Com 117 pontes e viadutos, 39 passarelas e 232 km de duplicações, projeto de R$ 10,8 bilhões vai transformar estradas de um dos estados mais ricos do Sul
O pacote de obras promete mudar trechos importantes usados diariamente por cargas e passageiros
Estradas com pista simples deverão ganhar novas faixas, enquanto viadutos e pontes serão construídos para criar caminhos mais diretos pelo interior do Paraná. O projeto de modernização das rodovias do Paraná prevê R$ 10,8 bilhões em obras, incluindo 117 pontes e viadutos, 39 passarelas e cerca de 232 km de duplicações. As melhorias fazem parte do Lote 4 de concessões rodoviárias, contratado em 2026 e planejado para transformar ligações entre cidades das regiões Norte e Noroeste.
Quais rodovias do Paraná fazem parte do projeto de R$ 10,8 bilhões?
O Lote 4 das concessões rodoviárias do Paraná reúne 627,52 km de estradas, distribuídos entre rodovias federais e estaduais. O conjunto inclui trechos das BR-272, BR-369 e BR-376, além de ligações estaduais importantes para o transporte regional.
Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), os investimentos previstos para construção e ampliação são separados dos custos de conservação e serviços ao longo da concessão.
O contrato foi assinado em 5 de fevereiro de 2026, depois do leilão vencido pelo grupo EPR. A empresa assumiu a responsabilidade pela operação das rodovias e pela execução das melhorias previstas, conforme as etapas contratuais.

Como serão distribuídas as pontes, viadutos e duplicações?
O projeto distribui suas obras por rodovias que ligam cidades como Maringá, Londrina, Paranavaí e Umuarama. A proposta inclui novas pistas em trechos movimentados e estruturas que permitem atravessar cruzamentos sem interromper diretamente o tráfego principal.
O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná detalhou as intervenções previstas no edital. As principais quantidades foram definidas para todo o lote, e não para uma única rodovia.
O pacote reúne estas melhorias:
O que será construído nos contornos de Maringá e Londrina?
Os novos contornos foram projetados para retirar parte do tráfego de passagem das áreas urbanas. Em Maringá, o Contorno Sul terá 19,3 km e fará ligação com a região da PR-897, no acesso a Marialva.
O traçado previsto inclui viadutos do tipo diamante, que possuem acessos separados para entrada e saída da rodovia. Também está prevista uma ligação em formato de trombeta, usada onde os veículos precisam mudar de uma estrada para outra por meio de alças.
Na região de Londrina, o Contorno Norte terá 30,1 km, começando em Cambé e chegando à região de Ibiporã. O projeto prevê três pontes e oito viadutos nesse corredor.
O plano também inclui estudos para o Contorno Leste de Londrina, cuja execução depende de fases posteriores de projeto e licenciamento. Os contornos não devem ser confundidos com trechos que já foram liberados para circulação.
Como as novas pistas podem mudar o tráfego no interior do estado?
As duplicações permitem separar veículos que circulam em sentidos opostos, reduzindo a necessidade de usar a faixa contrária para ultrapassar. Nas estradas com movimento de caminhões, essa separação pode melhorar a organização do fluxo de cargas.
As melhorias também incluem 39,59 km de vias marginais e 33,92 km de ciclovias, conforme o escopo divulgado para o lote. As marginais ajudam a separar deslocamentos locais do tráfego principal em trechos previstos no projeto.
Em outras regiões, obras viárias enfrentam obstáculos diferentes. Uma estrada de 25 km aberta em uma região de serra mostra outro tipo de intervenção, voltado à criação de um novo caminho em terreno montanhoso.
As obras de duplicação já começaram em 2026?
A concessionária já iniciou melhorias de pavimento e sinalização, mas as grandes duplicações seguem um cronograma próprio. A EPR Paraná informou em fevereiro de 2026 que havia aplicado mais de 15 mil toneladas de pavimento asfáltico nas primeiras intervenções.
Na mesma atualização, a empresa relatou serviços de roçada em 203,5 km e revitalização de aproximadamente 122 mil m² de sinalização horizontal. Essas ações pertencem à fase inicial de recuperação das condições das rodovias.
As ampliações de maior porte estão previstas para etapas posteriores. Assim, os números de pontes, passarelas e pistas duplicadas representam o conjunto contratado, e não obras já concluídas em outubro de 2026.
Como funciona o pedágio eletrônico nas rodovias concedidas?
Parte do Lote 4 utiliza o sistema free flow, que registra a passagem dos veículos por pórticos sem cabine ou cancela. Em abril de 2026, a ANTT autorizou a cobrança eletrônica em quatro novas praças, incluindo pontos em Mandaguari, Arapongas e Jataizinho.
O sistema identifica veículos por placas ou dispositivos eletrônicos e registra a passagem para pagamento. Isso permite que o motorista siga pela rodovia sem precisar parar em uma praça convencional.
O contrato de concessão também inclui serviços de atendimento, inspeção e conservação. As construções previstas deverão ser executadas conforme os prazos e as exigências estabelecidas pela agência reguladora.
O Lote 4 já passou da licitação para a operação das estradas concedidas. A transformação física mais ampla ainda depende das próximas fases de obras, que levarão novas pistas e estruturas aos corredores rodoviários do interior paranaense.
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