Voto útil deve empurrar eleição para Lula e Flávio
Terceira via derrete às vésperas do pleito
Os últimos levantamentos divulgados ao longo da semana indicaram que a eleição ficou concentrada entre o candidato à reeleição, Lula (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O que se viu nos últimos dias foi um movimento de voto útil em torno dos dois favoritos.
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, 1º, mostra Lula com 42% das intenções de voto, contra 38% de Flávio no primeiro turno.
Cury aparece com 4%, enquanto Caiado e Renan somam 3% cada. Zema tem apenas 1%.
Patamar alto
A terceira via não teve chances porque os dois principais candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro, partem de um patamar muito alto.
O estrategista eleitoral Roberto Reis explicou essa conta matemática em um artigo para a Crusoé (“O fenômeno Cury ainda não é maior que a polarização“).
Se dividíssemos o Brasil em 100 eleitores, 35 deles seriam de Lula. À esquerda, o petista praticamente não tem rivais.
Entre 20 e 25 não se envolveriam com o processo.
“Isso deixaria aproximadamente 40 dos 100 eleitores na disputa que mais importa para os oposicionistas: a vaga de quem enfrentará Lula. O primeiro candidato de oposição a chegar ao número mágico de 20 impediria que os demais o ultrapassassem. É matemática pura e simples“, escreveu Reis.
O bolsonarismo já larga nas pesquisas com 15%. Sendo assim, um rival à direita teria de ultrapassar esse patamar de 15%, dentro de um setor de oposição que representa cerca de 40% dos eleitores.
Para Flávio Bolsonaro, bastava agregar mais 5% para ter mais da metade da oposição: 20%.
Para os demais nomes, chegar a esses 20% nunca foi um desafio fácil.
Ele já tirou alguns e pode tirar mais. Mas há um limite que parece uma barreira de concreto: são eleitores muito fiéis. Mais de 80% dos dois lados, Lula e Bolsonaro, nem sequer cogitam mudar o voto.
Para piorar a vida da terceira via, eleitores de Flávio e Lula são muito fiéis. “Mais de 80% dos dois lados, Lula e Bolsonaro, nem sequer cogitam mudar o voto“, escreveu Reis.
Estrutura
Agregue-se a isso o fato de que os candidatos que apareceram à direita não tiveram estrutura suficiente para ganhar força.
“Nenhum dos nomes de terceira via teve estrutura de fato para poder se apresentar. O Caiado, que tem o maior partido, desde o início foi avisado pelo Gilberto Kassab de que o PSD localmente faria as escolhas mais adequadas para as eleições parlamentares. Ou seja, o Caiado não tinha quem buscasse no aeroporto na maior parte dos estados“, disse o cientista polítido Leonardo Barreto no Papo Antagonista.
Renan Santos, da Missão, conseguiu atrair a atenção durante um tempo. Mas, sem tempo no horário eleitoral gratuito e poucos recursos, não conseguiu passar dos 10% nas pesquisas e caiu em seguida.
Outro fator que o atrapalhou foi que, à medida em que foi se tornando mais conhecido, sua rejeição também aumentou. Cerca de 64% dos que dizem conhecer Renan não votariam nele.
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também não teve horário eleitoral e tem um partido muito pequeno, o Novo.
Augusto Cury foi o último a dar as caras, mas acabou sendo atropelado pela crise do Supremo Tribunal Federal (STF).
Leia mais em Crusoé: A morte e a morte da terceira via
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)