Água já mergulhava quilômetros dentro da Terra há 3,1 bilhões de anos: rochas australianas revelam vulcões alimentados por um ciclo antigo
O processo, batizado de "dripduction", envolvia seções de crosta afundando aos poucos, não placas inteiras

O que você vai ver
- O que pesquisadores encontraram nas rochas vulcânicas do cráton de Pilbara.
- Como a água do mar ficava quimicamente presa dentro da crosta antiga.
- O que é o processo de “dripduction” proposto pelos pesquisadores.
- Por que esse mecanismo é diferente da tectônica de placas moderna.
- Por que essa descoberta antecipa o início do ciclo água-manto da Terra.
Água da superfície já mergulhava a quilômetros de profundidade dentro da Terra há 3,1 bilhões de anos, e rochas vulcânicas preservadas na Austrália revelam que esses vulcões antigos eram alimentados por um ciclo geológico muito mais antigo do que os cientistas costumavam supor.
O que pesquisadores encontraram nas rochas vulcânicas do cráton de Pilbara?
Uma equipe internacional liderada pelo geoquímico Eric Vandenburg, da Universidade de Adelaide, examinou rochas antigas do cráton de Pilbara, no oeste da Austrália, e reconstruiu eventos geológicos datados de aproximadamente 3,1 bilhões de anos atrás com base em assinaturas químicas preservadas dentro da própria rocha analisada.
Segundo o ScienceDaily, a análise da sequência vulcânica de Whundo, formação específica dentro do cráton de Pilbara, indicou que o manto responsável por produzir essas rochas continha níveis de água próximos aos encontrados hoje sob zonas de subducção modernas, achado que situa essa dinâmica hídrica muito antes do que se imaginava para a história geológica do planeta.
🚀🌍 Un equipo de investigadores ha descubierto el cráter de impacto más antiguo de la Tierra -hasta el momento- en el cratón de Pilbara (Australia), formado hace unos 3500 millones de años, cuando nuestro planeta era un lugar muy diferente. pic.twitter.com/np0P8Zd8UK
— Un geólogo en apuros 🏳️🌈 (@geologoenapuros) March 6, 2025
Como a água do mar ficava quimicamente presa dentro da crosta antiga?
Água do mar se infiltrava na crosta oceânica antiga e ficava quimicamente ligada dentro de minerais específicos, processo de retenção que permitia à água ser transportada junto com a própria rocha para baixo, em vez de permanecer apenas na superfície ou evaporar de volta para a atmosfera do planeta primitivo.
Essa capacidade de aprisionamento químico da água dentro da estrutura mineral da crosta foi essencial para que o elemento pudesse acompanhar a rocha em seu trajeto descendente rumo ao manto terrestre, mecanismo que, segundo os pesquisadores, sustentava todo o ciclo geológico identificado nas rochas vulcânicas estudadas no cráton australiano.
Placas tectônicas inteiras mergulham sob outras placas
Seções instáveis da crosta primitiva afundam em gotejamento
O que é o processo de “dripduction” proposto pelos pesquisadores?
Em vez de tectônica de placas moderna, o modelo proposto pelos pesquisadores sugere que seções densas e ricas em água da crosta primitiva da Terra se tornavam periodicamente instáveis, se desprendiam e afundavam lentamente em direção ao manto mais quente logo abaixo, processo batizado informalmente de “dripduction” pela equipe responsável pelo estudo.
Esse termo combina a ideia de gotejamento com o conceito de subducção, já que, ao contrário de uma placa tectônica inteira mergulhando sob outra de forma contínua, o processo descrito envolve porções menores e instáveis de crosta afundando de maneira mais gradual e localizada, mecanismo que ainda assim conseguia transportar água até profundidades significativas dentro do manto terrestre primitivo.
Por que esse mecanismo é diferente da tectônica de placas moderna?
A tectônica de placas moderna, como conhecida atualmente, depende de placas rígidas e bem definidas que se movem de forma relativamente organizada sobre o manto terrestre, sistema que só teria se consolidado completamente em períodos geológicos bem posteriores ao analisado no novo estudo sobre o cráton de Pilbara.
O processo de dripduction identificado nas rochas de 3,1 bilhões de anos representa, segundo os pesquisadores, uma etapa anterior e mais rudimentar desse ciclo geológico, mecanismo que já conseguia transportar água da superfície para profundidades consideráveis mesmo sem a estrutura organizada de placas tectônicas que caracterizaria períodos posteriores da história geológica da Terra.
É algo parecido com isso que pode existir na cratera Jezero em Marte, Estromatólito Tumbiana: Esta imagem mostra a estrutura interna em camadas finas de um estromatólito do Cráton Pilbara, na Austrália Ocidental.
— AndersonSpace ( astrofotografia ) (@universo_Tv_) February 19, 2021
Créditos: NASA / JPL-Caltech. pic.twitter.com/ya466fnS76
Por que essa descoberta antecipa o início do ciclo água-manto da Terra?
Essa descoberta indica que processos conectando a superfície da Terra ao seu manto interno já operavam muito antes do que se reconhecia anteriormente, achado que tem implicações diretas para a compreensão científica sobre atividade vulcânica primitiva, formação continental e a evolução geológica geral do planeta ao longo de seus primeiros bilhões de anos de existência.
Reposicionar o início desse ciclo água-manto para um período tão antigo quanto 3,1 bilhões de anos atrás obriga os cientistas a revisar modelos sobre como a Terra primitiva se resfriava e se reorganizava estruturalmente, já que a presença de água circulando entre superfície e interior profundo influencia diretamente a temperatura de fusão das rochas e, consequentemente, toda a dinâmica vulcânica associada a esse período.
- Rochas do cráton de Pilbara, na Austrália, revelam água alcançando o manto terrestre há 3,1 bilhões de anos.
- A água do mar ficava quimicamente presa em minerais, permitindo ser transportada junto com a rocha.
- O processo, batizado de “dripduction”, envolvia seções de crosta afundando em gotejamento, não placas inteiras.
- A descoberta antecipa significativamente o início do ciclo que conecta a superfície ao manto da Terra.
Medições de precisão que também revelam processos sutis de redistribuição de massa ao redor do planeta aparecem no relato sobre o centro de massa da Terra, que se desloca a cada ano com a neve, as monções e os oceanos.
Mais detalhes sobre a descoberta no cráton de Pilbara estão disponíveis no site oficial do ScienceDaily.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)