O animal marinho que mergulha por mais de uma hora sem respirar reduz os batimentos cardíacos para economizar oxigênio no fundo do oceano
Elefantes-marinhos combinam batimentos cardíacos reduzidos, grandes reservas de oxigênio e estratégias de economia energética para mergulhar profundamente
A centenas de metros abaixo da superfície, um mamífero marinho continua nadando sem respirar enquanto seu coração trabalha em ritmo extraordinariamente lento. O elefante-marinho é capaz de realizar mergulhos que ultrapassam uma hora e, em situações excepcionais, chegam a cerca de duas horas. O segredo está na combinação entre grandes reservas de oxigênio e uma redução controlada da atividade cardiovascular, permitindo que o animal explore regiões profundas onde outros mamíferos não conseguiriam permanecer por tanto tempo.
Como o elefante-marinho consegue mergulhar por mais de uma hora?
Os elefantes-marinhos pertencem ao gênero Mirounga, que reúne duas espécies: o elefante-marinho-do-norte (Mirounga angustirostris) e o elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina). Ambos realizam mergulhos profundos para procurar alimento, principalmente peixes e lulas, embora a duração varie conforme o indivíduo e a atividade.
Os mergulhos habituais frequentemente duram entre 20 e 30 minutos, mas registros excepcionais ultrapassam uma hora. Diferentemente dos peixes, esses animais possuem pulmões e precisam retornar à superfície para respirar. A capacidade de permanecer submersos depende de utilizar lentamente o oxigênio armazenado antes de cada descida.
Por que os batimentos cardíacos diminuem durante o mergulho?
O fenômeno recebe o nome de bradicardia de mergulho e integra o reflexo de mergulho dos mamíferos. Quando o elefante-marinho submerge, sua frequência cardíaca diminui, enquanto determinados vasos sanguíneos se contraem. Essas respostas ajudam a preservar oxigênio para órgãos essenciais.
O coração não mantém necessariamente uma frequência constante durante toda a descida. Profundidade, atividade muscular e duração influenciam seu funcionamento. Entre os principais mecanismos fisiológicos estão:
- Redução da frequência cardíaca durante a submersão;
- Contração de vasos sanguíneos periféricos;
- Preservação da circulação para órgãos vitais;
- Utilização do oxigênio armazenado no sangue;
- Aproveitamento das reservas musculares de mioglobina.
Este vídeo mostra um elefante-marinho-do-norte nadando e mergulhando.
Onde o elefante-marinho armazena tanto oxigênio?
Diferentemente do que se poderia imaginar, a maior parte do oxigênio utilizado nesses mergulhos não permanece nos pulmões. Os elefantes-marinhos apresentam elevado volume sanguíneo e grandes concentrações de hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue.
Seus músculos também contêm muita mioglobina, proteína que armazena oxigênio diretamente no tecido muscular. Essa combinação permite manter atividades durante períodos prolongados sem respirar. Em mergulhos profundos, os pulmões sofrem compressão, reduzindo sua contribuição para o armazenamento de gases e limitando a absorção de nitrogênio.
O que os estudos descobriram sobre o coração desses animais?
Um estudo publicado na revista Journal of Experimental Biology, em 2023, examinou como elefantes-marinhos-do-sul administram suas reservas de oxigênio durante diferentes tipos de mergulho. Os pesquisadores analisaram padrões comportamentais e fisiológicos para compreender a relação entre duração, profundidade e consumo energético.
Pesquisas anteriores também registraram reduções cardíacas extraordinárias. Em elefantes-marinhos-do-norte, foram observados valores instantâneos próximos de três batimentos por minuto. Entretanto, esses números representam situações extremas, não a frequência média de todos os mergulhos. O funcionamento cardiovascular varia continuamente conforme as necessidades do animal.

Como o organismo reduz o consumo de energia no fundo do oceano?
A economia de oxigênio envolve ajustes circulatórios e comportamentais. Durante determinadas fases da descida, os elefantes-marinhos aproveitam a flutuabilidade negativa para deslizar pela água, reduzindo a necessidade de movimentos musculares constantes.
Também ocorre redistribuição do fluxo sanguíneo, diminuindo o fornecimento de oxigênio para tecidos menos prioritários. Isso não significa que todo o metabolismo seja interrompido. O cérebro, o coração e os músculos continuam funcionando, mas o organismo administra cuidadosamente as reservas disponíveis.
Por que o elefante-marinho suporta condições perigosas para humanos?
Durante mergulhos prolongados, a concentração de oxigênio no sangue pode atingir níveis que seriam extremamente perigosos para uma pessoa. Entretanto, os elefantes-marinhos apresentam adaptações fisiológicas que permitem tolerar essas condições sem sofrer necessariamente os mesmos efeitos observados em humanos.
Essas características despertam interesse de pesquisadores que investigam hipóxia, circulação sanguínea e proteção dos tecidos contra a falta de oxigênio. Contudo, os mecanismos ainda não estão completamente esclarecidos, e não podem ser reproduzidos diretamente em pessoas. O elefante-marinho demonstra como a evolução aperfeiçoou diferentes estratégias para explorar as profundezas do oceano, mantendo funções vitais mesmo durante longos períodos sem respirar.
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