pediu que os apoiadores intensifiquem a mobilização nas ruas.
“Não tem eleição ganha. A gente tem que continuar mobilizado. Todo mundo ficou feliz de passar do primeiro para o segundo turno na frente do Lula, mas a gente tem que mobilizar, a gente tem que ir pra rua. Vamos sair do sofá, galera. Vamos pra rua, vamos agir, vamos fazer a nossa parte”, acrescentou.
O senador também convocou artistas e influenciadores de direita a usar suas redes sociais para pedir votos para sua candidatura.
“Do lado de cá tem tanto artista de direita, tanto influenciador de direita, tanta gente que tem uma representatividade, uma credibilidade de falar com o seu público. Peço o voto no Flávio Bolsonaro. Usa o instrumento, a ferramenta que você tem, que é sua voz, que é sua rede social grande.”
“Exército do Lula”
A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou, entre 2 e 11 de outubro, publicações no canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, que reproduzissem as afirmações investigadas pela Corte.
O relatório, porém, apontou uma estrutura de mobilização centralizada e sincronizada, com elevado alcance potencial e capacidade de amplificação de conteúdos às vésperas do segundo turno.
A Informação Técnica nº 001/2026, da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, registra que o canal chegou a cerca de 3,3 milhões de seguidores e que algumas publicações acumulavam 344 mil, 79 mil e 40 mil encaminhamentos. A unidade também identificou orientações com horário marcado, “missões” para os seguidores e comandos para impulsionar conteúdos em outras plataformas.
O relatório foi elaborado no âmbito de um pedido apresentado por Flávio Bolsonaro à Presidência do TSE contra o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). No processo, a campanha questionou a estrutura de distribuição de conteúdos do canal e pediu providências como a suspensão da ferramenta e a preservação de dados.
O caso passou a tramitar como Petição Cível nº 0602791-73.2026.6.00.0000, sob análise do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques.
Foi nesse procedimento que Nunes Marques determinou que a área técnica verificasse se os conteúdos questionados continuavam circulando, se havia atuação coordenada para disseminá-los e quais riscos a estrutura poderia representar para a integridade do processo eleitoral.
“A análise restringiu-se a conteúdos de acesso público. Não foram examinadas mensagens privadas nem dados de identificação de seguidores. Esta Assessoria não emite juízo sobre a veracidade de afirmações políticas, matéria reservada às vias jurisdicionais”, diz o documento.
“Os conteúdos examinados nos autos compreendem, essencialmente, afirmações segundo as quais o requerente pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, estaria envolvido com milícia, reduziria aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada ou teria mandado cancelar o reajuste do Bolsa Família, distribuídas no canal entre 10 e 28 de setembro de 2026”, pontua.
“No período examinado (2 a 11 de outubro de 2026), não foram localizadas publicações que reproduzam essas afirmações. A verificação considerou os textos das publicações, as pré visualizações de links e os áudios transcritos, sem abranger a transcrição do conteúdo integral dos vídeos vinculados e dos demais áudios. As publicações de setembro referidas nos autos situam-se fora desse período”.
Ainda conforme o documento, porém, “os elementos verificados indicam atuação coordenada, centralizada e sincronizada, voltada a ampliar a circulação e a visibilidade de conteúdos no WhatsApp e em outras plataformas“.
Ele ressalta que “a mesma estrutura de orientações centralizadas permanecia em operação entre 2 e 11 de outubro de 2026, aplicada à mobilização em torno de outros conteúdos”.
Riscos eleitorais
O relatório registra que “os elementos reunidos oferecem subsídios para a avaliação dos riscos à integridade do processo eleitoral”.
Segundo o documento, em conjunto, os fatores indicam “elevada audiência potencial, volumes expressivos de encaminhamento em publicações isoladas e possibilidade de propagação acelerada de conteúdos“.
Entretanto, não permitem presumir a exposição efetiva, nem estimar o alcance das publicações ou o intervalo de sua propagação.
“Esses dados, bem como as visualizações por atualização, o histórico de mensagens apagadas e editadas e a identificação das contas administradoras, em princípio estariam sob a guarda do provedor”, acrescenta.
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