Uma cápsula do tempo de 112 milhões de anos preservou insetos e vestígios de uma floresta que existia quando os dinossauros dominavam a Terra
O material preservado permite reconstruir detalhes de um ambiente desaparecido há milhões de anos
Uma gota de resina que escorreu de uma árvore no Cretáceo acabou preservando organismos pequenos demais para deixar fósseis com facilidade. O âmbar do Equador, encontrado na Formação Hollín, guarda insetos, aracnídeos e pistas de uma floresta úmida que existiu há cerca de 112 milhões de anos, quando grandes dinossauros ainda ocupavam os continentes.
Onde esse âmbar foi encontrado?
O depósito vem da região de Napo, no Equador, e está associado à pedreira Genoveva. O material pertence ao início do Albiano, uma etapa do Cretáceo Inferior.
O estudo publicado na Communications Earth & Environment descreve o achado como a primeira grande ocorrência de âmbar mesozoico sul-americano com artrópodes terrestres preservados.

O que ficou preso dentro da resina?
Os pesquisadores encontraram pequenos animais que viviam naquele ambiente e acabaram presos na resina ainda pegajosa. Depois de milhões de anos, o material endureceu e preservou detalhes dos corpos.
A University of Barcelona, ligada à equipe do estudo, descreve a diversidade preservada:
Como era a floresta em que esses organismos viviam?
As evidências apontam para um ambiente úmido, arborizado e próximo de sistemas de rios e lagos. A resina provavelmente veio de coníferas da família das araucárias.
O estudo também encontrou sinais de samambaias, cicadáceas e plantas com flores, que estavam aumentando sua presença nos ecossistemas durante o Cretáceo.
- Umidade: o conjunto indica uma floresta tropical úmida.
- Coníferas: são apontadas como provável origem da resina.
- Angiospermas: plantas com flores já ocupavam parte importante da vegetação.
- Artrópodes: pequenos animais ajudam a completar a imagem do ecossistema.
Por que esse depósito é diferente de outros âmbares?
O registro do hemisfério sul é muito mais pobre que o do hemisfério norte para esse período. Isso torna o material equatoriano importante para entender a vida em Gondwana.
O Natural History Museum de Londres informa que 21 insetos diferentes foram identificados entre as inclusões estudadas.
O que uma pequena peça de âmbar consegue revelar?
Ela preserva relações entre plantas, insetos e clima em uma época que seria difícil reconstruir apenas com grandes fósseis. Um organismo de poucos milímetros pode registrar detalhes que ossos de dinossauros não mostram.
O depósito também ajuda a acompanhar a expansão das plantas com flores em florestas tropicais antigas.
É uma janela pequena em tamanho, mas aberta para um ecossistema de 112 milhões de anos.
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