Formato da cauda podia transformar um réptil marinho de mais de 66 milhões de anos em um caçador extremamente rápido
O formato do corpo pode revelar muito sobre a forma como esse animal perseguia suas presas
Um réptil marinho gigante dobrava a cauda e a lançava contra a água, produzindo um impulso capaz de aproximá-lo rapidamente da presa. Os mosassauros viveram durante a era dos dinossauros, e uma pesquisa divulgada em 2026 calculou como diferentes formatos de cauda poderiam influenciar seus ataques. Os resultados sugerem que alguns desses animais eram preparados para arrancadas curtas, enquanto outros tinham vantagens em perseguições mais longas.
Como os mosassauros utilizavam a cauda para atacar?
Os mosassauros impulsionavam o corpo na água por movimentos laterais da cauda. Eram répteis marinhos aparentados aos lagartos, com corpos alongados e membros transformados em nadadeiras.
Segundo a Universidade Rutgers, a pesquisa examinou um movimento em que o animal curvava a cauda para um lado e depois a lançava na direção contrária.
Esse golpe empurrava a água e fazia o corpo avançar. Quanto maior a curvatura possível, maior poderia ser a aceleração inicial, dependendo também do tamanho do animal e da resistência oferecida pela água.

Qual velocidade um mosassauro gigante poderia alcançar?
Um Tylosaurus de grande porte poderia alcançar aproximadamente 24 km/h após um único golpe de cauda, segundo as simulações. O valor representa uma arrancada breve, não uma velocidade máxima sustentada durante longas distâncias.
O estudo publicado na revista Current Biology utilizou princípios da física para calcular o impulso inicial desses répteis, considerando a forma do corpo e a interação da cauda com a água.
A equipe comparou quatro grupos de mosassauros:
- Platecarpus: apresentou a arrancada mais rápida entre os quatro grupos analisados, considerando o tamanho do corpo.
- Tylosaurus: combinava grande porte com uma cauda capaz de produzir impulsos fortes.
- Mosasaurus: apresentou menor aceleração inicial no modelo, com características compatíveis com deslocamentos mais contínuos.
- Plotosaurus: mostrou adaptações que poderiam favorecer a natação prolongada em águas abertas.
Os resultados não estabelecem uma velocidade exata para todos os animais de cada grupo. Cada cálculo depende da reconstrução corporal e das condições escolhidas para a simulação.
Quem quer saber tudo sobre répteis pré-históricos, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Zoomundo, que conta com mais de 58 mil visualizações, onde Amanda e Bruno mostram a evolução e os fósseis dos mosassauros:
Por que algumas caudas eram melhores para emboscadas?
Caudas com uma parte longa e flexível permitiam uma curvatura maior antes do movimento de ataque. Isso aumentava o impulso inicial e poderia ser útil para surpreender uma presa que estivesse próxima.
Uma emboscada exige acelerar rapidamente quando a vítima entra no alcance do predador. Nesse tipo de ataque, percorrer uma grande distância em velocidade constante pode ser menos importante do que avançar de repente.
Para os autores, a diferença no formato da cauda indica que os mosassauros poderiam ocupar funções distintas nos ambientes marinhos. Alguns seriam mais adaptados a ataques curtos, enquanto outros teriam vantagens ao perseguir animais por mais tempo.

Como os cientistas calcularam movimentos de animais extintos?
Os pesquisadores utilizaram fósseis e modelos físicos para reconstruir o movimento dos mosassauros. Como os músculos geralmente não ficam preservados, foi necessário estimar sua distribuição e sua capacidade de produzir força.
A anatomia de lagartos atuais, incluindo o dragão-de-komodo, ajudou a orientar essa reconstrução. Depois, a equipe testou diferentes valores de força muscular, flexibilidade e resistência da água.
O processo teve três etapas principais:
- Medir os fósseis: registrar proporções do corpo e da cauda.
- Reconstruir os músculos: usar animais atuais como referência para partes desaparecidas.
- Simular o impulso: calcular o movimento produzido pelo golpe da cauda contra a água.
Estudar partes do corpo também ajuda a explicar estratégias de caça de animais atuais. Um exemplo é a víbora cuja ponta da cauda imita uma aranha para atrair presas, embora seu mecanismo seja completamente diferente do impulso dos répteis marinhos.
O que essa descoberta revela sobre os mares pré-históricos?
Os resultados sugerem que grandes répteis marinhos poderiam compartilhar um ambiente sem depender exatamente da mesma forma de caça. As diferenças no movimento ajudariam a explicar como esses predadores exploravam presas e regiões distintas.
O estudo também mostra que não basta observar o tamanho de um animal para saber como ele nadava. O comprimento e a flexibilidade da cauda podem alterar seu desempenho mesmo entre espécies aparentadas.
Os pesquisadores pretendem disponibilizar os métodos de cálculo para novas análises de animais extintos. A aplicação a outros fósseis poderá indicar se as diferenças encontradas entre os mosassauros também ocorreram em outros grupos de nadadores pré-históricos.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)