Um dinossauro quase completo saiu das rochas chinesas com braços enormes e nova espécie virou o maior terizinossauro conhecido de uma fauna famosa
Fóssil de mais de 3,6 metros encontrado na China revela um terizinossauro com grandes garras e amplia o conhecimento sobre a diversidade da biota de Jehol
No nordeste da China, um esqueleto quase completo revelou uma nova espécie de dinossauro com braços desenvolvidos, garras curvas e pescoço alongado. Batizado de Kayrasaurus changliensis, o animal viveu durante o Cretáceo Inferior, há aproximadamente 125 milhões de anos. Mesmo sem ter alcançado a idade adulta, ultrapassava 3,6 metros de comprimento, tornando-se o maior terizinossauro conhecido da famosa biota de Jehol, um conjunto de fósseis excepcionalmente preservados.
Onde o Kayrasaurus changliensis foi encontrado na China?
O fóssil foi recuperado na Formação Yixian, próximo à vila de Dabangou, na região de Sihetun, província de Liaoning. Essas rochas preservam organismos que viveram em ambientes com lagos, florestas e atividade vulcânica durante o Cretáceo Inferior.
O esqueleto conserva grande parte do crânio, mandíbula, coluna vertebral e membros anteriores. Entretanto, faltam as pernas e alguns elementos da cintura pélvica. Essa preservação permitiu uma descrição anatômica detalhada, algo especialmente importante para compreender os primeiros representantes dos terizinossauros.
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Por que os braços e as garras desse dinossauro chamaram atenção?
Os terizinossauros pertenciam ao grupo dos terópodes, que também inclui grandes predadores como o Tyrannosaurus. Entretanto, desenvolveram características incomuns, como pescoços alongados, dentes associados ao processamento de vegetação e membros anteriores com garras desenvolvidas.
O novo exemplar apresenta uma combinação particular de características:
- Corpo com mais de 3,6 metros de comprimento;
- Massa estimada entre 117 e 274 quilogramas;
- Membros anteriores com garras grandes e curvas;
- Pescoço formado por vértebras alongadas;
- Dentes pequenos e densamente distribuídos;
- Esqueleto de um indivíduo ainda imaturo.
Um vídeo do canal Diarios del Jurásico apresenta uma reconstrução do Kayrasaurus changliensis, baseada na descoberta de 2026.
O que torna o Kayrasaurus changliensis diferente de seus parentes?
Uma característica marcante está na dentição. O animal possuía mais de 32 dentes na maxila e mais de 45 na mandíbula, distribuídos de maneira bastante compacta. Algumas regiões apresentavam aproximadamente quatro dentes por centímetro.
Os pesquisadores também identificaram particularidades nas vértebras e nos ossos das mãos. Uma das garras apresentava uma projeção óssea dorsal característica. Essas diferenças ajudaram a estabelecer que o exemplar pertencia a uma espécie distinta, e não simplesmente a uma fase de crescimento de outro terizinossauro conhecido.
Como os pesquisadores confirmaram que se tratava de uma espécie nova?
O estudo publicado no Journal of Systematic Palaeontology, em 10 de setembro de 2026, foi conduzido por Chun-Chi Liao, William J. Freimuth, Lindsay E. Zanno e Xing Xu. A equipe comparou numerosos caracteres anatômicos de terizinossauros fósseis para reconstruir suas relações evolutivas.
A análise posicionou a nova espécie entre linhagens representadas por Jianchangosaurus e Beipiaosaurus. Entretanto, o suporte estatístico para alguns desses relacionamentos foi baixo. Os autores destacaram que novas descobertas poderão modificar detalhes dessa árvore evolutiva, embora as características diagnósticas sustentem o reconhecimento da espécie.

Por que o Kayrasaurus changliensis é considerado o maior terizinossauro de Jehol?
O exemplar estudado era aproximadamente 1,6 vez mais comprido que o fóssil de referência de Beipiaosaurus inexpectus, anteriormente considerado o maior representante do grupo naquela fauna. Como ainda não havia alcançado a maturidade esquelética, seu tamanho adulto permanece desconhecido.
A comparação é restrita à biota de Jehol. Terizinossauros posteriores, como Therizinosaurus cheloniformis, atingiram dimensões muito maiores. Portanto, a descoberta representa um recorde regional e evolutivo específico, não o maior tamanho conhecido para toda a linhagem.
O que essa descoberta revela sobre a alimentação dos terizinossauros?
As análises sugerem que diferentes terizinossauros de Jehol exploravam recursos alimentares de maneiras distintas. Kayrasaurus e Beipiaosaurus apresentavam características associadas a corpos mais robustos e maior capacidade de mordida, enquanto outros representantes possuíam adaptações compatíveis com maior mobilidade.
Os pesquisadores propuseram a existência de pelo menos dois padrões ecológicos dentro dessa fauna. Entretanto, essas interpretações dependem de comparações anatômicas e modelos biomecânicos, não de observações diretas da alimentação. A descoberta amplia o conhecimento sobre como diferentes dinossauros aparentados poderiam coexistir explorando recursos distintos no mesmo ecossistema.
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