Depois de quase 50 anos vendendo utensílios de cozinha, rede entra em falência e fecha metade de suas 112 lojas, porque dívida e o colapso temporário do varejo físico tornaram inviável manter uma estrutura criada em torno de lojas e aulas presenciais
As lojas remanescentes e o e-commerce foram vendidos à gestora Fortress Investment Group

O que você vai ver
- Qual rede de utensílios de cozinha fechou metade de suas lojas numa única falência.
- Por que as aulas de culinária presenciais tornavam a rede especialmente vulnerável.
- O que aconteceu com as lojas que não foram fechadas no processo.
- Por que a empresa insistiu que não estava fechando as portas de vez.
- O que aconteceu com as aulas de culinária depois do fechamento das lojas.
Depois de quase 50 anos vendendo utensílios de cozinha de alto padrão, uma rede americana entrou em falência e fechou metade de suas 112 lojas, desfecho que ocorreu porque dívida acumulada e o colapso temporário do varejo físico tornaram inviável manter uma estrutura de negócio criada em torno de lojas e aulas de culinária presenciais.
Qual rede de utensílios de cozinha fechou metade de suas lojas numa única falência?
A empresa em questão é a Sur La Table, rede americana de capital fechado sediada em Seattle, conhecida por vender utensílios de cozinha de alto padrão e oferecer aulas de culinária presenciais em boa parte de suas unidades, que pediu proteção via Chapter 11 em julho de 2020 anunciando o fechamento de 56 de suas 112 lojas.
A companhia classificou o fechamento como consequência direta “do impacto financeiro da crise da Covid-19”, mas fez questão de reforçar publicamente que não estava “saindo do mercado”, frase que buscava separar o encerramento parcial de lojas de um cenário de liquidação total da marca.

Por que as aulas de culinária presenciais tornavam a rede especialmente vulnerável?
Diferente de uma loja de utensílios domésticos comum, que pode sustentar vendas mesmo com restrição de aforo, parte relevante do modelo de negócio da Sur La Table dependia da realização de aulas de culinária presenciais dentro das próprias lojas, atividade que exigia aglomeração de clientes num mesmo ambiente fechado.
Restrições sanitárias que limitavam ou proibiam esse tipo de reunião presencial retiraram da empresa justamente a atividade que ajudava a diferenciar suas lojas físicas do simples comércio eletrônico de panelas e utensílios, eliminando uma fonte de receita e de engajamento de clientes que outras redes de varejo não dependiam da mesma forma.
O que aconteceu com as lojas que não foram fechadas no processo?
As 56 lojas remanescentes, junto com o negócio de comércio eletrônico e as próprias aulas de culinária, tanto presenciais quanto online, foram vendidas a afiliadas da gestora de investimentos Fortress Investment Group ao final do processo de recuperação judicial, transação que garantiu continuidade à marca mesmo após a redução significativa do tamanho da rede física.
Essa venda da operação remanescente a um novo controlador é o que diferenciou o caso da Sur La Table de uma liquidação total: em vez de encerrar completamente as atividades, a empresa seguiu operando sob nova gestão, apenas com metade do número de lojas físicas que mantinha antes da pandemia forçar a reestruturação.
Por que a empresa insistiu que não estava fechando as portas de vez?
Em comunicado oficial, a Sur La Table declarou a intenção de “continuar criando felicidade para nossos clientes através da culinária e do compartilhamento de boa comida por muitos anos”, frase que buscava tranquilizar clientes fiéis à marca num momento em que anúncios de fechamento de lojas costumam ser interpretados como sinal de encerramento total da operação.
Essa comunicação cuidadosa reflete uma preocupação comum em processos de recuperação judicial que preservam parte da operação: convencer o público de que a marca continuará existindo, mesmo em tamanho reduzido, para evitar que clientes e fornecedores antecipem o fim da empresa e acelerem, por conta própria, a deterioração do negócio ainda em reestruturação.

O que aconteceu com as aulas de culinária depois do fechamento das lojas?
As aulas de culinária deixaram de ser oferecidas especificamente nas unidades fechadas, mas a Sur La Table manteve a atividade em lojas selecionadas que permaneceram abertas, além de expandir a oferta de aulas online, adaptação que buscava preservar parte da experiência que diferenciava a marca sem depender do mesmo número de espaços físicos de antes.
Essa adaptação parcial das aulas para o formato digital mostra como a pandemia forçou até negócios fortemente dependentes de interação presencial a encontrar alternativas remotas, mesmo que de forma incompleta, para manter algum nível de engajamento com clientes enquanto restrições sanitárias limitavam atividades presenciais em grupo.
Empresas cujo modelo de negócio dependia fortemente de aglomeração presencial de clientes durante a pandemia também aparecem no relato sobre a rede de entretenimento infantil que viu as vendas comparáveis caírem 21,9% com salões de festa e fliperamas fechados.
Mais detalhes sobre a falência da Sur La Table estão disponíveis na reportagem da Business Insider.
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