Vorcaro atribuiu ao grupo de Padilha cobrança de propina
Segundo a Veja, banqueiro relatou exigência de 10% para captar até R$ 10 bilhões de fundos ligados a estatais
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, registram pagamentos e articulações para tentar obter investimentos de fundos de pensão de estatais.
Segundo reportagem da Veja, o banqueiro atribuiu ao grupo do ministro Alexandre Padilha a cobrança de propina para facilitar o acesso a essas entidades.
A operação buscava captar cerca de R$ 10 bilhões de fundos ligados à Petrobras, aos Correios, à Caixa e ao Banco do Brasil.
O relato de Vorcaro menciona o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, Padilha, o assessor presidencial Olavo Noleto e um consultor chamado Júlio Cezar. Os citados negam envolvimento em irregularidades.
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Comissão de 10%
Na versão apresentada por Vorcaro em sua proposta de delação, a entrada nos fundos dependeria do pagamento de 10% dos valores captados.
O banqueiro afirma que Júlio e Noleto lhe apresentaram essa condição em uma conversa reservada, depois de seu primeiro encontro com Padilha, no Palácio do Planalto, em 1º de março de 2024.
“Nessa conversa, Padilha mais ouviu do que falou, mas afirmou que ‘o que eu tratasse com Olavo seria como se eu estivesse tratando com o próprio Padilha”, diz o banqueiro.
A reunião com Padilha foi precedida por contatos de Hamilton Buzelin, ex-diretor de Finanças Corporativas do Banco Máxima, que aproximou Vorcaro de Júlio.
Três dias depois do encontro no Planalto, o banqueiro voltou a procurar a direção da Petros, cuja reunião havia sido cancelada em fevereiro.
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Cobrança
As conversas extraídas do celular mostram Júlio tentando marcar encontros com dirigentes da Petros, do Postalis e da Previ.
Em mensagens, ele também relata que o presidente do Postalis reservaria uma tarde para receber Vorcaro. O banqueiro, por sua vez, cobrava avanços nas tratativas e a formalização de possíveis investimentos.
Em 29 de abril de 2024, o Master foi incluído na chamada “lista exaustiva” do Ministério da Previdência, que relaciona instituições autorizadas a receber recursos de fundos previdenciários.
No mesmo dia, segundo a reportagem, Vorcaro transferiu R$ 500 mil a Júlio, valor tratado como adiantamento de propina.
Operação na Caixa
As negociações perderam força em julho de 2024, quando veio a público uma tentativa de investimento de R$ 500 milhões em letras financeiras do Master pela Caixa Econômica Federal.
A repercussão envolveu dois gestores da Caixa Asset que teriam se posicionado contra a operação.
“Com as matérias difundidas na imprensa em julho de 2024 sobre a suposta perda de cargo de gestores da Caixa Asset que teriam sido contrários ao investimento em LFs do Banco Master, o grupo de Padilha e os dirigentes da Petros, Postalis e BB preferiram segurar a decisão de fazer o investimento”, diz o banqueiro em um anexo.
Jantar com Padilha
Mesmo com o bloqueio das negociações nos fundos federais, Vorcaro manteve contato com integrantes do grupo.
Em outubro, promoveu um jantar com Padilha, Noleto e outros interlocutores em Brasília.
Mensagens também registram tentativas de agendar uma conversa com o presidente Lula, que, segundo a reportagem, ocorreu em dezembro de 2024.
2025
As captações nos fundos federais não se concretizaram. Em junho de 2025, Vorcaro reclamou que as tratativas já duravam mais de um ano sem gerar investimentos.
Em agosto, deu a Júlio um prazo para apresentar resultados e ameaçou encerrar o trabalho.
A última mensagem do consultor registrada no celular do banqueiro, enviada cerca de um mês antes da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, propunha outra forma de adquirir letras financeiras do Master por meio de fundos de previdência municipais. Vorcaro não respondeu.
Padilha, Augusto Lima, Olavo Noleto e Lula negaram relação com negócios de Vorcaro no governo e rejeitaram as acusações.
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Comentários (1)
Claudemir Silvestre
10.10.2026 16:39PT e LULA na cena do Crime de corrupção ….. DE NOVO !!! 🤷🏻🤷🏻