Uma cidade bizantina reapareceu no meio de um oásis egípcio: casas e estruturas dos séculos IV e V estavam sob a areia
Escavações no oásis de Dakhla revelam ruas planejadas, casas de adobe, uma basílica cristã e registros da vida cotidiana há 1.600 anos
No coração do Deserto Ocidental do Egito, arqueólogos revelaram ruas planejadas, residências, uma basílica cristã e estruturas defensivas preservadas em adobe. A cidade bizantina de Ain Al-Sabil, localizada no oásis de Dakhla, reúne vestígios dos séculos IV e V d.C. Anunciados em julho de 2026, os novos resultados das escavações ajudam a reconstruir o cotidiano de uma comunidade que prosperou naquela região há aproximadamente 1.600 anos.
Onde os arqueólogos encontraram a cidade bizantina de Ain Al-Sabil?
O sítio fica no oásis de Dakhla, na província egípcia do Novo Vale, distante do vale do Nilo. A região preserva diversos assentamentos antigos, favorecidos pela disponibilidade de água subterrânea e pela possibilidade de desenvolver atividades agrícolas em pleno ambiente desértico.
As escavações foram conduzidas por uma missão egípcia vinculada ao Conselho Supremo de Antiguidades. Embora Ain Al-Sabil já fosse investigado anteriormente, os trabalhos recentes ampliaram o conhecimento sobre seu planejamento urbano, revelando uma organização mais complexa do que a sugerida pelos vestígios inicialmente conhecidos.
Leia também: Mais de 200 espécies de aves esfregam formigas nas penas e o comportamento continua intrigando biólogos
Como era organizada a cidade bizantina encontrada no deserto?
Os edifícios foram construídos principalmente com tijolos de adobe, produzidos com materiais disponíveis localmente. Ruas principais orientadas de norte a sul cruzavam vias transversais de leste a oeste, criando praças e espaços abertos entre os conjuntos residenciais.
A organização demonstra que o assentamento possuía áreas destinadas à circulação, moradia, atividades religiosas e proteção. Entre os vestígios identificados estão duas torres de vigilância e uma construção fortificada com paredes espessas.
As principais estruturas documentadas incluem:
- Residências com grandes salas e tetos abobadados;
- Ruas organizadas e praças abertas;
- Basílica cristã do século IV;
- Duas torres de vigilância;
- Edificação com paredes defensivas;
- Cozinhas, fornos e instalações domésticas.
O vídeo apresenta a descoberta arqueológica em Ain Al-Sabil, no oásis de Dakhla.
O que as casas revelam sobre a vida dos antigos moradores?
Entre as construções identificadas estão residências associadas a personagens mencionados nas pesquisas. Uma delas pertenceu a Tisous, diácono cristão que teria vivido durante a segunda metade do século IV. Outra, relacionada a Tabibos, apresenta uma cronologia situada no início daquele século.
As casas continham espaços de recepção, cozinhas e instalações para preparar alimentos. Os arqueólogos também encontraram recipientes cerâmicos, lamparinas, frascos destinados a óleos e perfumes, além de instrumentos de pedra utilizados para moer grãos. Esses materiais permitem investigar práticas domésticas sem depender exclusivamente de relatos históricos.
Por que uma basílica cristã foi construída naquele oásis egípcio?
Durante o século IV, o cristianismo ganhou crescente importância no Egito romano. Em Ain Al-Sabil, os arqueólogos identificaram uma basílica datada de meados desse século, localizada junto a uma das principais vias do assentamento.
Conforme o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, a descoberta oferece informações sobre a organização social e religiosa da comunidade. Pesquisadores também consideram que uma residência possa ter funcionado como espaço de culto antes da construção da basílica, hipótese baseada na interpretação arquitetônica.

Quais objetos encontrados na cidade bizantina ajudam a explicar sua economia?
Um dos conjuntos mais importantes reúne aproximadamente 200 fragmentos de cerâmica com inscrições, conhecidos como óstracos. Esses materiais eram utilizados como suportes de escrita e preservam textos em grego e copta relacionados a transações comerciais, correspondências e atividades cotidianas.
Também foram encontradas moedas de bronze e ouro, incluindo exemplares associados ao imperador Constâncio II, que governou entre 337 e 361 d.C. As moedas ajudam a estabelecer referências cronológicas, mas sua data de fabricação não determina automaticamente quando foram depositadas.
| Vestígio arqueológico | Informação histórica |
|---|---|
| Óstracos | Comércio e correspondências |
| Moedas | Circulação monetária e cronologia |
| Fornos e moinhos | Preparo de alimentos |
| Basílica | Práticas religiosas cristãs |
O que a descoberta muda no conhecimento sobre o Egito antigo?
O conjunto amplia a compreensão sobre comunidades que viveram no Egito durante a Antiguidade Tardia, período frequentemente menos lembrado que a época dos faraós. As estruturas demonstram a existência de um assentamento organizado, com atividades econômicas, práticas religiosas e arquitetura adaptada às condições do oásis.
As escavações também reforçam a importância de Dakhla como área de ocupação prolongada. Entretanto, os vestígios conhecidos não permitem determinar toda a população da cidade nem reconstruir integralmente sua duração. Novas pesquisas poderão esclarecer as transformações ocorridas entre suas diferentes fases de ocupação.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)