Chefe da inteligência alemã vê risco de conflito com Rússia
Martin Jaeger, do BND, afirmou ao Parlamento que Moscou intensifica ações contra a Alemanha e que há ameaça de novos ataques
O diretor do serviço de inteligência da Alemanha (BND), Martin Jaeger, advertiu nesta segunda-feira, 5, que o país pode ser levado a um confronto violento com a Rússia. A declaração foi feita em audiência pública anual com os chefes dos órgãos de inteligência, no Parlamento alemão.
De acordo com Jaeger, Moscou amplia uma campanha não declarada contra as democracias europeias, e a Alemanha enfrenta risco “real e iminente” de novas tentativas de intimidação e interferência, inclusive de ataque nuclear.
Ofensiva fora do campo militar
Jaeger descreveu a atuação russa como uma “guerra nas sombras”: “Essa guerra não declarada não pode ser compreendida por meio das categorias militares ou jurídicas convencionais”, afirmou. Como exemplo, citou a tentativa de ataque com drones no aeroporto de Leipzig.
Autoridades alemãs acusam a Rússia, repetidas vezes, de conduzir uma guerra híbrida, que combina ataques cibernéticos, drones, espionagem e sabotagem. O governo russo nega a prática.
De acordo com o chefe do BND, o objetivo do Kremlin é fazer com que a Alemanha, maior apoiadora da Ucrânia, deixe de ajudar Kiev: “Se a Alemanha vacilar, toda a Europa — e o apoio da Europa à Ucrânia — começaria a ruir. Esse é o eixo de ataque que a Rússia mira e persegue”, disse.
Países bálticos e a Otan
Jaeger afirmou que as operações dos serviços russos na Alemanha e contra o país estão “cada vez mais agressivas”. Para ele, Moscou observa a reação alemã: “A Rússia está nos testando e observando atentamente como lidamos com essa situação”.
O diretor disse não haver indícios de um ataque russo em larga escala e iminente contra o território da Otan. Ainda assim, a Rússia poderia realizar ações militares de baixa intensidade, especialmente nos países bálticos.
Segundo ele, elas poderiam incluir o uso de soldados mascarados, com uniformes sem identificação, como na anexação da Crimeia, em 2014. A meta seria verificar como a aliança responde.
“Moscou aposta na nossa fraqueza. Temos de resistir a isso”, declarou.
Sabotagem e assassinatos
Também presente na audiência, Sinan Selen, chefe do Departamento Federal de Proteção da Constituição, responsável por ameaças internas, afirmou que a atuação russa vai além da espionagem tradicional e inclui sabotagem e assassinatos: “A indústria de defesa e a infraestrutura militar estão na mira”, disse. Segundo ele, Moscou “já aceita o risco de possíveis vítimas civis”.
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