Clarita Maia na Crusoé: Israel, 7/10: as cadeiras vazias e as quebradas pela esquerda
Parlamentares brasileiros se ausentaram de sessão para mostrar imagens do atentado do Hamas
A comunidade judaica, em Israel e na diáspora, homenageou, neste 7 de outubro, as vítimas do ataque terrorista e genocida do Hamas que, violando um cessar-fogo, investiu contra civis no Festival de Música Supernova e nos kibutzim.
Os terroristas estavam desuniformizados (o que induziu a erro a resposta militar de Israel), tomaram reféns (proibição prima facie do Direito Internacional dos Conflitos Armados) e os levaram para túneis sob locais civis, o que os contamina militarmente e os torna alvos legítimos de guerra.
Uma miríade de crimes de guerra.
Na coluna “A expulsão do outro“, citei o mecanismo pelo qual se deixa de reconhecer o rival ideológico como legítimo, portador de direitos ou de um lugar de fala, e que a literatura internacional sobre democracia e conflitos civis aponta como um dos mais fortes indutores da corrosão do Estado Democrático de Direito.
No texto “Assembleia-Geral da ONU e Durban“, falei sobre como a percepção pública pode ser deturpada ou fabricada a partir de cenas ensaiadas para produzir efeito político: a saída de uma minoria, embora significativa, de representações diplomáticas durante o discurso do premiê Benjamin Netanyahu na última Assembleia-Geral das Nações Unidas, e o uso que se fez dos números e da imagem.
Os dois mecanismos — expulsar o outro e fabricar a cena que o condena — encontram-se em um episódio brasileiro de três anos atrás, deturpado pela imprensa e convenientemente esquecido. Ele revela a forma mais dolorosa de expulsão do espaço público: a que nega a um povo até o reconhecimento do seu sofrimento.
Em 8 de novembro de 2023, pouco mais de um mês depois do massacre, o então embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, foi à Câmara dos Deputados para presidir, a convite de parlamentares, uma sessão de exibição de imagens do ataque, gravadas pelos terroristas do Hamas e por outras câmeras.
A intenção era mostrar aos parlamentares a realidade daquele dia: os locais atacados, os corpos, os depoimentos.
O convite, feito por intermédio…
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