Dezoito fósseis esquecidos ajudaram a empurrar o Homo erectus 200 mil anos para trás na história
Um fragmento craniano adulto reforça que Homo erectus já estava presente no sul da África há aproximadamente 2 milhões de anos
Durante décadas, parte dos fósseis retirados de Drimolen, na África do Sul, permaneceu sem descrição científica completa. Agora, pesquisadores analisaram 18 desses exemplares e encontraram entre eles um fragmento de crânio adulto atribuído a Homo erectus. O Homo erectus em Drimolen já estava presente entre aproximadamente 2,04 e 1,95 milhões de anos atrás, reforçando uma cronologia cerca de 200 mil anos anterior àquela tradicionalmente representada pelos fósseis adultos de outras regiões.
Por que o Homo erectus em Drimolen ficou tanto tempo escondido nas coleções?
A pedreira principal de Drimolen começou a produzir fósseis de hominínios após sua descoberta em 1992. Ao longo das escavações, porém, nem todo fragmento recebeu imediatamente uma descrição anatômica completa. Alguns dos exemplares analisados agora haviam sido encontrados décadas atrás.
O novo trabalho examinou 18 restos cranianos e mandibulares recuperados entre 1992 e 2019. Quatorze foram atribuídos a Paranthropus robustus, três permaneceram classificados apenas como hominínios indeterminados e um, denominado DNH 127, apresentou características compatíveis com Homo erectus.
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O que o fragmento DNH 127 acrescentou à história da espécie?
DNH 127 preserva parte do crânio de um indivíduo adulto. Isso é importante porque o famoso DNH 134, encontrado anteriormente no mesmo depósito e descrito em 2020, pertencia a uma criança que teria aproximadamente dois a quatro anos de idade.
A identificação do adulto fornece uma segunda linha de evidência para a presença precoce de Homo erectus no sul da África. Ela reduz a possibilidade de que características observadas no jovem DNH 134 fossem resultado apenas de sua idade.
- DNH 127 pertence a um adulto;
- DNH 134 pertence a um indivíduo infantil;
- Ambos vêm do depósito de Drimolen;
- O depósito tem aproximadamente 2 milhões de anos;
- Os dois fósseis apresentam afinidades com Homo erectus.
Este vídeo apresenta Drimolen e o mais antigo registro conhecido de Homo erectus no sítio.
Como o Homo erectus em Drimolen foi colocado perto de 2 milhões de anos?
A idade não foi obtida simplesmente medindo os próprios fragmentos cranianos. Pesquisas anteriores combinaram diferentes métodos para estabelecer a cronologia da sequência sedimentar de Drimolen, incluindo paleomagnetismo, datação urânio-chumbo de depósitos calcários e ressonância de spin eletrônico associada às séries de urânio.
Essas abordagens restringiram a principal fase de deposição da pedreira a aproximadamente 2,04–1,95 milhões de anos. Como DNH 127 pertence a esse contexto, sua idade é determinada pela posição dentro do depósito e pela cronologia geológica do sítio.
Os 18 fósseis realmente mudaram sozinhos a idade conhecida de Homo erectus?
Não. O novo estudo publicado na Annals of Human Biology reforça uma conclusão que começou a ganhar força em 2020, quando DNH 134 foi descrito e datado no mesmo intervalo. A descoberta daquele crânio juvenil já havia estendido o registro atribuído à espécie.
DNH 127 torna o argumento mais robusto porque acrescenta um indivíduo adulto independente. Em comparação, fósseis adultos clássicos de Homo erectus de Dmanisi, na Geórgia, estão perto de 1,8 milhão de anos, aproximadamente 200 mil anos mais recentes.

Que espécies dividiam Drimolen quando Homo erectus apareceu?
Drimolen não preserva uma paisagem ocupada apenas pelo gênero Homo. Paranthropus robustus era muito mais abundante no conjunto fóssil, e evidências regionais mostram que diferentes linhagens de hominínios coexistiam no sul da África aproximadamente nessa época.
Os 18 novos fósseis reforçam especialmente a predominância de P. robustus. A coexistência mostra que a evolução humana não ocorreu como uma sequência simples em que uma espécie desaparecia antes de outra surgir.
Por que o Homo erectus em Drimolen muda a discussão sobre nossas origens?
Durante muito tempo, registros perto de 1,8–1,9 milhão de anos na África Oriental e em Dmanisi ocupavam posição central nas discussões sobre o início da espécie. Drimolen mostra que formas atribuídas a Homo erectus já estavam no extremo sul do continente em uma época ainda mais antiga.
Isso não prova onde a espécie surgiu. O registro fóssil continua fragmentário, e novos achados podem alterar novamente o quadro. O que DNH 127 faz é fortalecer uma conclusão importante: há cerca de 2 milhões de anos, o sul da África já fazia parte da história inicial de Homo erectus.
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