Técnico abre a geladeira e começa o conserto antes de dizer o preço, mas o consumidor interrompe o serviço ao descobrir que o orçamento deveria vir primeiro
CDC exige informação antecipada sobre custos e autorização do consumidor antes da execução do reparo
O técnico chega, desmonta parte da geladeira e começa a trabalhar antes de informar quanto cobrará. Quando o consumidor percebe isso, interrompe o reparo. O orçamento prévio é um direito previsto no Código de Defesa do Consumidor, e a autorização do cliente deve anteceder a execução do serviço, salvo situações específicas previstas na própria legislação.
Por que o orçamento prévio deve aparecer antes do conserto?
O artigo 40 do CDC determina que o prestador entregue um orçamento prévio antes da execução. Não basta informar apenas um valor aproximado depois de desmontar o equipamento: o documento deve permitir que o consumidor saiba antecipadamente quanto pagará e quais serviços serão realizados.
Além disso, o artigo 39, inciso VI, classifica como prática abusiva executar serviços sem prévia elaboração de orçamento e autorização expressa do consumidor, ressalvadas situações decorrentes de práticas anteriores entre as partes. Portanto, chamar um técnico para avaliar a geladeira não equivale automaticamente a autorizar o reparo.
O técnico pode desmontar a geladeira apenas para descobrir o defeito?
Uma avaliação técnica pode exigir testes ou alguma desmontagem para identificar o problema. Isso, porém, deve ser diferenciado do início efetivo do reparo. Se existir cobrança pelo diagnóstico ou pela elaboração do orçamento, o consumidor precisa ser informado previamente dessa condição e concordar com ela.
O problema surge quando o técnico passa da análise para troca de peças, reparos ou outros procedimentos cobrados sem apresentar as condições e receber autorização. Para reduzir discussões posteriores, o ideal é registrar claramente se a visita foi solicitada apenas para avaliação ou também para realização imediata de determinado serviço.
- Valor da mão de obra;
- Materiais e equipamentos empregados;
- Condições de pagamento;
- Data prevista para início;
- Data prevista para término;
- Autorização antes do reparo.
Este caso real mostra uma assistência realizando conserto sem autorização do cliente.
O que deve constar no orçamento prévio?
O orçamento prévio precisa discriminar o valor da mão de obra, os materiais e equipamentos que serão empregados, as condições de pagamento e as datas de início e término do serviço. Isso permite comparar alternativas antes de decidir se vale a pena consertar a geladeira.
Salvo estipulação diferente, o valor orçado tem validade de dez dias contados do recebimento pelo consumidor. Depois que o orçamento é aprovado, suas condições vinculam as partes e não podem simplesmente ser modificadas pelo técnico durante o conserto.
O consumidor pode mandar parar o serviço imediatamente?
Se o reparo começou sem orçamento e sem autorização, o consumidor pode manifestar claramente que não autorizou sua continuidade. O próprio Código de Defesa do Consumidor estabelece tanto a necessidade do orçamento prévio quanto a vedação à execução não autorizada.
É recomendável registrar o ocorrido por mensagem, ordem de serviço ou outro meio que demonstre em qual momento o trabalho foi interrompido. Uma eventual taxa de visita ou diagnóstico é situação diferente: ela pode existir quando tiver sido informada previamente e aceita pelo consumidor.

O orçamento prévio pode aumentar depois de aprovado?
Depois que o orçamento prévio é aceito, o fornecedor não pode adicionar unilateralmente novas peças ou custos. O artigo 40 estabelece que qualquer alteração depende de livre negociação entre as partes. Isso também vale quando um novo defeito é descoberto durante o trabalho.
O CDC ainda determina que o consumidor não responde por ônus ou acréscimos decorrentes da contratação de serviços de terceiros que não estejam previstos no orçamento. Assim, uma ligação dizendo que “foi preciso fazer mais coisas” não substitui uma nova autorização.
O que fazer quando o técnico já começou sem autorização?
O primeiro passo é pedir que o trabalho seja interrompido e esclarecer que nenhum conserto foi autorizado. Fotografias da geladeira, mensagens, comprovantes da solicitação da visita e eventual ordem de serviço ajudam a demonstrar exatamente o que havia sido combinado antes da intervenção.
Se houver cobrança por um reparo não autorizado e não for possível resolver diretamente com o prestador, o consumidor pode recorrer aos canais de defesa do consumidor. Cada situação deve considerar aquilo que foi previamente combinado, especialmente se havia alguma autorização anterior para diagnóstico ou serviço específico.
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