Dirceu e Delúbio não conseguem se eleger deputados
Nomes históricos do PT, eles foram condenados no âmbito dos escândalos do mensalão e do petrolão
Nem José Dirceu nem Delúbio Soares, nomes históricos do PT condenados no âmbito dos escândalos do mensalão e do petrolão, conseguiram se eleger como deputados no domingo, 4 de outubro.
Candidato por São Paulo, Dirceu recebeu 78.450 votos. Já Delúbio, que concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados por Goiás, recebeu 14.218 votos.
“Agradeço pelos mais de 78 mil votos, por cada abraço, por cada gota de suor nas ruas e pelo engajamento dos nossos apoiadores nas redes. Seguimos na luta para eleger Lula no segundo turno e garantir o futuro do nosso país”, afirmou Dirceu no Instagram.
João Paulo Cunha, outro petista envolvido no mensalão, foi eleito deputado por São Paulo com 109.548 votos.
As condenações de Dirceu
Dirceu montou um esquema de pagamentos mensais de propinas para parlamentares, o mensalão, para que eles votassem as pautas de interesse do governo Lula.
Em 2012, ele foi condenado a 10 anos e 10 meses de prisão, por corrução ativa e formação de quadrilha.
Mais tarde, ele também foi condenado após ser acusado pela Lava Jato, no escândalo do petrolão.
Em 2016, ele foi condenado a 23 anos e 3 meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Ele teria recebido 15 milhões de reais propinas da empreiteira Engevix, que ganhou cinco contratos de obras da Petrobras.
Em 2017, Dirceu ganhou mais 11 anos e 3 meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Foi acusado por receber 2 milhões de reais da empreiteira UTC, que ganhava contratos na Petrobras.
Delúbio Soares
Um dos fundadores do PT, Delúbio foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, no mensalão, inicialmente por corrupção ativa e formação de quadrilha, a uma pena total de 8 anos e 11 meses. Em 2014, porém, o próprio Supremo absolveu Delúbio do crime de formação de quadrilha ao julgar embargos infringentes. Ficou mantida apenas a condenação por corrupção ativa, de 6 anos e 8 meses. Notícias STF
Delúbio começou a cumprir a pena, mas, em 2016, o ministro Luís Roberto Barroso concedeu indulto presidencial, porque ele preenchia os requisitos do decreto vigente. Com isso, a punição foi extinta.
Já na Lava Jato, ele foi condenado em 2017 por lavagem de dinheiro. A pena, inicialmente de 5 anos, foi elevada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) para 6 anos de prisão, em regime fechado. Delúbio chegou a cumprir cerca de dois anos de pena.
Essa condenação, porém, foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça em março de 2023. O ministro Ribeiro Dantas concluiu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era competente para julgar o caso e determinou a remessa para a Justiça Eleitoral. Portanto, juridicamente, aquela condenação deixou de valer.
Depois, já na Justiça Eleitoral, houve extinção da punibilidade por prescrição em relação às acusações de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral.
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