PT mantém reduto político na Bahia após campanha focada no Caso Master
A disputa desse ano foi uma espécie de segundo capítulo da eleição de 2022 e foi marcada por troca de acusações sobre o Caso Master
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), foi reeleito neste domingo, 4, em uma disputa polarizada contra o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). Com 97,79% das urnas apuradas, Rodrigues tem 55,54% dos votos válidos (5.502.498) contra 43,98% dos votos válidos de ACM Neto (3.565.674).
A disputa desse ano foi uma espécie de segundo capítulo da eleição de 2022. Naquele ano, Jerônimo foi escolhido pelo PT para suceder Rui Costa, enquanto ACM Neto tentava retornar ao Palácio de Ondina depois de dois mandatos como prefeito de Salvador.
A diferença é que, quatro anos depois, nenhum dos dois conseguiu transformar a eleição em uma disputa folgada. Jerônimo usou a estrutura de um governo que está no poder desde 2007, enquanto ACM Neto tentou recuperar para a oposição um estado que se tornou um dos principais redutos eleitorais do PT no Nordeste.
A disputa entre ACM e Jerônimo foi contaminada pelas acusações relacionadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro. O caso passou a ser usado pelas duas campanhas para atingir adversários e aliados.
Petistas exploraram informações sobre relações de ACM Neto com o banco e acusações feitas no âmbito das investigações. O ex-prefeito recebeu 3,6 milhões de reais do Banco Master por serviços de consultoria e declarou que os pagamentos foram legítimos.
Do outro lado, aliados de ACM Neto passaram a explorar investigações envolvendo integrantes do entorno petista. O secretário estadual Eduardo Sodré, enteado do senador Jaques Wagner (PT), também foi citado no contexto das investigações, embora isso não estabeleça responsabilidade criminal de Wagner ou do próprio governo.
As relações de Wagner com o grupo de Daniel Vorcaro também foi explorada pela campanha de ACM Neto para tentar macular a imagem do petista.
Quem é Jerônimo Rodrigues?
Jerônimo Rodrigues, 61 anos, construiu sua trajetória política longe dos mandatos eletivos. Nascido em Aiquara, no interior da Bahia, é engenheiro agrônomo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e mestre em Desenvolvimento Rural.
Sua carreira foi marcada pela atuação em políticas de desenvolvimento rural e agricultura familiar. No governo federal, ocupou cargos no Ministério do Desenvolvimento Agrário, incluindo a Secretaria Nacional de Desenvolvimento Territorial. Na Bahia, aproximou-se do grupo político do PT e de Rui Costa, tornando-se secretário estadual de Desenvolvimento Rural entre 2015 e 2019 e, depois, secretário da Educação, de 2019 a 2022.
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