Raquel Lyra é reeleita governadora de Pernambuco e coloca futuro de João Campos em xeque
A eleição de Raquel representa um enfraquecimento político de João Campos, apontado até então como sucessor de Lula em 2030
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), foi reeleita neste domingo. Com 98,96% das urnas apuradas, ela tem 53,25% dos votos (2.776.550) contra 44,82% (2.336.547) do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB).
A eleição de Raquel representa não somente uma vitória do PSD como também um enfraquecimento político de João, que era apontado por aliados, por integrantes do petismo e pelo PSB, como um possível sucessor político do presidente Lula nas eleições de 2030.
Agora, João será obrigado a refazer sua trajetória para tentar voltar ao radar da esquerda ou em 2028 ou mesmo no próximo pleito geral.
Polarizado do início ao fim, o primeiro turno da eleição estadual em Pernambuco foi marcado por cartazes e panfletos apócrifos, com ataques pessoais e acusações contra a governadora.
Os cartazes diziam diretamente ou insinuavam que a candidata à reeleição matou o marido para se eleger em 2022.
Fernando Lucena sofreu um mal súbito na manhã do primeiro turno da eleição de 2022 e faleceu de um infarto, aos 44 anos.
Raquel Lyra chegou a publicar um vídeo para comentar os panfletos.
“Pude ver de perto a crueldade de quem não tem limites. Respeite minha família, respeite meus filhos, respeite quem não tá mais aqui, respeite a minha dor”, disse a governadora, abatida.
Milícia digital
Do outro lado, a governadora de Pernambuco foi acusada pela campanha de João Campos de estar à frente de uma milícia digital responsável por divulgar conteúdos falsos e distribuí-los. Esse esquema teria sido financiado pela Secretaria de Comunicação (Secom) local.
O caso chegou a ficar nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF), mas nesta semana, o presidente da Corte, Edson Fachin, determinou que os autos fossem encaminhados para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Censura
A Justiça Eleitoral acionou a Polícia Federal e determinou que o portal Bastidor.PE entregasse metadados, arquivos originais e identificasse como obteve os cartazes e panfletos apócrifos sobre Raquel Lyra.
A defesa do portal recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), alegando que a intimação configurava constrangimento e violação ao sigilo constitucional de fonte.
Em outro episódio, o TRE-PE determinou a remoção de publicações e a suspensão temporária do perfil no Instagram do jornalista Ricardo Antunes após a publicação de uma reportagem que questionou a relação familiar entre um desembargador eleitoral e um político ligado à campanha de João Campos.
O texto tratava de uma decisão do desembargador Marcelo Labanca, que suspendeu os efeitos de uma determinação anterior favorável à governadora Raquel Lyra.
A decisão havia concedido à candidata direito de resposta sobre peças da campanha de João Campos que questionavam sua remuneração e seu patrimônio.
O TRE-PE afirmou que a suspensão levou em consideração, entre outros pontos, a repetição de conteúdos anteriormente submetidos a ordens de remoção, a insuficiência de medidas pontuais e dificuldades para citar o jornalista em outros processos.
Quem é Raquel Lyra?
Raquel Teixeira Lyra Lucena nasceu em 2 de dezembro de 1978, no Recife, e cresceu em Caruaru, no Agreste pernambucano, em uma família tradicional da política estadual. Formada em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, trabalhou no Banco do Nordeste e foi delegada da Polícia Federal entre 2002 e 2005. Depois, ingressou na Procuradoria do Estado e, no primeiro governo de Eduardo Campos, comandou a Procuradoria de Apoio Jurídico e Legislativo.
A carreira eleitoral começou em 2010, quando foi eleita deputada estadual pelo PSB. Reeleita em 2014, deixou a Assembleia para disputar a Prefeitura de Caruaru em 2016, pelo PSDB, sendo reconduzida ao cargo em 2020. Em 2022, deixou a prefeitura para concorrer ao governo e tornou-se a primeira mulher eleita para comandar Pernambuco. Em 2026 filiou-se ao PSD.
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