Ex-chefe da inteligência alemã é preso por suspeita de traição
August Hanning foi detido após a descoberta de documentos sigilosos em investigação sobre sequestro de crianças
A Procuradoria-Geral da Alemanha, sediada em Karlsruhe, anunciou na terça-feira, 6, a prisão de August Hanning, ex-presidente do Serviço Federal de Inteligência (BND), e de Manfred D., seu antigo chefe de gabinete.
Ambos são suspeitos de espionagem e traição. Segundo a imprensa alemã, Manfred D. teria repassado a Hanning, ao longo de vários anos, informações de alto grau de sigilo.
Investigação começou por outro caso
A detenção decorreu de apuração sobre outro crime. Hanning era investigado no inquérito sobre o sequestro dos dois filhos mais novos da empresária Christina Block, de Hamburgo, ocorrido em janeiro de 2024. As crianças foram retiradas do pai, ex-marido dela, na Dinamarca, em meio a uma disputa de guarda que se arrastava havia anos.
A Promotoria de Hamburgo acusa Christina, herdeira da rede de restaurantes Block House, de ter encomendado o sequestro no fim de 2023. Segundo os investigadores, Hanning teria participado de uma tentativa anterior de levar as crianças. Ele nega a acusação.
Dispositivo de armazenamento revelou documentos
Ao examinar o material apreendido com Hanning no ano passado, agentes do Departamento Estadual de Investigação Criminal (LKA) encontraram um dispositivo de armazenamento com dados sensíveis. O achado levou a Procuradoria-Geral a pedir a prisão. As informações foram divulgadas pelas emissoras WDR e NDR e pelo jornal Süddeutsche Zeitung.
De acordo com as apurações, o ex-chefe do BND possuía documentos ultrassecretos que não deveria ter em seu poder. Em grande parte, eram informes preparados para as reuniões semanais de inteligência na Chancelaria Federal, em Berlim, nas quais os dirigentes dos órgãos de segurança trocam informações.
Os relatórios tratavam de temas como o programa nuclear do Irã e o Exército russo. Fontes da área de segurança afirmaram que o material incluía dados fornecidos por serviços de inteligência de países parceiros.
Contexto e próximos passos
Hanning deixou o comando do BND em novembro de 2005. Cerca de 2 mil documentos teriam sido entregues a ele por Manfred D., e o ex-presidente é acusado de cumplicidade.
A Procuradoria-Geral não informou a qual serviço de inteligência estrangeiro ou país Hanning teria prestado serviços. Segundo as emissoras e o jornal citados, as suspeitas não têm relação com a Rússia.
Entre serviços de inteligência, o vazamento desse tipo de material é considerado uma “catástrofe absoluta”. Agências parceiras poderiam perder a confiança no BND e interromper o compartilhamento de informações.
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