Um braço de galáxia ficou grande demais e a vizinha logo abaixo pode ser a responsável por puxá-lo com a gravidade
Galáxia de aproximadamente 200 mil anos-luz apresenta um braço espiral alongado que pode ter sido deformado pela atração gravitacional de NGC 770
A aproximadamente 100 milhões de anos-luz da Terra, uma galáxia espiral apresenta uma deformação impressionante: um de seus braços se estende muito além dos demais, formando uma estrutura claramente assimétrica. Conhecida como Arp 78 ou NGC 772, ela possui cerca de 200 mil anos-luz de diâmetro. A explicação mais provável envolve a atração gravitacional de uma companheira menor, chamada NGC 770, capaz de modificar a distribuição de estrelas e gás ao longo de milhões de anos.
Por que a Arp 78 possui um braço espiral tão desproporcional?
Localizada na constelação de Áries, a Arp 78 apresenta um núcleo luminoso cercado por braços espirais de extensões diferentes. Um deles se projeta muito além da região central, acompanhando faixas escuras de poeira e agrupamentos azulados de estrelas jovens. Essa estrutura destaca a galáxia entre outros sistemas espirais observados pelos telescópios.
A assimetria provavelmente não surgiu de maneira isolada. Interações gravitacionais podem alterar as órbitas de estrelas e nuvens de gás, modificando o desenho dos braços espirais. No caso da NGC 772, a proximidade de uma galáxia companheira oferece uma explicação consistente para o alongamento observado.
Como a gravidade de NGC 770 pode deformar a Arp 78?
A NGC 770 é uma galáxia elíptica anã associada à espiral maior. Apesar de possuir dimensões menores, sua atração gravitacional pode provocar perturbações importantes. Isso acontece porque diferentes regiões da galáxia principal experimentam intensidades distintas de atração durante a interação.
Essas diferenças são conhecidas como forças de maré gravitacionais. Ao longo do tempo, elas podem redistribuir matéria e intensificar estruturas existentes. Entretanto, a aparência atual não permite reconstruir completamente a trajetória orbital das duas galáxias nem determinar quando ocorreu a principal perturbação.
Os principais elementos dessa interação incluem:
- NGC 772: galáxia espiral com aproximadamente 200 mil anos-luz de diâmetro;
- NGC 770: companheira elíptica anã associada à deformação gravitacional;
- Forças de maré: diferenças de atração capazes de modificar estruturas galácticas;
- Braço externo: região alongada que apresenta poeira e agrupamentos estelares azulados.
O vídeo apresenta imagens da NGC 772 e de sua estrutura assimétrica.
O que as imagens da Arp 78 revelam sobre suas estrelas?
Observações realizadas pelo telescópio Gemini North, no Havaí, mostram o braço externo com detalhes de sua distribuição de poeira e estrelas. Regiões azuladas indicam a presença de populações estelares jovens e quentes, enquanto faixas escuras revelam material interestelar que absorve parte da luz.
As imagens também registram numerosas galáxias mais distantes ao fundo. Essas estruturas não pertencem necessariamente ao sistema da NGC 772. Distinguir objetos próximos de fontes projetadas na mesma direção é fundamental para interpretar corretamente as interações gravitacionais.
Por que a NGC 772 entrou no catálogo de galáxias peculiares?
O astrônomo Halton Arp publicou, em 1966, um catálogo reunindo 338 sistemas galácticos com características morfológicas incomuns. A NGC 772 recebeu a identificação Arp 78 principalmente por sua aparência assimétrica e pela presença de uma companheira menor.
Em março de 2022, o observatório Gemini North divulgou uma imagem detalhada do sistema. A publicação institucional do NOIRLab explica que a interação gravitacional com NGC 770 provavelmente deformou o braço espiral. Essa interpretação também aparece em observações divulgadas anteriormente pelo telescópio espacial Hubble.

Qual é o tamanho da Arp 78 em comparação com a Via Láctea?
Com cerca de 200 mil anos-luz de diâmetro estimado, a Arp 78 supera a extensão normalmente atribuída ao disco estelar principal da Via Láctea. Entretanto, essas comparações dependem dos limites considerados, porque os componentes mais tênues das galáxias podem alcançar distâncias muito superiores às regiões visualmente brilhantes.
Outra diferença aparece na estrutura central. A Via Láctea é classificada como espiral barrada, enquanto NGC 772 não apresenta uma barra estelar central proeminente. Seus braços se desenvolvem diretamente a partir da região interna, produzindo uma organização distinta.
| Característica | Arp 78 | Via Láctea |
|---|---|---|
| Diâmetro aproximado | 200 mil anos-luz | 100 mil anos-luz no disco principal |
| Classificação | Espiral não barrada | Espiral barrada |
| Braços espirais | Um braço externo muito alongado | Estrutura espiral múltipla |
| Companheira relevante | NGC 770 | Nuvens de Magalhães |
O que pode acontecer com essas duas galáxias no futuro?
As interações gravitacionais podem continuar alterando a distribuição de estrelas, gás e poeira da NGC 772. Dependendo das órbitas envolvidas, encontros posteriores poderiam intensificar deformações ou reorganizar outras regiões do disco galáctico.
Entretanto, as observações disponíveis não demonstram que NGC 772 e NGC 770 necessariamente colidirão ou se fundirão. Uma previsão confiável exigiria informações detalhadas sobre massas e movimentos tridimensionais. O braço alongado constitui uma possível evidência de interação gravitacional, mas não determina sozinho o destino do sistema.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)