Depois de mais de um século, tradicional varejista admite que não consegue mais continuar e prepara o fechamento de quase 300 lojas, atingindo 8.400 trabalhadores
Sem liquidez para sustentar a operação, a rede iniciou uma grande liquidação depois que tentativas anteriores de reorganização não avançaram.
Em agosto de 2020, uma varejista americana fundada no início do século XX chegou ao ponto em que já não tinha liquidez suficiente para seguir operando normalmente. A Stein Mart entrou no Chapter 11 e iniciou a liquidação de centenas de lojas, enquanto milhares de trabalhadores ficaram expostos ao encerramento.
O que levou a Stein Mart a pedir recuperação judicial?
A companhia entrou com o pedido de proteção do Chapter 11 em 12 de agosto de 2020, na Flórida. A direção afirmou que a combinação entre um ambiente difícil para o varejo e os efeitos da pandemia de Covid-19 provocou forte pressão financeira.
A empresa renegociou crédito, reduziu despesas e salários e colocou funcionários em licença temporária. Mesmo após a reabertura das lojas, as vendas continuaram abaixo dos níveis do ano anterior, enquanto a companhia buscava preservar caixa.

Quantas lojas estavam envolvidas no encerramento?
No início de 2020, a Stein Mart operava 283 unidades em 30 estados. Duas haviam sido fechadas antes do meio do ano e, quando a liquidação avançou em agosto, o encerramento alcançou 279 lojas espalhadas pelos Estados Unidos.
Isso explica por que o episódio costuma ser descrito como o fechamento de quase 300 unidades. A empresa inicialmente informou que esperava encerrar uma parcela significativa, possivelmente todas as lojas físicas, e logo iniciou vendas de liquidação em toda a rede restante.
Os principais números ajudam a dimensionar a operação:
De onde vem o número de 8.400 trabalhadores?
Em fevereiro de 2020, a empresa ainda registrava aproximadamente 9 mil empregados. Depois do impacto inicial da pandemia e dos cortes de despesas, o número informado para 30 de maio de 2020 havia recuado para cerca de 8.400 trabalhadores.
Desses, aproximadamente 5.200 permaneciam em licença temporária. O fechamento físico colocou essa força de trabalho diante de um processo que atingia lojas, centros de distribuição e funções corporativas ligadas à rede.
Por que uma empresa fundada em 1908 chegou a esse ponto?
A história da Stein Mart começou em 1908, quando Sam Stein abriu um negócio em Greenville, Mississippi. Décadas depois, a rede havia se transformado em uma varejista nacional de roupas, calçados, acessórios e artigos para casa.
A longevidade não eliminou os problemas recentes. A empresa enfrentava competição intensa, mudanças no varejo e dificuldades financeiras antes da pandemia. O fechamento temporário das lojas em março de 2020 retirou receita quando a companhia já tentava melhorar sua liquidez.
Houve uma tentativa de vender a empresa antes da falência?
Sim. Em janeiro de 2020, a Stein Mart anunciou um acordo de fusão com uma afiliada da Kingswood Capital Management. A operação poderia colocar a companhia sob novo controle, mas o negócio não chegou ao fim.
Em abril, diante das incertezas provocadas pela pandemia, as partes encerraram o acordo. Meses depois, a varejista dizia não possuir liquidez suficiente para continuar normalmente e passou a considerar a liquidação como forma de maximizar o valor dos ativos.
O pedido de Chapter 11 significava que todas as lojas fechariam imediatamente?
Não. O Chapter 11 permitiu que a companhia continuasse funcionando temporariamente sob supervisão judicial. Salários, benefícios e pagamentos necessários à operação ainda poderiam ser feitos mediante as autorizações previstas no processo.
No entanto, a estratégia anunciada já apontava para o encerramento físico. O comunicado arquivado na SEC informou que a empresa havia iniciado vendas de fechamento e avaliaria separadamente alternativas para o comércio eletrônico e a propriedade intelectual.
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