Descoberta de mais de 20 toneladas de ouro leva governo a autorizar desvio de trecho de rodovia brasileira
A presença do minério mudou os planos para um trecho importante da estrada
Uma rodovia federal atravessa uma área rica em ouro no sertão do Rio Grande do Norte e impede que uma mina amplie sua escavação. Na mina Borborema, em Currais Novos, um acordo com o governo permitirá alterar o traçado da BR-226, viabilizando o acréscimo de aproximadamente 20,8 toneladas de ouro às reservas minerais estimadas. O projeto prevê uma nova estrada de 6 km, financiada pela mineradora, para manter a circulação de veículos fora da futura área de exploração.
Onde fica a rodovia que será desviada para permitir a exploração de ouro?
O trecho fica na BR-226, na zona rural de Currais Novos, município da região do Seridó, no Rio Grande do Norte. A estrada passa pela Fazenda São Francisco, onde funciona o empreendimento de mineração Borborema.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) publicou o Acordo de Cooperação Técnica nº 020/2026, firmado com a Cascar Brasil Mineração, empresa ligada à Aura Minerals.
A rodovia atravessa a área destinada à exploração mineral e separa setores que poderiam integrar uma cava maior. Como ela continua sendo utilizada pela população, sua mudança depende da construção de um caminho substituto.

De onde vieram as 20 toneladas de ouro que motivaram a mudança?
As 20,8 toneladas de ouro correspondem a aproximadamente 670 mil onças acrescentadas à estimativa de reservas minerais da mina. O aumento foi anunciado após a atualização do estudo de viabilidade, que considerou a possibilidade de deslocar a rodovia.
Em comunicado oficial de 26 de fevereiro de 2026, apresentado à SEC, a Aura Minerals informou que as reservas estimadas aumentaram 82%, chegando a aproximadamente 1,48 milhão de onças, equivalentes a cerca de 46 toneladas.
O ouro não foi encontrado em barras ou pepitas espalhadas pelo asfalto. Ele faz parte de corpos mineralizados identificados por pesquisas geológicas e avaliados para uma possível extração econômica.
A quantidade foi calculada com base nas características das rochas, no teor de ouro e nas condições previstas para a exploração. Isso significa que se trata de uma reserva estimada, e não de metal já retirado do solo.
Como será o novo traçado da BR-226 no Rio Grande do Norte?
A variante projetada terá 6 km de extensão e desviará o trânsito de um trecho que hoje atravessa a área da mina. A mudança está planejada para a região entre os quilômetros 146 e 150 da BR-226.
O relatório técnico da mina Borborema, de março de 2026, detalha as características da futura estrada e os estudos necessários para sua implantação.
O projeto inclui:
- Pista de 7 metros: duas faixas de circulação, com 3,5 metros cada.
- Acostamentos: áreas laterais projetadas para acompanhar a rodovia.
- Asfalto de 10 centímetros: espessura prevista para o revestimento da pista.
- Drenagem: estruturas para conduzir a água da chuva e proteger o pavimento.
- Sinalização: dispositivos para orientar os motoristas nos acessos e no novo percurso.
O estudo também identificou interferências com linhas de telecomunicações e instalações elétricas. Esses elementos precisam ser considerados antes da construção para evitar problemas no funcionamento dos serviços.
Quem acompanha grandes obras e mineração, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Takeshi Kobayashi, que conta com mais de 2,2 mil visualizações, onde Takeshi Kobayashi mostra a mina de ouro em Currais Novos:
Quem vai pagar pela construção da nova rodovia?
A Cascar Brasil Mineração ficará responsável pelos custos relacionados à alteração do traçado. O acordo com o DNIT abrange a elaboração dos projetos, a execução das obras, as indenizações necessárias e as compensações ambientais.
O planejamento envolve negociações de terras porque a variante passará por propriedades rurais. O relatório técnico identificou 13 imóveis afetados e a necessidade de negociar partes dessas áreas.
Depois da conclusão, a nova estrutura deverá ser entregue ao DNIT para integrar a rede rodoviária federal. Dessa forma, a empresa financia uma intervenção necessária ao seu projeto de mineração, enquanto a estrada mantém sua função pública.
Como a mudança da estrada permitirá retirar mais ouro da mina?
A mina Borborema utiliza exploração a céu aberto, processo em que máquinas retiram camadas de solo e rocha para alcançar o minério. A escavação avança por bancadas, formando diferentes níveis dentro de uma grande cava.
Uma estrada pública atravessando esse espaço impede que a cava avance livremente. O novo traçado permitirá reorganizar os limites da mineração, deixando a rodovia fora da região prevista para a expansão.
Depois da extração, caminhões transportam o minério até as instalações de beneficiamento. Nesse processo, as rochas são reduzidas e passam por etapas industriais para recuperar o ouro que contêm.
A distinção entre ouro presente no subsolo e quantidade economicamente recuperável também aparece em outras pesquisas minerais, como no campo de ouro de Wangu, na China, estudado por meio de perfurações profundas. Nesses projetos, os resultados geológicos precisam ser separados das projeções sobre a exploração futura.
A mina já está produzindo ouro ou depende da mudança da rodovia?
A mina Borborema já produz ouro comercialmente. O desvio da BR-226 está relacionado à ampliação da exploração, e não à abertura inicial do empreendimento.
Segundo o balanço preliminar da Aura Minerals publicado em 9 de outubro de 2026, Borborema produziu 22.842 onças de ouro no terceiro trimestre, resultado 60% superior ao trimestre anterior.
O desempenho foi associado ao acesso a minério com maior concentração de ouro e ao aumento do volume processado. Esses resultados pertencem à operação existente e não significam que a expansão viabilizada pelo desvio já esteja concluída.
O acordo com o DNIT está formalizado, mas os documentos oficiais consultados não confirmam a entrega da nova variante rodoviária até outubro de 2026. O projeto ainda depende da execução e das aprovações necessárias.
A mudança da BR-226 permitirá ampliar os limites de exploração previstos para Borborema, enquanto os veículos continuarão utilizando uma ligação federal. O resultado esperado é recuperar mais ouro sem deixar de oferecer uma rota para quem precisa atravessar essa região do sertão potiguar.
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