A capital brasileira que já chegou a 44,2 °C, onde o calor molda a rotina
A capital convive com máximas acima de 40 °C e agora amplia a arborização para reduzir ilhas de calor
O calor em Cuiabá, capital de Mato Grosso, não aparece apenas em ondas extremas. Ele faz parte do calendário, muda horários, aumenta a busca por sombra e ar-condicionado e transforma a própria forma de planejar a cidade. O termômetro oficial já chegou a 44,2 °C, enquanto períodos de seca deixam o ar ainda mais desconfortável.
Por que Cuiabá consegue ficar tão quente?
A combinação de posição continental, relevo baixo e estação seca favorece temperaturas elevadas em Cuiabá. A cidade está longe da influência direta do oceano e passa vários meses do ano com pouca chuva e menor cobertura de nuvens.
O calor também é reforçado dentro da área urbana. Ruas asfaltadas, telhados, paredes e grandes superfícies construídas absorvem energia durante o dia e devolvem parte desse calor lentamente, formando áreas conhecidas como ilhas de calor.
O próprio município reconhece esse efeito. Em 2026, a Prefeitura de Cuiabá colocou a redução das ilhas de calor entre os objetivos do novo planejamento de arborização urbana.

Até onde os termômetros já chegaram na capital?
Cuiabá alcançou 44,2 °C em 19 de outubro de 2023, a maior temperatura registrada na cidade desde o início da série histórica em 1911. No ano seguinte, a capital voltou a se aproximar desse valor e chegou a 44,1 °C em outubro de 2024.
Os dados históricos do Instituto Nacional de Meteorologia também mostram como o calor faz parte do clima normal da cidade. Em maio, por exemplo, a média histórica das máximas entre 1991 e 2020 é de 31,6 °C, mesmo fora dos meses mais quentes.
Por que a estação seca deixa o calor ainda mais difícil de enfrentar?
Entre o outono e a primavera, Cuiabá passa por meses de chuva reduzida e umidade baixa. A ausência de nuvens favorece forte aquecimento durante o dia, enquanto a baixa umidade aumenta o desconforto provocado pelo calor.
O INMET mostra como essa diferença aparece rapidamente. Em maio de 2023, a capital recebeu apenas 9,2 mm de chuva, valor 83% abaixo da média histórica de 53,4 mm para o mês. A temperatura média ficou em 26,2 °C.
- Pouca chuva: longos períodos secos reduzem a presença de nuvens e umidade.
- Sol intenso: superfícies urbanas aquecem rapidamente durante o dia.
- Ar seco: aumenta a sensação de desconforto e exige mais atenção à hidratação.
- Noites quentes: áreas urbanizadas podem liberar lentamente o calor acumulado.
Como Cuiabá está tentando reduzir o calor dentro da cidade?
A resposta mais visível em 2026 é a ampliação da arborização urbana. O novo planejamento municipal prevê elevar em 5% ao ano a arborização da capital e plantar 20 mil árvores entre 2026 e 2029.
A Prefeitura relaciona diretamente a estratégia à melhoria do microclima e à redução de ilhas de calor. Só em junho de 2026, outra ação municipal plantou 600 mudas em uma avenida do bairro Pedra 90.
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Como é viver em uma cidade onde 40 °C não são apenas uma exceção?
O calor interfere desde o horário escolhido para caminhar até a procura por ambientes climatizados. Atividades externas tendem a se concentrar nas partes menos quentes do dia, enquanto sombra, ventilação e hidratação ganham um peso maior na rotina.
Com 650.877 habitantes no Censo 2022, segundo o IBGE, Cuiabá precisa lidar com esse desafio em escala metropolitana. A cidade não é apenas conhecida pelo calor: seu planejamento urbano passou a tratar o conforto térmico como parte direta da infraestrutura e da qualidade de vida.
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