Astronautas que passaram mais de 90 dias no espaço tiveram mais fraturas de quadril depois de voltar à Terra em uma análise de longo prazo
Estudo publicado na Mayo Clinic Proceedings associa missões espaciais prolongadas a maior taxa de fraturas de quadril e reforça a importância do acompanhamento ósseo
Passar meses em microgravidade pode deixar consequências ósseas que persistem após o retorno à Terra. Um estudo publicado em outubro de 2026 identificou maior taxa de fraturas de quadril em astronautas que realizaram missões superiores a 90 dias, quando comparados a períodos associados a voos mais curtos ou anteriores à exposição espacial. A pesquisa, publicada na revista Mayo Clinic Proceedings, aponta uma associação importante, mas não demonstra que o tempo no espaço seja a causa direta de cada fratura.
Por que as fraturas de quadril preocupam após missões espaciais?
Na Terra, o esqueleto suporta continuamente forças produzidas pela gravidade e pelos movimentos corporais. No espaço, a redução dessas cargas mecânicas modifica a renovação óssea, favorecendo a perda de minerais e alterações na estrutura dos ossos, especialmente em regiões que normalmente sustentam o peso corporal.
O quadril merece atenção porque participa de movimentos essenciais, como caminhar e levantar objetos. Mesmo após recuperar a força muscular, um astronauta pode apresentar alterações ósseas persistentes. Isso torna importante investigar não apenas a densidade mineral, mas também a resistência estrutural do esqueleto.
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Como os pesquisadores investigaram as fraturas de quadril?
A equipe analisou registros de fraturas informadas durante avaliações clínicas periódicas de astronautas norte-americanos. Os dados, levantados entre 2018 e 2022, foram organizados conforme a exposição anterior a missões espaciais, permitindo comparar períodos de acompanhamento com diferentes históricos de voo.
As análises consideraram três situações principais:
- Períodos anteriores a qualquer voo espacial;
- Períodos após missões de até 90 dias;
- Períodos após missões superiores a 90 dias;
- Idade média dos astronautas acompanhados;
- Diferenças na duração do acompanhamento clínico.
Uma entrevista em vídeo com a pesquisadora Jean D. Sibonga apresenta os resultados e as preocupações relacionadas à saúde óssea dos astronautas.
O que aconteceu com astronautas que ficaram mais de 90 dias no espaço?
Os resultados mostraram uma taxa mais elevada de fraturas de quadril durante os períodos posteriores a missões longas. O padrão apareceu tanto na comparação com períodos associados exclusivamente a voos menores quanto na comparação com períodos anteriores à primeira missão espacial.
Entretanto, o aumento não foi observado para o conjunto de todas as fraturas ósseas. Nas demais regiões do esqueleto, as taxas foram semelhantes entre os grupos. Essa diferença indica que o quadril pode apresentar uma vulnerabilidade específica, embora outros fatores individuais também precisem ser considerados.
Qual foi a diferença entre astronautas e pessoas que nunca viajaram ao espaço?
O estudo publicado na revista Mayo Clinic Proceedings, em 1º de outubro de 2026, foi conduzido por Tristen N. Taylor, Millennia Young, Elisabeth R. Spector, Amy Kreykes e Jean D. Sibonga. A equipe utilizou modelagem estatística bayesiana para investigar a associação entre duração das missões e fraturas posteriores.
Nos períodos após missões longas, os astronautas apresentavam idade média de 62,5 anos, mas taxas de fraturas de quadril semelhantes às observadas em populações terrestres de aproximadamente 70 a 79 anos. A comparação não significa que o envelhecimento ósseo tenha sido acelerado exatamente entre 8 e 16,5 anos.

Quais resultados estatísticos sustentam essa associação?
A análise encontrou uma probabilidade posterior de 99,29% de que a taxa de fraturas de quadril fosse maior após missões longas do que nos períodos posteriores apenas a voos curtos. Na comparação com períodos sem exposição espacial, essa probabilidade chegou a 99,88%.
Esses percentuais descrevem resultados de um modelo estatístico, não a probabilidade individual de um astronauta sofrer uma fratura. Como a população estudada é pequena e eventos desse tipo são relativamente raros, as estimativas ainda apresentam limitações importantes.
Como a descoberta pode mudar o acompanhamento dos astronautas?
Os pesquisadores defendem uma avaliação mais detalhada da saúde óssea antes e depois das missões. A densitometria por dupla emissão de raios X fornece informações importantes sobre massa mineral, mas não revela completamente alterações na microarquitetura e na distribuição do tecido ósseo.
A NASA já começou a incorporar tomografias computadorizadas quantitativas em avaliações relacionadas aos voos espaciais. Essas medições poderão ajudar a acompanhar a recuperação do esqueleto e orientar estratégias de exercício, nutrição e eventuais intervenções médicas. Ainda será necessário determinar quais medidas realmente diminuem o risco de fraturas em missões prolongadas.
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