Braide fura polarização no MA e derrota grupos de Dino e do governador
Ex-prefeito da capital maranhense, São Luís, se aproveitou da disputa entre os grupos do ministro STF e de Carlos Brandão
O ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) conseguiu algo que Ronaldo Caiado (PSD) não conseguiu nacionalmente: furar uma polarização entre grupos antagônicos e foi eleito governador do Maranhão em primeiro turno.
Com 99,16 % das urnas apuradas, Braide contou com 54,09% dos votos válidos contra 34,72 % de Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB), e de Felipe Camarão (PT), vice-governador e aliado do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino.
Braide lançou sua candidatura com o aval e total suporte da executiva nacional do PSD. Ao ser eleito, ex-prefeito pode agora ocupar um vácuo de poder deixado pela disputa entre os grupos de Camarão e Brandão.
De vice amigo a adversário do grupo de Flávio Dino
Carlos Brandão foi vice-governador nos dois mandatos de Flávio Dino e assumiu o governo em 2022, quando Dino deixou o cargo para disputar o Senado.
A relação entre os dois, porém, deteriorou-se depois que Brandão passou a construir uma estrutura política própria. Dino foi acusado pelo grupo de Brandão de usar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) para atingir o antigo aliado. O ministro, inclusive, é relator de um inquérito que pode resultar, inclusive, na prisão do chefe de Poder Executivo maranhense.
Dino também é padrinho político de Camarão. O candidato foi secretário em quatro pastas durante os dois governos do ex-governador e construiu sua carreira política sob a tutela do atual ministro do STF. Em setembro, chegou a dizer que o Brasil “merece ter Dino presidente” depois da passagem do ex-governador pelo Supremo.
Orleans, por sua vez, encarnou durante a campanha a continuidade de Brandão. O candidato foi secretário estadual de Assuntos Municipalistas e contou com o apoio da estrutura política montada pelo governador, além de prefeitos, deputados e partidos aliados.
Essa foi a sua primeira disputa política. Tanto que adversários passaram a apelidá-lo de “Bebezão”, em virtude da sua pouca experiência.
E na disputa entre os dois grupos, Braide ganhou vantagem. O ex-prefeito de São Luís conseguiu disputar simultaneamente eleitores que não necessariamente se identificaram com nenhum dos dois grupos em conflito.
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