Depois de quase 50 anos servindo refeições em restaurantes, rede entra em falência após fechar ao menos 118 unidades em três anos, porque queda prolongada de clientes foi agravada pela pandemia e tornou necessário renegociar dívidas para continuar aberta
As vendas da rede nos Estados Unidos caíram 13% em 2018, dois anos antes do pedido de recuperação judicial

O que você vai ver
- Qual rede de restaurantes entrou em falência depois de quase 50 anos de operação.
- Por que a queda de clientes já vinha acontecendo bem antes da pandemia.
- Quanto o faturamento da rede havia caído num único ano antes do pedido.
- O que diferencia essa falência de outras causadas diretamente pela pandemia.
- O que a empresa buscava preservar ao entrar com o pedido de recuperação judicial.
Depois de quase 50 anos servindo refeições em restaurantes de atendimento completo, uma rede de alimentação entrou em falência logo depois de fechar ao menos 118 unidades em três anos, processo no qual uma queda prolongada no fluxo de clientes foi agravada pela pandemia e tornou necessário renegociar dívidas para manter as demais unidades abertas.
Qual rede de restaurantes entrou em falência depois de quase 50 anos de operação?
A empresa em questão é a Ruby Tuesday, rede americana de restaurantes de atendimento completo fundada há quase cinco décadas, que pediu proteção via Chapter 11 em 7 de outubro de 2020, na Justiça do Distrito de Delaware, então controlada pela gestora de private equity NRD Capital desde 2017.
No momento do pedido, a empresa já vinha de um processo de redução de unidades que começara anos antes da pandemia, movimento que reduziu significativamente o tamanho da rede sem, no entanto, ser suficiente para estabilizar sozinho as finanças da companhia diante da crise sanitária que se seguiu.

Por que a queda de clientes já vinha acontecendo bem antes da pandemia?
O próprio pedido de falência reconheceu que o setor de restaurantes casuais já enfrentava um “declínio em todo o setor no número de visitas de clientes, particularmente em restaurantes de atendimento completo”, tendência estrutural que antecedia em anos qualquer impacto relacionado à Covid-19.
Foi justamente essa tendência de fundo que levou a Ruby Tuesday a fechar pelo menos 118 restaurantes entre 2017 e 2019, processo de redução que buscava adequar o tamanho da rede a uma demanda já em queda, mas que não foi suficiente para evitar que a empresa chegasse à pandemia em posição financeira frágil.
Quanto o faturamento da rede havia caído num único ano antes do pedido?
As vendas da Ruby Tuesday nos Estados Unidos recuaram 13% em 2018, caindo para 721 milhões de dólares, equivalentes a aproximadamente R$ 3,82 bilhões, naquele ano, retração que evidenciava a dificuldade crescente da rede em sustentar o volume de clientes necessário para manter a operação em patamar saudável mesmo antes de qualquer impacto da pandemia.
Esse tipo de queda consistente de faturamento ano após ano é o que normalmente antecede pedidos de recuperação judicial no setor de restaurantes, já que margens já apertadas tendem a se tornar insustentáveis quando a receita encolhe de forma continuada, sem uma reversão de tendência à vista.
O que diferencia essa falência de outras causadas diretamente pela pandemia?
Diferente de empresas cuja situação financeira era sólida até a pandemia interromper abruptamente a operação, a Ruby Tuesday já vinha de anos de fechamento de unidades e queda de faturamento, o que torna a Covid-19 um fator agravante de um problema estrutural preexistente, não a causa isolada da falência.
O CEO Shawn Lederman declarou publicamente que as medidas tomadas visavam “reposicionar a empresa para estabilidade de longo prazo” à medida que o setor se recuperava do “impacto sem precedentes da Covid-19”, frase que reconhece implicitamente que a pandemia precisava ser superada a partir de uma base já fragilizada, não de uma operação até então estável.

O que a empresa buscava preservar ao entrar com o pedido de recuperação judicial?
Mesmo durante o processo de Chapter 11, os restaurantes da Ruby Tuesday permaneceram abertos ao público, já que a empresa buscava usar a proteção judicial especificamente para renegociar dívidas e preservar os empregos de milhares de funcionários, em vez de partir diretamente para uma liquidação total da operação.
Essa escolha por manter as portas abertas durante a reestruturação reflete uma estratégia comum em falências do setor de restaurantes, em que o valor da marca e da operação em funcionamento costuma ser maior do que o valor de liquidação dos ativos físicos isoladamente, justificando o esforço de reorganização em vez do fechamento imediato.
Empresas que também precisaram recorrer à proteção judicial depois de anos de queda de faturamento, mesmo antes de qualquer choque externo recente, aparecem no relato sobre a rede de moda praiana que teve mais de 65% de sua dívida principal convertida em participação acionária dos novos donos.
Mais detalhes sobre a falência da Ruby Tuesday estão disponíveis na reportagem do Investing.com.
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