Reale Junior declara voto em Lula e critica Flávio Bolsonaro
Jurista que ajudou a pedir o impeachment de Dilma afirma que apoiar o senador significa aprovar a anistia ao 8 de janeiro
O advogado Miguel Reale Junior, um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), anunciou nesta quarta-feira, 7, que votará em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.
Em carta divulgada no Instagram com o título “Cuidado com o precipício”, ele sustenta que escolher o senador Flávio Bolsonaro (PL) equivale a aderir à proposta de perdão aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Anistia e a tentativa de golpe
Ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso, Reale Junior afirma que o eleitor de Flávio assume responsabilidade pela medida: “Cada eleitor de Flávio deve ficar ciente de que ao escolhê-lo está a admitir a anistia, ou seja, referendando a invasão das sedes dos três Poderes e a tentativa de anulação pela força da eleição fidedigna de 2022”.
Para o jurista, o gesto tem peso político maior: “Votar em Flávio é, portanto, legitimar o golpe, dando sinal de aprovação à tentativa de assunção ao poder pela força e de desamor à democracia”, escreve.
Segurança pública e relação com os EUA
A carta também critica a posição do candidato sobre a classificação de facções criminosas como grupos terroristas, adotada pelo presidente americano, Donald Trump. Segundo Reale Junior, essas organizações atuam por motivação econômica, e não com o objetivo de provocar “terror social”.
Ele diz que Flávio apoiou a medida para atender aos Estados Unidos, o que abriria espaço para intervenção estrangeira.
O advogado ainda questiona a admiração do senador pelo modelo salvadorenho de segurança. De acordo com o autor, o sistema se baseia em encarceramento preventivo e em massa de milhares de suspeitos, o que criaria “um estado policial opressor pavoroso”. Ele avalia que a eleição de Flávio pode levar à “repressão indiscriminada, sem o devido processo penal”.
Congresso e comparação com o PT
Reale Junior considera que o resultado das urnas para o Congresso Nacional amplia os riscos institucionais, pois elegeu parlamentares de “direita radical”. Segundo ele, esse grupo é contra direitos das minorias, cotas e feminismo, e defende a redução da maioridade penal.
O jurista admite que o PT e Lula mostram desgaste e que há cansaço da sociedade com o discurso petista: “Todavia, uma coisa é segura: com os governos petistas não se instala a apologia ou a tentativa do golpe militar, se preserva nossa independência e não se promove um estado policialesco”.
Em 2022, Reale Junior já havia apoiado Lula no primeiro turno, sob o argumento de evitar um mal maior e de que o petista não representava ameaça de golpe.
Resultado do primeiro turno
No dia 4, Lula terminou a primeira etapa da votação em segundo lugar, com 45,16% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro somou 47,03%, cerca de dois pontos percentuais a mais. O segundo turno ocorrerá em quinze dias, segundo a carta do jurista, que diz desejar que o país não viva “sob o signo da violência”.
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Comentários (1)
Marian
07.10.2026 21:12Receia um futuro com repressão indiscriminada? O que temos agora? Que argumento banal! Basta se assumir como uma pessoa de esquerda não é mesmo